A cura da Miopia pelo método Bates


ÍNDICE
Pág.
Boletim do Dia  ...................................................................................7
Prefácio da segunda edição argentina ...................................................11
Prefácio ..............................................................................................13
Introdução  ..........................................................................................17
A origem da Ginástica Ocular  ..............................................................22
O que é a «Ginástica Ocular»?  .............................................................24
Divulgação da Ginástica Ocular  ...........................................................29
Causas de uma visão defeituosa ............................................................31
Existem óculos realmente adequados?  .................................................41
Os óculos são prejudiciais  ....................................................................43
Cristais de cores  ..................................................................................47
O olhar central  ...................................................................................50
A miopia  ............................................................................................53
A miopia nas crianças  .........................................................................56
O presbitismo  .....................................................................................62
O astigmatismo ...................................................................................65
O estrabismo .......................................................................................66
O descanso ..........................................................................................73
Quatro movimentos oculares com ou sem ponto .................................76
Alguns exercícios  ................................................................................81
A massagem ocular  .............................................................................88
Quatro movimentos do pescoço ..........................................................92
O Ziguezague  ......................................................................................95
Exercício com ponto em três direcções  ...............................................97
9
Pág.
Exercício com a ponta do lápis  ........................................................... 100
A espiral ............................................................................................. 103

Exercícios com duas lâminas com a letra «O> ..................................... 105
Exercício de deslocação  ...................................................................... 109
Exercícios com letras minúsculas de imprensa ..................................... 111
Mudança de luz ................................................................................... 115
Banhos de sol  ..................................................................................... 116
Imaginação e memória  ....................................................................... 118
Explicações gerais  .............................................................................. 123
Conselhos importantes  ....................................................................... 125
A alimentação  .................................................................................... 131
Receitas de pratos de legumes crus  ...................................................... 134
Dores de cabeça  .................................................................................. 138
O lenço  .............................................................................................. 140
Banhos alternados às mãos e aos  pés ................................................... 141
Enfaixamentos ao ventre  ................................................................... 144
Do poder curativo das cores  ................................................................ 146
Opinioes do Estrangeiro  ..................................................................... 15.1
Palavras finais  .................................................................................... 153
Bibliografia ......................................................................................... 155
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PRÉFÁCIO
PARA A SEGUNDA EDIÇÃO ARGENTINA
Com esta, entrego ao público a segunda edição do pneu  livro
«Olhos Sãos».
Cumpro assim com os pedidos de inumeráveis pessoas  que
procuram ajuda. A primeira edição demonstrou quão
necessária pode chegar a ser tal ajuda.
A fim de ganhar espaço, foi necessário suprimir algo  para
permitir a inclusão de novas experiências e aspectos.
-  Vê, pois, livro meu, e encontra o caminho para todos  os
lares onde houver necessitados dos seus conselhos. Torna-te uma
ajuda e consolo, divulga todos os conselhos  com inteligência
e o mesmo amor com que tudo tem sido vivido e escrito.
- Sê um defe nsor dos olhos!
11 
PREFÁCIO
O Naturismo e a Ginástica Ocular começaram a sua  marcha
vitoriosa pelo mundo.
Os seus grandes êxitos e ainda a sua maior necessidade,
experimentada pelas massas populares, favorecem a sua
penetração compreensiva.
Cada um de nós comprova, entre os nossos familiares  e
no círculo das nossas amizades, como a saúde e a facul dade
visual perdem os seus atributos, assenhoreando-se a
decadência do órgão que, pela sua importância e impres-cindível necessidade, deveria merecer a maior  atenção e a
maior soma de protecção por parte de cada pessoa.
Nas cidades, os olhos das crianças não têm ocasião de
ver a grandes distâncias. Pior é nas escolas, em que, du rante
horas, os olhos estão fixados sobre os livros colocados a pouca
distância, emvez de se moverem com inteira liberdade. A
decadência da faculdade visual, na actual juventude, é um
facto elucidativo de fácil comprovação. Vêem -se  muitas
crianças e jovens que usam óculos.
Os nossos avós nunca usaram óculos e, gozando de  saúde
perfeit a, chegaram a uma idade avançada.
É incontestável como a saúde e o poder visual, assim  como
os olhos e os demais órgãos do corpo, estão em ín tima
conexão orgânica. Não se pode considerar completamente
saudável a pessoa que usa óculos. É tão íntima e  estr eita a
correlação entre a força visual e a capacidade
13
mental e a fisiologia orgânica da pessoa, que, ao estar afectada
a visão, perturba não só o rendimento mental, mas  também
afecta directamente o processo metabólico em geral.
Por conseguinte, a recuperação da função visual provoca
reacções harmónicas que normalizam o estado de saúde geral  da
pessoa.
Não pode existir pessoa alguma que, compenetrada  desta
importante verdade, não sinta a necessidade de restabelecer a
saúde, procurando normalizar a função da força visual, quando
nela existem anomalias.
Uma demonstração do estado decadente da saúde na
actualidade, é a imensa quantidade de óculos que se vêem em
uso. É tão raro conhecer uma pessoa que nunca tenha  usado
lentes!
Eu também usei óculos. Foi devido às minhas dores de cabeça
que me foram receitados. Por vezes, tive que tro cá-los por
cristais mais fortes. Os óculos pareciam -me, a mim, «muletas»
bastante incómodas. Uma pessoa das mi nhas relações
emprestou - me o livro do Dr. Bates: «Visão  exacta sem
óculos». Com uma amiga comecei fazendo os exercícios nele
preconizados. Em poucos dias, a minha  amiga fez enormes
progressos no seu poder visual, apesar  dos seus 50 anos já
feitos. Reconhecemos imediatamente que este método de cura
era excelente e conced emos- lhe ainda  maior atenção,
obtendo, ao fim de pouco tempo, óptimos resultados.
Efectuei uma viagem pela Alemanha, para conhecer melhor e
mais directamente esta ginástica, já bastante divulgada neste
país da Europa.
Fui a primeira pessoa que propagou esta ciência na
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República Argentina. Este meu livrinho estará, quanto possível,
ao alcance compreensivo da generelidade das pessoas que
queiram dedicar-se à sua leitura.
Espero pelo maior bem possível que hei-de levar a todas aquelas
pessoas que hão-de n ecessitar do seu método para  a normalização
do poder visual; mais ainda, ao empreen derem, com afinco e
firmemente, as suas práticas, a sua  razão não somente há-de
melhorar, mas também a sua visão se corrigirá sem ajuda de
ninguém e ainda terão maior  prazer em viver, pois a vida
apresentar-se-lhes-á mais bela  e formosa, plena de alegria e
de espiritualidade.
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INTRODUÇÃO
Ninguém discute, e é por demais sabido, que o ser
superior, entre os seres da criação, é o homem. A cabeça
do. homem apresenta o aspecto mais perfeito da persona-lidade humana. O cérebro, alojado entre os ossos duros  do
crânio, é o centro de potencialidade espiritual e mental.  Ali
nascem as ideias e formam - se os pensamentos que  hão - de
pôr em movimento os nervos e músculos que  hão-de
executar o acto imaginado.
O mais importante dos órgãos, em muitos aspectos,  são os
olhos. A sua complexidade e delicada estrutura só  pôde ser
criada pela Providência, que é a mais sábia expressão da
Natureza. Os olhos parecem as janelas do corpo.  Através
dela s, o homem interno estabelece contacto com o exterior,
obtendo assim as impressões que hão-de determinar o seu
próprio valor compreensivo da vida.
Há muitas pessoas que olham, sem distinguir o que
têm diante. Outras que vêem mal, porque a fisiologia do
poder visual não lhes traz a devida impressão; e o homem
interno sofre e faz repercutir a sua dor no resto do orga -nismo humano, que se ressente e adoece.
Os olhos são os intermediários entre nós e o nosso próximo,
como também entre o ambiente que nos rodeia .  A nossa visão
permite-nos orientarmo-nos no mundo. Reconhecemos pela
vista o ambiente que nos rodeia, quer  esteja perto ou
distante.
2
17 
Por meio da nossa vista, evitamos tropeços. Ela permite-nos mover sem sofrermos danos. E isto não é tudo. Tam-bém, como uma bênção outorgada pela Suprema Sabedoria,
graças a ela distinguimos a forma dos objectos e a sua
cor.
Pelo brilho dos olhos, conhece-se o estado de saúde
espiritual, mental ou físico da pessoa. Na íris pode-se
descobrir a essência do mal e a natureza da doença.
Quantas vezes a natureza da doença, longe de ser de
ordem física, é antes uma doença moral, devido ao homem
Fig. 1
Secção vertical do globo ocular
1. Nervo óptico.  -  2. Papila óptica. Excavação fisiológica.  -  3.  Corpo
vítreo.  -  4. C ristalino.  -  5. Pupila.  -6  -  Córnea.  -  7. íris.  8.  - Zónula. - 9.
Corpo ciliar.  -  10. Retina.  -  11. Coroiceia.  -  12. Músculo recto superior.  -13. Músculo recto inferior. -14. Músculo oblíquo inferior.
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Fig. 2
Secção dos glóbulos oculares com os seus 6 músculos
1. Quiasma.  -  2. Nervo óptico.  -  3. Músculo recto superior.  -  4.
Músculo recto inferior.  -  5. Músculo recto externo. 6.  -  Músculo  recto
interno. - 7. Músculo oblíquo superior. - 8. Músculo oblíquo inferior.
19 
Fig. 3
O fundo do olho normal
A papila do nervo óptico forma uma circunferência localizada na
retina. No centro da papila encontra-se a excavação fisiológica, que tem
a forma dum funil microscopicamente pequeno e que penetra no  nervo
óptico. As artérias estão desenhadas com linhas  duplas, com as  suas
ramificações mais estreitas. As veias e os seus ramos estão  marcados
com linhas negras simples. Na direcção temporal da papila  do nervo
óptico, encontra-se a mancha amarela em forma de um óvalo. Esta é muito mais
sensível à acção da luz  ou de qualquer outra impressão que chega ao olho
vindo de fora, do que as outras partes da retina.  Dentro da mancha amarela
encontra-se outra parte arredondada,  ainda com mais foto-sensibilidade,
chamada fossa central. No centro desta encontra-se o ponto  amarelo,
que é a parte mais sensível e, por  isso, a mais importante, pois
transmite a impressão visual.
interno  não  poder estabelecer  contacto  normal  com  o  mundo
externo, pela deficiência do seu poder visual, através das
suas janelas! À maneira de uma fonte inesgotável,  brota dos
olhos a expressão de saúde ou de doença, de inteligência
ou de loucura, de amor ou de ódio. As emoções puras ou
impuras da alma reflectem - se nos olhos,  compreensíveis
para todos os homens e actuando igual mente sobre todos.
As cores são para o órgão visual semelhantes ao som
para o ouvido, o perfume para o olfacto e o tacto para
perceber a expressão da vida, fonte imperecível do supremo
bem.
Os olhos transformam o mais sublime dos gozos espi-rituais  -  a percepção da luz-cor  -  em c onhecimento e com-preensão, que é consciência do ser humano e atributo do
superior.
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22  23
A ORIGEM DA GINÁSTICA OCULAR
Já na antiguidade foram empregados métodos naturais
para curar os olhos doentes. Para recuperar a visão normal,
conhecia - se e fazia - se us o da ginástica ocular e de
massagens.
O  século XIX pôs em evidência uma grande quantidade  de
alemães que, reconhecendo a insuficiência dos assim  chamados
métodos de cura, os puseram de parte, substituindo-os por
tratamentos naturais. Imediatamente se sentiram coroados
pelo mais rotundo dos êxitos e ainda hoje..  são reconhecidos
como os melhores do mundo. Cada um  deles tinha sofrido
doenças graves. Os métodos conhe cidos não eram capazes
*de curá-los. Por inteligência,  observaram leis naturais
curativas novas e cada um, por  seu lado, curou o seu
próprio mal. Os resultados cura tivos eram evidentes,
aplicando-os depois aos seus familiares e amigos, que foram
também curados.
Assim, para a cura, por meios naturais, de todos os
males que afectam os olhos, um m édico e vários leigos
encontraram novos métodos e caminhos. Um considerável
campo de acção compreende a ginástica ocular e as massa-gens. É interessante fazer notar que todos os inovadores
sustentam a mesma opinião: Um olho doente só é possível
existir numcorpo doente; por conseguinte, nunca se deve tratar
apenas o olho afectado, mas sim, em primeiro lugar,
o corpo doente, pois é nele que se deve procurar a causa
do mal.
Lamentavelmente, não podemos aprofundar nestas linhas
este assunto, pois apenas nos o cuparemos da ginástica ocular.
Apesar de se apontarem muitos precursores, cabe prin-cipalmente ao Dr. Bates o mérito de ter dado a conhecer  e
difundir o método da ginástica ocular. É igualmente notável
a acção da sua aluna Sr.a Elsbeth Friedrichs, que
div ulgou o sistema pela Suíça e Alemanha.
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O QUE É A «GINÁSTICA OCULAR»?
Estas duas palavras já dizem tudo: trata- se de movi-mentos dos olhos. Realiza-se sob as mesmas leis de toda  a
ginástica física, com o objectivo de fortificar os músculos  e de
ajudar a  circulação, ou seja aperfeiçoar a circulação e a
capacidade de todas as partes físicas que tenham rela ção
com os olhos.
Cada parte do nosso corpo tem a sua própria função.
Para a cumprir, é necessário desenvolvê - la com toda a
liberdade possível. A ginástica ocular tem a missão de que  a
vista defeituosa chegará a normalizar-se; no entanto,  os
óculos impedem-no.
- (Para ilustração, nada melhor do que o relato dos
quatro casos seguintes).
Dou um exemplo para demonstrar que às vezes parecem
suceder milagres.
Um dia, visitou-me uma professora, que veio expressamente
de Mendoza, a fim de procurar melhorar a sua vista.  Usava
óculos, permanentemente, havia já uns cinco anos.  Em virtude
de ter feito a viagem aproveitando o período  de férias, não
dispunha de mais d e quinze dias. Estávamos  a 10 do mês de
Julho. O exame revelou que a sua vista era  realmente
deficiente. De três metros de distância apenas
podia distinguir uma letra de nove centímetros de altura  e de
perto a sua visão não alcançava nem a metade.
Ela deu  nove lições de meia hora cada uma e já na quinta  lição
se registou notável melhoria. No final da nona lição,  a sua
vista estava corrigida.
De três metros de distância, lia a última linha que lhe
corresponde e, melhor ainda, de perto. A 90 centímetros  lia
letras pequenas, que correspondem a ver de 75 centímetros
de distância. Este êxito parece um milagre!
Para demonstrar que a visão corresponde ao estado
geral do corpo físico, relato o seguinte caso:
Um aluno meu, rapaz de catorze anos de idade, cujo
pai  émédico. O rapaz desejava entrar na Escola Militar.
Um dos olhos tinha a visão normal, mas o outro possuía
uma visão deficiente. O seu progresso foi lento, pois tinha
muito que estudar no colégio. No fim do ano escolar, fal-tava - lhe pouco para alcançar a v isão normal. No ano
seguinte voltou para aperfeiçoar a vista. Sucedeu o que  se
tinha previsto: após grande descanso, com férias passadas
no campo, a sua visão tinha-se tornado normal. Continuava,
porém, com as lições de ginástica ocular. Pouco a pouco, a vista
começou a falhar novamente. Pouco tempo  depois, chegaram
as férias de Inverno. A criança, livre de  todo o estudo, fez
uma viagem por toda a província de Córdova, que durou
duas semanas. Ao voltar desta via gem, a sua visão era
novamente normal. Então intensificou-se, mais do que nunca,
o seu trabalho escolar, pois à noite  ainda assistia a lições
num colégio.
Nessa altura já compreendia a causa da sua visão insu-
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ficiente e expliquei o resultado das minhas observações à
mãe, com a seguinte recomendação: «Antes dos exames,
afaste o seu filho dos estudos por uns oito dias; mande-o
para o campo, para que, ao ar livre, se divirta à vontade.
É claro que, durante estes oito dias, não deve estudar, pois
aproveitará mais quando estiver descansado e fo rtalecido.
Estou convencida de que, assim, os seus exames físicos e
intelectuais darão resultados mais satisfatórios.» Assim foi,  de
facto. Ingressou na Escola Militar e nunca mais se
queixou de má visão.
Dei lições a um cavalheiro da alta sociedade, com  75
anos de idade. Sofria de hipermetropia e com um dos olhos
tinha dificuldade em ver nitidamente as imagens. Tinha lido
todos os livros sobre o assunto «exercícios oculares» e
sabia -os de memória.
Após umas poucas de lições que lhe dei, comunicou-me
que  se considerava muito feliz por me ter encontrado,  pois,
guiando-se apenas pelos livros, não conseguia realizar bem
os exercícios, os quais, uma vez executados perfeitamente,
lhe corrigiam os defeitos da vista, que é agora  melhor do que
a chamada «vista n ormal», seja para objectos  situados perto ou
longe. Além disso, manifestou que o ter-me encontrado
significava para ele mais do que o descobrimento da
América. Seis meses antes, tinha sofrido um  grave acidente,
em consequência do qual tinha perdido muitoa memória.
Também esta a recuperou por com pleto, demonstrando-nos assim, de forma evidente, a rela ção entre os olhos e a
memória.
Uma vez escritas estas linhas, li-as a este senhor, pedin-do - lhe autorização para as publicar! «Como não  -  res-pondeu-me -,  pois se tudo isso é a pura verdade!»
Um dia fui visitada por uma senhora com uma filha de
14 anos de idade. Quando passaram diante de mim,
percebi que a menina manifestava um evidente antagonismo
para com a minha pessoa. Sofria de miopia de 3/4 da
visão normal e astigmatismo. A senhora encontrava-se de-sesperada, não só pelo defeito visual de sua filha, mas também
pelo aspecto anti-estético dos óculos, que desfiguravam o
rosto da menina.
É de compreender o que a mãe sofria com o constante mau
humor da filha, a qual até se negava a receber as lições  de
ginástica ocular.
Após seis lições, a menina corrigiu a visão por com-pleto. A mãe inteirou-me da mudança que se operou na
personalidade da filha, uma vez que esta já tinha a vista
normalizada: o seucarácter tornou-se alegre e desapareceu-lhe o complexo de inferioridade de que sofria. Os estudos, em
que antes já era boa aluna, apesar dos enormes esforços
que fazia para estudar com a vista defeituosa, leva - os agora
a cabo com relativa facilidade.
Finalmente, como experimentou em si própria os benefícios
que resultam duma boa vista e sabe o bem que este  sistema
pode trazer à humanidade, decidiu encaminhar  os seus estudos
de tal modo que também poderia dedicar-se  ao ensino da
ginástica ocular. Ela sentia, com o seu entusiasmo juvenil,
o que estas poucas palavras significam:  – A ginástica
ocular é uma obra humanitária de primeira  ordem.
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DIVULGAÇÃO DA GINÁSTICA OCULAR
Nos Estados Unidos, o método Bates é já bastante
conhecido. Alguns Estados da União  incorporaram o ensino  da
ginástica ocular nas escolas públicas, pela consideração  que
lhes merece a importância do método. No estado da
Califórnia, o método do Dr. Bates tornou-se obrigatório  é
em muitas cidades de diversos estados também foi incor-porado  nos estabelecimentos de ensino, como um meio  de
deficiência moral e material para o país em geral e o
indivíduo em particular.
Em Nova Iorque, conta o Dr. Bates que a miopia diminuiu
de 6  para 1 % em algumas escolas, após aplicação da
ginástica ocular. Emalguns colégios da grande cidade
americana, de 3000 crianças com visão defeituosa, 1000
obtiveram a faculdade visual normal, ao cabo de um ano
escolar.
O método é aplicado há mais de 50 anos. A senhora
Elsbeth Friedrichs propagou-o pela Alemanha. Esta senhora
já tinha ouvido falar do Dr. Bates. Como via muito  mal e se
encontrava em perigo de cegar, efectuou  uma,   via gem à
América do Norte para, apesar dos seus 63 anos, visitar o
Dr. Bates, o qual lhe ensinou pessoalmente o  sistema,
melhorando consideravelmente a sua faculdade de  visão.
Regressou à Alemanha com a nova teoria e fundou  a
primeira escola de ginástica ocular. Desgraçadamente,
faleceu poucos anos depois.
Em breve lapso de tempo se divulgou este sistema na
Alemanha. Existiam  ali  um ou vários institutos de ginástica
ocular nas cidades principais. Por meio destas escolas,
milhares de pessoas recuperaram a sua visão normal e muitas
experimentaram melhoras e evitaram a cegueira.
Na Alemanha, o método é considerado eficiente pelos
oftalmologistas e por vários médicos oculistas, que o pra-ticam.
No seu livro, o Dr. Bates expressa o receio de que a
teoria possa converter-se num sistema rígido. Mas na Alemanha
não há perigo de isso acontecer, pois cada um  dos que
praticam o método fá-lo por convicção própria  e com. o
espírito seguro de êxito.
Além disso, cada qual, segundo as circunstâncias, inventa
outros exercícios apropriados para cada caso particular. Na
Alemanha,o método sofreu grande ampliação  devido à
cooperação prestada pelas medicinas Naturista  e
Homeopática. Os institutos reconhecem as possibilidades  de
aumentar ainda mais o êxito com a particularidade de
conhecer melhor a natureza e a personalidade das pessoas
afectadas.
Em certas partes da índia, o método do Dr. Bates é
altamente apreciado.  Na estatística anual do Instituto de
Oftalmologia de Bulantshas, uma cidade na região do rio
Ganges, fazem-se notar os bons resultados que se obtiveram
com os ensaios levados a efeito no ano de 1930, ao curar  os
transtornos visuais sem óculos. Mediante al guns exercícios
oculares, muito simples, cura-se a visão deficiente.
Por esta razão, nas escolas e institutos de ensino superior da
índia, fizeram-se ensaios de profilaxia para curar a visão
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defeituosa na geração que se está educando, por meio da
distri buição de folhetos ensinando a obter uma visão per-feita sem óculos. Foram examinados os olhos de cerca de  1000
alunos de forma muito simples. A maioria destes alunos, de
visão deficiente, foram curados por meio destes  exercícios.
O médico Director, Dr. R agbubir Saraw Agarwal,  informa,
numa revista de 1932, sobre as medidas tomadas  nas escolas
contra a miopia, o seguinte: «Este método  preventivo da
miopia tem sido aplicado em todas as universidades deste
distrito; sem o uso de óculos, pude curar  muitos estudantes da
sua visão deficiente!». No ano de  1931, o citado hospital
oftalmológico tratou por este processo o número considerável
de 7166 doentes.
É de desejar que outros países reconheçam também o  alto
valor da ginástica ocular para a visão e a adoptem para a
aplicar nas escolas e colégios.
Isso não somente seria de utilidade para cada um dos
habitantes, mas também o próprio Estado seria amplamente
beneficiado com esta medida, pois salta à vista e à compreensão
individual que quanto mais perfeita e maior for a capacidade
de rendimento mental de um povo, tanto mais forte será o
Estado.
CAUSAS DE UMA VISÃO DEFEITUOSA
Quase todos os portadores de óculos perguntam, como  é
muito natural: «Porque vejo tão mal? Na minha família
ninguém usa óculos, excepto eu.»
As causas da má faculdade visual obedecem a diversas
espécies e a muitos factores. Tal como nas pessoas existem
diversos estados de saúde, assim também existem diversas
capacidades de visualidade. E, por isso, é fácil determinar
que a saúde e o poder visua l estão intimamente relacio -nados entre si.
Pode - se determinar o estado de saúde duma pessoa, ou
a natureza da doença que afecta um organismo, pela
receptividade que possa revelar a certas influências externas.
Por conseguinte, o estado de saúde ou de doença de  um
organismo depende da maneira como actua a receptividade
orgânica ante certas influências.
A parte mais débil dum corpo será sempre a mais re-ceptiva às influências desfavoráveis do meio ambiente.
Isto manifesta-se em muitas crianças quando começam  a
frequentar a escola. É contra a natureza infantil o estar,
quieto e sentado durante várias horas. As crianças desejam
mover-se e brincar com inteira liberdade. Também a força
mental é coisa nova.
Muitas crianças curvam- se sobre os livros para ler e
escrever. Então, os músculos oculares acomodam-se com  o
tempo às curtas distâncias, tornando-se míopes. Nestes
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casos, deveria ser obrigação dos professores tomarem medidas
para prevenir e evitar tais casos. Muitas vezes, a anemia é
a causa de uma má vista. Esta causa não se cura  com lentes
postas diante dos olhos, mas sim por meio de  uma
alimentação adequada e de um tratamento naturista  sem
drogas de espécie alguma. São também recomendáveis  os
jogos ao ar livre e puro, e dormir com a janela aberta.
Vale mais mandar as crianças para o colégio um ano
mais tarde, com boa saúde e boa visão, em vez de arrasta-rem consigo estes males enquanto duram os estudos. Isto  tira-lhes a alegria e o ânimo. O perdido recuperar-se-á com
facilidade, sem o desgaste que implica o estudar com a
saúde e a vista em más condições.
Muitas vezes, começa-se a usar óculos na época da puberdade, e
isso pode atribuir -se a debilidade e anemia.
A causa principal depende da nossa vida actual, distanciada
e contrária à Natureza, pois a maior ia das pessoas  vive
artificialmente, nas grandes cidades. Pode dizer-se que  os
homens encontram-se alheados dos fundamentos directos  e
necessários a uma vida sã. A falta de sol e de ar puro, na
maior parte das habitações das grandes cidades; edifícios  mal
apropriados a uma ventilação adequada; sol deficiente  e ar
viciado, são características de muitos ambientes impróprios de
serem habitados, mas onde, desgraçadamente, vi vem pessoas.
Há sítios onde jamais chegam os raios do sol  e, em muitos,
nem sequer a l uz. Além disso, muitas vezes  o local de trabalho
está mal iluminado, ou até se trabalha todo o dia com luz
artificial.
Um crime muito evidente, é o uso da luz «fluorescente».
Todas as pessoas que são obrigadas a trabalhar com tal
luz notam os efeitos perniciosos desta espécie de iluminação  e
manifestam: «Desde que temos a luz fluorescente, os meus
olhos vão piorando rapidamente e a minha visão está per-dendo a sua capacidade de tal forma que sinto medo.»
A indumentária também costuma ser contrária à saúde:  De
manhã à noite, as pessoas deviam esforçar-se por cumprir as
exigências da vida. Quantos males se têm tornado
necessários, e que o homem, escravizado, crê não poder
prescindir deles! Em quantos vícios se tem submergido o
homem, arrastando com eles a suamiséria! São o tabaco,  o
álcool, etc.
Cada mulher e cada menina, como também os homens,
deveriam ter tanto sentido de responsabilidade para com  a
família e amor para cem a sua pátria, que deviam deixar  de
fumar, a fim de lhes proporcionar filhos sãos.
Nãose pode apregoar suficientemente quão perniciosos
efeitos produz o tabaco sobre o organismo humano e como
tais efeitos se comunicam à descendência.
O mais triste é quando a nossa juventude ignora que
certos hábitos lhe são prejudiciais à saúde e em particular
para os olhos, como seja o hábito de fumar.
Decerto se a nossa juventude soubesse quanto é prejudicada
com esse hábito, não adquiriria tão pernicioso vício.  E o mais
grave é o mal não afectar somente o fumador,  mas também a
sua descendência.
Uma vez,visitou-me uma jovem com a faculdade visual
deficiente.
Ao recomendar-lhe que deixasse de fumar, saltou da  cadeira,
indignada, e disse-me: «Prefiro continuar fumando  mesmo
correndo o risco seguro de piorar da minha visão.»
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As cidades tornaram-se necessárias; não podemos pres-cindir delas. O que podemos fazer é conduzir -nos do melhor
modo possível, a fim de buscarmos para a nossa natureza
orgânica os meios necessários para reagir favoravelmente
contra os males que nos espreitam e nos rodeiam. O am-biente,produto do homem, submerge-o na. dor e na tristeza.
Ambientes com emanações de diversa natureza; ar impuro  pela
decomposição de óleos, fumos, gases, naftas, produtos químicos
e também de águas poluídas; a vida sedentária  que muitas
profissões impõem, anteo império de circunstâncias
inevitáveis; locais acanhados para o número de  pessoas que
neles devem trabalhar, são muitas vezes agravados por se
encontrar entre os trabalhadores alguém que  emana exalações
más, mórbidas, patológicas ou específicas  de fácil infecção, que
constituem lenta mas segura intoxicação para as pessoas sãs,
que  -desgraçadamente -  devem inalá -las.
Muita gente costuma levantar-se pela manhã, quando o sol já
percorreu um largo trajecto no horizonte; são sobretudo os
estudantes, que  têm o costume de estudar de noite,  ou seja nas
horas mais necessárias ao descanso. Então dormem pela
manhã, exactamente nas horas mais adequadas  para o trabalho
espiritual, despertando com a cabeça oca.  Durante todo o
dia, estes estudantes não servirão pa ra  muito. Por vezes
tive a oportunidade de aconselhar estudantes, antes dos seus
exames, a deitarem-se às 21 horas,  para se levantarem às 5 ou 6
horas da manhã. Aqueles que seguiram tal horário, estudaram
com melhores resultados,  sendo aprovados nos exames.
Uma imensa maioria de pessoas não dispõe de tempo
necessário para fazer repouso ao meio-dia. A jornada de
trabalho representa para eles uma cadeia ininterrupta de
esforços físicos e mentais que ultrapassam a medida do
rendimento que cada indivíduo podesuportar. A este desgaste
físico associam-se cem frequência preocupações de ordem
moral, quando não excitações psíquicas susceptíveis de
produzir comoções mentais. Mas não é este o único mal. O
pior é que há muitas pessoas que sentem não ser suficiente  a
pressa do dia. Não lhes basta o desgaste diurno do trabalho.
Têm outros interesses: desejam distrair - se, divertir - se
de qualquer maneira, convertendo a noite em dia. E deste
modo transformando a noite em dia, no dia artificial das
ilusões também artificiais, privam-se do verdadeiro descanso.  E o
sono, tão útil e reparador de energias  –esse sono tão
sabiamente disposto pela Natureza como um processo de
reincorporação de energias individuais  -,  ao carecer do  tempo
necessário para a recuperação, aumenta ainda mais  a
excitabilidade nervosa. Continuando a viver assim, o  homem
acaba por enfraquecer a sua saúde e cair doente.
A alimentação é outro dos factores mais importantes  na
vida humana, tanto para os sãos como para os doentes.  Uma
alimentação adequada é mu ito importante para os  que
sofrem de algum defeito ou afecção dos olhos, seja  qual for a
espécie de alteração. Da alimentação depende a  capacidade
ou rendimento dos olhos. Frequentemente, as  predisposições
mórbidas, verdadeiras origens das doenças,  provocadas por
má, deficiente, ou perigosa alimentação,  são causa de uma
péssima faculdade visual.
Nas grandes cidades, uma boa proporção de crianças  e
adultos é anémica; nesta, a anemia é a causa da insuficiên-
cia visual. A estas pessoas faltam-lhes  osol, o ar puro e,
principalmente, uma alimentação racional, conforme à Na-tureza, que constrói e embeleza.
Usando uma alimentação sã, racional e suficiente em
todos os elementos, obtêm-se melhoras Os banhos de sol  e de
ar são coadjuvantes que favorecem o processo curativo de todo
o mal, mas devem usai -se adequadamente, acostumando
paulatinamente o organismo dia após dia, até um  período de
tempo razoável e prudente. Durante estes banhos,  o corpo não
deve estar completamente desnudado. Geral mente, é
conveniente protegê-lo com uma roupa ligeira,  de cor
branca, procurando especialmente cobrir a cabeça,  com o fim
de a proteger dos raios intensos do sol. Deve  pôr-se de parte,
em absoluto, o costume de queimar a pele  como se esta fosse
um couro, pois nela existem uns corpúsculos que são
verdadeiros órgãos da respiração cutânea,  de grande
importância.
A pele exala substâncias de diversa natureza, que se
reintegram na atmosfera. Uma pele demasiado queimada  está
condenada à inactividade e as substâncias patológicas, que
deveriam ser eliminadas, são reabsorvidas pelo corpo,
acumulando-se no interior do organismo, para se converterem
em elementos mórbidos, que, tarde ou cedo, originam doenças.
Por esta razão se recomenda efectuar os exercícios res-piratórios ao ar li vre ou diante de uma janela aberta. Cem
este processo, tão simples, todas as pessoas podem
melhorar a saúde.
A vida sedentária é outro costume bastante arreigado  nas
grandes cidades, sendo causa de enormes prejuízos para
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a saúde. A falta de movimento, d e actividade corporal.
causa a insuficiência circulatória, não só do sangue, mas  de
todos os humores do corpo. Os efeitos estão bem patentes e
evidenciam-se nas digestões retardadas e na atonia
intestinal. O organismo normal deve ter diariamente duas
espontâneas evacuações intestinais. No caso de dispepsia, é
contraproducente ingerir qualquer medicamento; o benefício
dura pouco tempo e a pessoa que o tomou sente-se depois pior
do que antes, devido ao relaxamento sofrido  pelo aparelho
digestivo, que diminui o seu poder funcional.
Muitas pessoas têm a sugestão de que é necessário ingerir
medicamentos. Pelo contrario, a ciência naturista  preconiza
muitos recursos naturais, como por exemplo:  beber em jejum
e à noite, ao deitar, um copo de agua tépida  ou fria.  Tomar
lentamente, de manhã, em jejum, uma colherinha de azeite puro, é
também um remédio importante para  muitos males. Além disso,
devem aplicar-se enfaixamentos ao tronco, conforme se explica
no capítulo correspondente.
Na alimentação, convém dar preferência aos alimentos
crus. As comidas dever-ser iniciadas com frutas cruas ma-duras, ou com uma boa porção de salada variada, igual-mente crua. Comendo, também diariamente, e pela manhã
coalhada de leite, consegue-se uma boa digestão.
Apesar de existirem diferenças individuais  –em virtude
das quais o que é bom e útil para uns e mau ou indiferente
para outros  -, dispomos de um imenso caudal de processos
naturais e caseiros, de conveniente aplicação alternada e de
grande eficácia para o organismo.
Mas voltemos ao assunto que nos preocupa, ou seja:
causas de uma visão defeituosa.
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Temos, por exemplo, os pavimentos de ladrilhos ou
mosaicos nas cozinhas, que roubam calor ao corpo e mantêm
os pés frios. É costume, também muito espalhado, usar - se
em casas comerciais, bancos, cabeleiros, talhos,  salsicharias,
etc., pavimentos que intumescem e que são  prejudiciais à
saúde, quando, afinal, é tão fácil remediar  esse mal,
colocando sobre os pavimentos esteiras, alcatifas,  tapetes ou
grades de madeira.
Entre as causas de uma má condição visual, estão ainda  as
profissões a que se dedicam certas pessoas, como sejam
tipógrafos, pintores, cabeleireiros, químicos, curtidores e
outras profissões deste género, sujeitas a emanações de
ácidos e gases.
Nas tipografias produz-se um pó fino, metálico, que  origina
a catarata. Em certa ocasião, fui consultada por  uma
jovem que já aos 18 anos sofria de uma catarata
avançada. Nem sequer trabalhava no interior da tipografia,
mas sim numa oficina situada em frente. É difícil ajudar estas
pessoas, dignas de toda a compaixão, quando o destino as
obriga a ocupações em circunstâncias tão prejudiciais.  A
estes empregados recomendamos que procurem, por todos os
meios possíveis, manter o seu organismo são, mediante um
regime alimentar vegetariano e, sobretudo, que  aproveitem
as horas livres, a fim de as passarem fora, em contacto com
o ar puro.
Tive oportunidade de observar alguns casos raros, entre  os
quais o seguinte: uma senhora trouxe -me o seu único  filho,
de 12 anos de idade, que usava óculos já desde os 6 meses.
Um dos olhos acusava visão média e do outro via bastante
mal. Esta criança fumava desde os 4 anos,
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como qualquer velho, e ingeria copinhos de vinho. Que  pede
dizei-se a propósito de semelhante absurdo?
Os sapatos de borracha,ou com sola de borracha, são
prejudiciais para a íntima relação existente entre os olhos  e
as plantas dos pés.
Uma jovem estava estudando para professora de ginástica
e via -se obrigada a usar sapatos com sola de borracha  durante
várias horas por semana.  Disse-me que nas plantas  dos pés,
pelo uso desses sapatos, se formava uma espécie  de
excrescências, que desapareciam durante as férias, as  quais
aproveitava para andar descalça tanto quanto possível.
Isto é lógico  :  a borracha é impermeável e impede a eva-poração da exsudação, ou transpiração dos pés. Estas
emanações, que são secreções de eliminação de substâncias
tóxicas, devem abandonar o corpo. Mas a impermeabilidade
do calçado impede-o, obrigando essas substâncias,  que não
têm por onde evaporar - se, a s erem novamente absorvidas
pelos tecidos celulares da pele. Porém, como  o organismo,
protegido e fortalecido pela ginástica, estabelece defesas e por
sua vez repele a reabsorção, estas substâncias transformam-se
numa espécie de excrescências em forma de  cogumelos, de
vida parasitária, sem possibilidade de  subsistir quando se lhes
suprimem as causas pelas quais se  formam. Mas, quando não
é pela ginástica, quando um organismo não tem os meios de
defesa natural, que sucede?  Simplesmente, causam um perigo
considerável ao organismo.
Um professor de ginástica e natação fez a mesma obser-vação em muitos casos e disse-me: «O calçado com sola de
borracha assemelha-se a uma peste, que prejudica e faz  sofrer
bastante a juventude.»
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Ainda fica muito por dizer sobre este assunto. Todos
devemos observar-nos, para sabermos o que é útil e o que  é
prejudicial ao nosso organismo e, muito especialmente,  aos
nossos olhos. Em particular, são inimigos dos olhos,  tanto
para crianças como para adultos, a atmosfera viciada,  o f umo
e o pó.
Tive oportunidade de conhecer uma família que tinha  uma
filhinha e vivia nas Pampas. Um dia foram surpreendidos por
uma forte tempestade de areia, que destruía tudo  quanto
encontrava na sua passagem. A menina estava à intempérie,
no seu carrinho. O pai, supondo que a esposa  se tinha
encarregado do bebé, tratou de salvar tudo o que  lhe era
possível. A mãe, pensando de igual maneira, começou também a
pôr em sítio seguro os seus haveres. Com horror,  comprovaram
imediatamente que a sua filhinha estava  exposta à tempestade.
Em virtude disso, a criança perdeu  a vista e nenhum médico a
pôde ajudar, para lhe devolver .  a faculdade visual.
EXISTEM ÓCULOS
REALMENTE ADEQUADOS?
Quase todas as pessoas que começam a usar lentes deviam,
desde o princípio, acostumar-se aos óculos. Para  algumas, isto
é impossível; deixam-nos de lado e tratam  de acomodar-se de
forma a ver sem eles. A muitas outras,  o uso de óculos causa-lhes dores de cabeça. Perguntámos:  a que se deve isto?
É possível, realmente, receitar óculos a dequados a uma  visão
débil e defeituosa?
É facto comprovado que a faculdade visual de cada
pessoa não é sempre a mesma. A precisão ou nitidez visual
varia continuamente. A maioria das pessoas não se compe-netrou ainda desta verdade, porque não lhe prestou  a devida
atenção, ou não observou que, quando estamos descansados
pela manhã, a nossa visão é mais nítida e melhor do que  à
noite, ao deitar.
Geralmente, à noite, a vista está fatigada pelo trabalho
efectuado durante o dia, ou por má disposição devido a  causas
nervosas, ou ainda devido a algum desgosto.
Também é fácil comprovar, por exemplo, que a satisfação
de ver muito melhor nos é proporcionada em dias  passados no
campo, ao ar livre, e que nos fazem regressar contentes ao lar.
Conforme for o estado físico da pessoa, este benefício
persiste por vários dias. Cada um pode comprová-lo por  si
próprio. Por esta razão, como é possível encontrar real 
mente óculos adequados? Até as lentes receitadas com a
máxima escrupulosidade, são unicamente adequadas para  o
momento em que se faz a receita.
Conversei sobre este assunto com um médico, o qual
confirmou ser exacta tal observação. Este médico consegue
restabeleces-se, física e até espiritualmente, quando em
excursão pelo rio Tigre, onde 'costuma remar. Seus olhos
vagueiam e ele extasia -se ininterruptamente sobre a formosa
Natureza. Ao regressar, à noite, pode ler tudo perfeitamente,  sem
óculos. E este bem-estar conserva-o até o dia seguinte; mas,
depois, a faculdade visual vai diminuindo o seu poder,  e de
novo temde recorrer aos incómodos óculos.
Outro caso também vem confirmar que os óculos não  são
realmente adequados:
Uma senhora consultou cinco oftalmologistas e, apesar
disso, cada um receitou óculos diferentes.
Por fim, ela não sabia que fazer, pois não podia  esco-lher qual dos cinco tipos de óculos lhe era mais adequado
para o seu caso. Depois, tendo examinado a sua vista por
meio da escala métrica de eptótipos do Dr. Bates, com-provou que a sua capacidade visual era normal. A causa  do
seu variável poder visual estava filiada no nervosismo,
motivado por ter sido encarregada de demasiado trabalho
mental no escritório.
Tais queixas ouço-as frequentemente. Ao meu consultório
de ginástica ocular acodem muitas pessoas que consultaram
diversos profissionais sem encontrar alísio. E a  minha
resposta, com a maior consideração, à pergunta  «Há óculos
realmente adequados»?, é simplesmente um  rotundo «Não».
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OS ÓCULOS SÃO PREJUDICIAIS
São importantes as palavras dum mestre de oftalmologia,  o
médico Dr. Bates, que escreveu o seguinte: «O maior  criminoso
contra a humanidade foi o inventor dos óculos.»  O Dr. Bates
estudou profundamente este assunto e dedicou toda a sua
vida à tarefa de encontrar formas e caminhos  naturais para
remediar os defeitos oculares, principalmente  osda refracção,
sem fazer uso de drogas de espécie alguma.
Entre todos os casos que tive ocasião de observas, durante
os meus vinte anos de prática, tenho de confessas,  com toda a
franqueza e consideração, o seguinte: os óculos  não suprimem
as causas de uma visão defeituosa, qualquer que seja o defeito.
É certo que são de utilidade para ver  melhor, mas não curam
de maneira alguma. Pelo contrário, debilitam as funções
musculares, com o que a visão  piora. O mesmo é dizer que os
óculos fazem as vezes de muletas.
Segundo o meu conhecimento, todas as pessoas compe-tentes nesta matéria são da mesma opinião.
A  imobilidade  dos olhos, motivada pelo uso dos óculos,
explica-se de forma natural e bem simples: com os cristais  por
diante, os olhos são obrigados a orientar-se sempre  na
mesma direcção, ou seja em frente; se o portador de  lentes
deseja ver um objecto situado a um lado, moverá  para este
objecto o seu rosto, em vez de lhe dirigir unicamente os olhos.
Por esta causa, os olhos movem-se relati-43 
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vamente pouco nas pessoas que usam lentes. A falta de
movimento produz uma circulação deficiente, querendo isto
dizer que os olhos e seus músculos são mal alimentados.
Ao faltar-lhes alimentação suficiente, os músculos endu-recem  e, com o tempo, atrofiam-se. Sucede o mesmo que  a
qualquer outra parte do corpo que se encontre em tais
condições. Os olhos acostumam-se aos cristais e são incapazes
de se acomodarem; isto é: não podem focar - se a  diferentes
distâncias.
Os cristais são sempre feitos de acordo com a condição
visual momentânea, precisamente quando as lentes são
receitadas.
Segundo a minha maneira de ver, estas observações vêm
demonstrar, sem dúvida, a perniciosa influência dos óculos
sobre os órgãos visuais.
O momento mais apropriado para evitar o suo de lentes  é
aquele em que se observa uma insuficiência recente na
faculdade visual. Estes são os casos em cuja cura se podem  ter
maiores esperanças. Durante a minha prática de 20 anos,  pude
comprovar que os casos de pessoas que n unca usaram  lentes
eram os mais fáceis e rápidos de curar  -  isto é: os  que em
menos tempo recuperavam a visão normal. Quanto  mais
tempo uma pessoa fizer uso de lentes, tanto mais difícil
se torna corrigir a visão, sobretudo quando já se  chegou ao
uso de lentes de alto poder, em cujo caso uma  recuperação
completa da vista é quase impossível.
Comprovei, em numerosos casos, que pessoas que usavam
lentes unicamente para «descansar» a vista ao executarem
trabalhos manuais, ou seja para ver objectos a curta
distância, conservavam uma visão relativamente boa para
objectos distantes; porém, para curtas distâncias, a visão  já se
manifestava algo deficiente. Inversamente, as pessoas que fazem
uso de lentes para ver pontos distantes, conservam uma visão
relativamente boa para objectos situados  perto, enquanto
para as distâncias grandes a visão é deficiente.
Muitas vezes me dizem: «Não desejo usar óculos, porque me
criam um complexo de inferioridade.» Por esta razão, uma
menina manifestou-me em certa ocasião: «Dá-me a impressão,
quando uso óculos, que me sinto inferior às pessoas que me
olham. Sem lentes sinto-me mais  feliz e livre e a vida
parece - me mais  atraente.» Esta é  uma das pessoas que
conservam ainda uma mente e raciocínio sãos. Têm razão, pois
é exacto que o uso dos óculos muda às vezes o carácter por
completo.
Para relatar um caso trágico, apresentarei a seguinte
história que me contou um cavalheiro. Trata-se de um homem
alto, bom rapaz, como se costuma dizer  -  um homem  de
verdade. Aos sete anos de idade, via melhor do que  todos os
seus camaradas. A cerca de mil metros de dis tância,
distinguia perfeitamente seu pai, quando este voltava do
trabalho para casa. Aos 9 anos principiou a usar  óculos. A
professora tinha dito que ele não distinguia bem  o que estava
escrito na ardósia. Ao princípio necessitava,  em cada seis
meses, de cristais cada vez mais potentes.  Foi então que
começou a sua triste história. Em pequeno,  os cristais
incomodavam-no bastante, quando brincava.  Quando
chegou à idade adulta, teve de  escolher uma profissão que
não correspondia às suas capacidades mentais.  Então, já quase
cego, a sua incapacidade visual fê-lo desistir 
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de casar. Dizia, muito resignado: «Sem ver, não vale a
pena viver.» Aos 36 anos de idade, distinguia apenas uma
letrade 9 centímetros à distância de 60 centímetros, letra
esta que se podia ver normalmente a uma distância de 60
metros. Para objectos situados perto, tinha uma visão
igualmente péssima e não tinha a capacidade de escrever  ou
ler sem lentes. Ao cabo de um mês de  ginástica  ocular,  num
total de cinco lições, distinguia bem à distância de  60
centímetros uma letra de 2 centímetros e 2 milímetros de altura.
Depois, os progressos foram mais lentos.
Referindo-nos novamente à frase «Sem ver, não vale a pena
viver»,  tal como este senhor, muita gente manifesta  o
mesmo e lança as culpas da sua má visão ao uso das
lentes, as quais foram receitadas demasiado fortes. Deste
facto se queixam milhares de pessoas de ambos os sexos.
CRISTAIS DE CORES
Com isto repito os conselhosdo Patronato Nacional  de
Cegos, que foram dados a conhecer há alguns anos atrás,
nos jornais diários: «Conselhos do Patronato Nacional de
Cegos: O patronato chama a atenção do público para os
perigos a que estão expostos os olhos, principal mente nos
meses de Verão. Tem-se generalizado o uso de  lentes de cores
nestes últimos anos, a fim de defender os olhos do sol forte e do
resplendor de superfícies brilhantes,  como sejam paredes
brancas, o mar, etc. O uso destas lentes  implica grandes
perigos. É um errosupor que a luz solar pode danificar a
vista, pois na verdade isso só é possível  quando se expõem os
olhos demasiado tempo seguido à  radiação directa do sol.
Doutro modo, a vista não periga de qualquer forma.»
Porque se usam cristais cinzentos, negros ou  de outra  cor?
Devido à crença de que protegem os olhos. Mas, cuidar mal
de um órgão, equivale sempre a chegar - se á um resultado
contraproducente. É um acerto científico o dito «a função faz o
órgão». E por outra razão, para manter as diversas partes do
corpo em eficiente rendimento, devem  ser exercitadas
sistematicamente, a fim de poderem cumprir  a sua missão
natural. Isto é tão certo que, para o seu cumprimento, se
pratica ginástica em todas as partes do mundo.
Cada órgão do corpo humano foi criado com lógica,
conforme a função de que foi incumbido pela Natureza.
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Os olhos não podem constituir uma excepção a esta regra, por
serem dos órgãos mais úteis, sensíveis e delicados que
possuímos. Se fosse necessário, os olhos seriam escuros ou
corados. Mas os olhos são órgãos feitos para a luz, sendo
por isso perfeitamente transparentes.
Os óculos escuros usam-se pensando que os olhos sofrem
uma perturbação por causa da luz solar demasiado  viva, ou
por refracção da luz produzida pelas casas e ruas  brancas.
Se os olhos se perturbam, não é defeito deles, mas sim por
estarem desacostumados da luz intensa. A causa do defeito
deve procurar-se nos nossos errados hábitos de vida, hábitos
de ambiente, que obrigam o homem a  viver em locais
fechados, onde os olhos se vão  desacostumando da luz. Desta
forma, é necessário reacostumá-los à  claridade, pois isso está
em conformidade com a Natureza.
Para proteger os olhos contra a luz vinda do alto, basta
geralmente um chapéu de aba larga ou um boné de  pala
saliente.
Para acostumar os olhos à presença da luz intensa, con-vém tomar banhos de sol, sob a forma aconselhada no
capítulo correspondente.
Os óculos de cor prejudicam geralmente os olhos e apenas
correspondem a improvisações da moda. Cada cor  exerce
certa influência sobre  o corpo humano e é principal mente
prejudicial para a vista. Isto tem sido investigado  e
comprovado bastantes vezes por vários médicos e leigos.  Um
dos mais meritórios precursores da cromoterapia foi  o Dr.
Georg von Langsdorf.
Por exemplo: a cor azul contrai os tecidos. Assim, se  um
míope usa cristais azuis, os tecidos da retina contraem--se, penetrando neles menos sangue, com o que ficam dimi-nuídas as possibilidades da vista. É completamente incom-preensível  a  razão por que se usam os óculos  escuros com
tempo nublado  e até dentro de casa.
Por tal razão, conviria suprimir esta mania da moda,  que
não somente desfigura o rosto da pessoa, como também é
altamente prejudicial, conforme verificámos nos conselhos  do
Patronato Nacional de Cegos.
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O OLHAR CENTRAL
De certo modo, cada olho pede ser comparado a uma
minúscula máquina fotográfica. A retina corresponde à
chapa fotossensível. Em todas as partes, esta chapa apresenta a
mesma sensibilidade à luz. Mas, a este respeito, a retina do
olho tem uma e strutura diferente. Uma porção  oval na retina
chama-se «mancha amarela» e é mais fotossensível do que as
suas proximidades.
Esta fotossensibilidade vai diminuindo paulatinamente,  em
círculo, até à periferia. O centro de máxima sensibilidade para
a luz é  infinitamente pequeno e chama-se a mancha amarela.
Em qualquer espécie de visão defeituosa, existe  um transtorno
nesta. mancha. O olho acostumou-se, neste  caso, a orientar-se
de maneira que o raio proveniente do  objecto não seja
recolhido pela mancha amarela, mas sim  por um ponto
situado nas suas proximidades. Em geral   esta parte
encontra-se próximo dela, mas frequentemente  também se
acha extraordinariamente longe. Devido a esta  circunstância, a
visão dificulta-se muito e torna-se pouco nítida e sombreada.
A causa do deslocamento ou do desvio da mancha
amarela está no seu cansaço.
Do mesmo modo como  se cansa o corpo, quando trabalha
em demasia, assim também se fatiga o olho. O esforço
excessivo é suportado pela mancha amarela, duma maneira
intensa e, involuntariamente, recusa-se a
continuar funcionando. O corpo cansa-se, a cabeça inclina-se
um pouco, o olho abandona a sua posição normal  e nessa
altura a mancha amarela recusa - se a fazer mais esforços,
delegando a sua função a um lugar das suas
proximidades.
Isto vai -se transformando lentamente num mau hábito.
Repete - se diariamente a todo o momento e o centro do
foco visual vai -se deslocando com o tempo, cada vez mais,
até à periferia da retina.
Muitas pessoas gostam de ler na cama, seja qual for a
posição e c em qualquer espécie de luz.
Para muitos que trabalham esforçadamente durante todo  o
dia, a hora da leitura é o tempo mais feliz e o único
entretenimento.
Não se lhes pode proibir este costume e muito menos
quando a leitura é sã, nobre e construtiva; mas de vem ter
o cuidado de não prolongar demasiado a leitura, que  deve
aceitar-se como um recreio e nunca como um esforço. A fim de
que os olhos não sofram prejuízo, deve-se procurar ler cem boa
luz. Não é necessário que seja muito  forte; simplesmente, é
conveniente que seja agradável aos  olhos. Em cada pessoa é
diferente a percepção do agradável. Também é indispensável
ter o cuidado de se manter  o que se lê a uma distância
conveniente e de forma que se coloque em linha recta diante
dos olhos. É completamente  prejudicial adoptar uma posição
oblíqua ou torcida  para ler, como pode suceder na cama,
pois, por isso, se  desvia  o  olhar central. Assim mesmo, é
importante a selecção  da leitura. Não convém ler nada que
excite a mente, para  não prejudicar o sono reparador,
porque, depois de uma 
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noite agitada, tão-pouco os olhos ficam descansados. O  mais
importante não é utilizar os olhos o menos possível  mas
sim não os maltratar, a fim de conservarem a sua
capacidade de trabalho e rendimento.
Todas as pessoas de visão defeituosa perderam a função do
centro visual. Pata a sua conservação, convém a leitura  diária
de escritos impressos com letra de tipo redondo ou  letra
minúscula, cerro também escrever com letra muito
pequena, sempre que seja sem esforço algum.
Não se deve permitir a criança  alguma ler na cama.
A MIOPIA
A miopia é o transtorno visual mais frequente e causa
do maior uso de óculos. Por isso, a sua prevenção e trata-mento assume uma grande importância na higiene popular  da
vista.
O míope vê bem ao perto e mal a  distância.
Não é uma afecção anatomicamente estabelecida e inal-terável, mas que se modifica continuamente.
Depois de passar um dia ao ar livre, em que os olhos se
moveram bastante, contemplando a Natureza, vê-se melhor do
que nos dias anteriores, passadosna cidade.
A faculdade visual pode melhorar espontaneamente
durante um período de férias, ou quando não se precise  de
usar lentes, fazendo vida natural nos dias livres, como  sejam
os sábados e domingos.
Recomendo aproveitar as licenças para recuperar a  vista.
Deve-se fazer todo o possível por passar uma vida sã fora da
cidade e divertir -se bem, para voltar com o espírito  alegre ao
trabalho.
Basta aplicar este processo, para melhorar a capacidade
visual. Mas não se deve cometer o erro de voltar a utilizar  as
mesmas lentes. Sendo possível, o melhor é não voltar  a
usar óculos, mas, se for imprescindível o seu uso, deve
adquirir -se outra receita para novas lentes mais débeis.  A
consulta será feita pela manhã, quando a vista está 
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mais descansada, de forma a o  oftalmologista poder receitá-los com maior precisão.
Insisto: de forma alguma se deve voltar a usar os óculos
anteriores, porque cada cristal é utilizável unicamente para  um
determinado grau de miopia. Se se voltar a utilizá -los, os
olhos adaptam-se forçosamente à mesma condição anterior
e pioram.
É bastante incompreensível como, com uma miopia  reduzida
ou média, se usam permanentemente óculos, pois  todo o
trabalho de perto se pede executar perfeitamente  sem lentes. Até
nisto o míope está em melhores condições  do que o
hipermetrope ou presbitia.
Apesar de tudo, muitas pessoas há que não podem tra-balhar na sua profissão sem ajuda de óculos. Trata-se,
principalmente, de empregados de comércio e estudantes.  A
profissão é o mais importante e, assim, não há.  outro
remédio senão usar cristais; mas deve - se fazê - lo apenas
quando for absolutamente necessário. Em casa, por exemplo,
não são necessários.
É conveniente aproveitar todas as ocasiões possíveis para os
tirar  – nos intervalos do trabalho, por exemplo.  Nestes
minutos, os olhos descansam e movem-se livremente, sem a
sujeição imposta pelas lentes.
Convém, principalmente, começar o trabalho sem lentes;
porém, quando se notou que os olhos se começam a esforçar,
podem voltar a pôr-se.
Acima de tudo, para ver longe, o míope não deve efectuar
esforço algum, não deve franzir os olhos, porque é
prejudicial.
O míope não deve considerar-se quase como um cego.
Não deve dizer: «Para que olhar, se não posso ver bem?»
Ao querer olhar, deve reflectir: «O que poderá ser  isto?»
Pestanejará e deixará vaguear o olhar de um lado para o
outro. É possível que assim consiga distinguir algo; não
importa que não veja muito nesse momento, mas
seguramente chegará a ver para a próxima vez.
É certo que há casos incuráveis, os quais sucedem, prin-cipalmente, em consequência da má herança. Felizmente,  estes
casos são raros.  .
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A MIOPIA NAS CRIANÇAS
É pouco conhecido o facto de todas as crianças recém-nascidas terem o globo ocular presbita. Sendo presbitas,
nenhuma delas pode ver bem de  perto. O Dr. J. Seissiger,
professor da clínica ocular da Universidade de Halle, na
Alemanha, examinou 500 crianças com idades que oscila vam
entre um e oito dias e afirmou que, sem excepção, todos
os olhos das crianças tinham constituição presbita.  Têm-se
dado casos em que os olhos não se desenvolvem,  ou o fazem
muito pouco. Nestes casos, o jovem permanece  presbita.
Felizmente, isto sucede muito poucas vezes.
A miopia desenvolve-se algumas vezes, precocemente,  nos
primeiros anos da vida. Os pais deveriam p rocurar, desde
tenra idade de seus filhos, induzi - los a mover os  olhos,
mediante jogos adequados – com uma bola, por exemplo.
Frequentemente, sobre o carrinho da criança, vê-se
suspenso sobre a sua cabeça um guizo ou outro objecto
para lhe chamar a atenção.  Aqui começa a causa da miopia. Os
olhos focam este objecto próximo e brilhante, que cristaliza os
seus movimentos oculares.  É necessário tirar este brinquedo,
nocivo para a vista da criança.
Não é raro ver crianças de três a seis anos de idade
usarem óculos. Tendo em atenção que nessa tenra idade
ainda a vista não alcançou o seu completo desenvolvi -mento, devemos fazer a seguinte pergunta: Que sucederá
mais tarde com estas crianças, uma vez que os seus olhos
sofrem grande atraso do desenvolvimento? É natural e  lógico
que o mesmo deva acontecer com o desenvolvimento  mental,
que acompanha o da capacidade visual.
As perspectivas destas crianças, para a futura luta pela
vida, que terão de suportar, apresentam-se-lhes péssimas e com
poucas probabilidades de triunfar.
No decurso da minha experiência de vinte anos, cheguei à
conclusão de que o mal de que sofrem estas crianças  é o mais
difícil de remediar. E na ginástica ocular são as  que mais
lentamente obtêm progressos. Ora isto é bastante triste para
esses pequenos tesouros!
A miopia nota- se logo ao começarem as aulas nas
escolas. É provável que a entrada no colégio seja, em muitos
casos, causa real da miopia. Muitas crianças, ao começar  a
escola, deviam ser submetidas a uma inspecção física e
mental. Para muitos, o estado de saúde não corresponde aos
novos esforços a que vão ser sujeitos.
Uma vez admitida a criança no colégio, deveria o Con-selho de Educação dispor dos meios necessários para com-bater a miopia dos alunos. Muitos trabalhos são realizados  a
curta distância, o que é causa de miopia. A maior parte  do
tempo estão os olhos focados a uma mesma distância  e com
isso perdem a sua elasticidade interna. Neste caso,  confirma-se a verdade das seguintes palavras: «Tudo o que  é vivo está
dependente  do grau da sua função.»
Obrigando os olhos, desde a infância, a focar com frequente
alternativa os objectos afastados e próximos,  obtém-se uma
elasticidade interna que mais tarde se torna
difícil ou impossível de readquirir. Um meio adequado para
se obter a elasticidade ocular é o jogo da bola.
É imprescindível que pais e professores tomem atenção para
que, durante a leitura e a escrita, as crianças mantenham a
cabeça a uma distância adequada para esse tra balho.
Ao repreendê-lasvárias vezes, ser-conseguir que adquiram
uma posição correcta, teria que se lhes pôr uma má  nota na
conduta, com a mesma razão que por qualquer  outra
desobediência. Geralmente, pede-se observar que a maioria das
crianças faz os seus exercícios escolarescom  o nariz quase
sobre o livro.
Uma professora que conhece os mais importantes exer-cícios oculares, disse-me que durante as aulas, para evitar
fatigar as crianças, fazia -as sair dos bancos, obrigando-as  a
efectuar um pequeno exercício para fazê-las descansar  a
vista.
O Dr. Bates conta o mesmo duma professora na América c o
Norte. Nas crianças que vivem nas grandes cidades,  onde
nunca têm ocasião de olhar mais longe do que para  o outro
lado da rua, é impossível que o  seu  horizonte possa  desenvolver-se com amplitude.
Outra época em que frequentemente começa a miopia,  é a
puberdade. Nestes anos devia procurar-se especialmente  que
estes jovens não se fatigassem demasiado.
Se neste período as classificações não são tão boas como
antes, isso não tem importância; muito mais importante
lhes é, para a vida e o progresso, o seu futuro estado de
saúde. Tudo o mais se pode recuperar, mas a saúde é muito difícil.
Precisamente nestes anos de puberdade, deveria
58
fazer-se todo o possível para fortificar a saúde. Convémgozar
do ar fresco e da verdura dos campos. O verde é  sempre
calmante.
Também o sono tem a sua importância, particularmente  o
sono antes da meia -noite. Desgraçadamente, não se presta  a
devida atenção a este ponto capital. Convém dormir com
a janela aberta , tanto no Verão como no Inverno,  o que
não deixará de nos trazer imensos benefícios. Além  disso, isto
não exige dispêndio algum.
Até agora, tem-se dado pouca importância a que uma
criança use óculos, Sempre se pensou que isso obedecia  a
um defeito e que o uso dos óculos servia de protecção.
Ainda presentemente, os pais depositam as maiores
esperanças nas lentes. Que não fariam eles para o bem de seus
filhos! Mas, infelizmente, ignoram que as lentes  são
justamente de efeito contraproducente.
Não se pede censurar um pai dessa sua boa fé, quando
ignora  a  existência doutros métodos que tornam possível  uma
perfeita oura.
Citarei um caso de êxito rapidíssimo. Uma mãe veio
procurar-me, com uma filhinha de oito anos; esta criança
usava óculos desde a idade de cincoanos, por causa do
estrabismo num olho e miopia de igual grau em ambos os
olhos. A menina via letras de 3 centímetros de altura à
distância de três metros. Tendo a mãe de ausentar-se de  viagem,
apenas pôde fazer três sessões de exercícios. Ensinei - lhe os
exercícios mais importantes para os executar diariamente.
A mãe, viúva e pobre, regressou ao fim de um mês.
Examinei, então, a capacidade visual da filha. As melhoras
59 
60   61
eram quase normais! Via quase todas as letras da linha de
3 metros, a 3 metros de d istância. O estrabismo também  tinha
desaparecido completamente.
Sucede frequentemente que um olho vê menos do que  o
outro. Neste caso, aconselha-se cobrir o olho de maior
copo, etc. Também olha à sua volta e o olho deve ficar
aberto e mover-se com a máximaliberdade.
Desta forma, o olho preguiçoso é obrigado a trabalhar.
Frequentemente, surge a pergunta: «Quanto tempo dura
esta cura?» Isto difere muito, conforme os distintos casos e
naturezas, tal como o êxito depende de muitos factores.  Em
primeiro lugar, entra em linha de conta, principalmente, o
estado geral de saúde e, em segundo, as qua lidades, a
cooperação cuidadosa e, principalmente, a vontade do
doente.
Às vezes, dentro de um prazo bastante curto, é possível
corrigir radicalmente uma faculdade visual péssima.
Também para os jovens com uma miopia bastante forte
há um lenitivo. Quando chegam a essa idade, em que se
verificam mudanças físicas gerais em todo o organismo,  os
olhos alteram o seu presbitismo, chegando assim à
condição de ver bem.
Fig. 4
Parche escuro sobre um olho
É conveniente utilizar um parche sobre um olho no caso de um olho
ver menos que o outro. O parche deve colocar-se de maneira frouxa
e não tocar no olho, pois é absolutamente necessário que o olho
tapado esteja aberto e possa mover-se com toda a liberdade,
visão com um parche. Deve ter-se o cuidado que este véu
não faça pressão sobre o olho. Ao princípio, são parti -cularmente importantes as horas das refeições, porque a
criança usa objectos já conhecidos: faca, garfo, colher,
62
63
O PRESBITISMO
O presbitismo é o defeito do olho. que vê nítido à dis-tância e mal de perto.
O  olho presbita e o seu cristalino são relativamente
curtos e um pouco chatos. Por esta conformação os raios  de
luz não se focam sobre a retina; mas atrás dela.
À semelhança da miopia, como ambos os casos são
anomalias de refracção, a presbitia também pode ser corri gida
por meio de exercícios oculares. Ao princípio, são os  mesmos
exercícios usados para o míope; a diferença consiste apenas em
que o ponto de partida e stá em começar pela  distância, que
é onde se vê bem. Isto é necessário para evitar qualquer
esforço ao querer ver.
O melhor é efectuar primeiro todos os exercícios de  fazer
vaguear a vista para afrouxar os músculos, para depois
seguir os exercícios com a  ponta do lápis e os cartões  do
ponto (veja -se o exercício com a ponta do lápis, o ziguezague e
a espiral).
O  cartão é mantido com o braço estendido e move-se
em todas as direcções, de forma que os olhos sejam obriga dos
a mover-se para não perderem o contacto visual com  o
centro do cartão, o qual se vai aproximando paulatina-mente dos olhos. Quando, após alguns dias ou semanas de
exercícios, se vê com mais clareza, pode começar - se
eventualmente com a leitura de um jornal ou de um livro,  da
seguinte manei ra: à distância em  que ainda se reco-nhecem as letras, coloca-se um jornal; move-se a cabeça
rapidamente dum lado para o outro, vagueando
simultaneamente a vista sobre as letras, pestanejando ao
mesmo tempo.
As letras devem mover-se em direcção contrária. Segue-se
com os olhos a linha sem a ler, movendo rapidamente a cabeça.
Depois, aproxima-se um pouco e repete-se  alternadamente, o
vaguear da vista e a persecução dos contornos externos das
letras. Depois de descansar um pouco,  alterna-se o exercício do
cartão com o ponto. Desta forma,  cada qual pode, por si
mesmo, criar muitos exercícios. Um aluno meu seguia com
os olhos o desenho do forro de  papel do seu quarto.
Também os quadros ou pinturas  são objectos adequados
para estes exercícios. É assom broso comprovar que nuns
curto prazo de tempo pode o  presbita ler tipos de letra
«diamante», supondo que faça  os exercícios com gosto e
inteligentemente. Chegando a  ler letras de tipo em miniatura,
é conveniente deixar vaguear  a vista, todas as manhãs, sobre
algo escrito com esse tipo  de letra e depois lê - las.
Desta forma, não se perdem os progressos adquiridos.  O
presbita deve fazer, durante os exercícios e a leitura,
grandes pausas de descanso, dado que os olhos estão
geralmente cansados.
Actualmente, o  presbitismo afecta principalmente as pes-soas de idade. Mas é um erro muito comum crer que, na
idade à roda dos cinquenta anos, em absoluto os olhos se
tornem presbitas. É verdade que nesta idade se manifestam
mudanças físicas gerais em todo o corpo. No e ntanto, nem
sempre os olhos se tornam presbitas, pois, na
64
realidade, há pessoas de oitenta e mais anos que nunca
usaram lentes. É para lastimar o comprovar que esta espécie
de pessoas é cada vez mais rara de se encontrar.
No entanto, é uma questão de vontade de cada pessoa
o não esmorecer, para não envelhecer prematuramente.  Isto
consegue-se seguindo uma vida natural, praticando  ginástica,
para que todo o corpo se mantenha tão ágil quanto  possível.
Dar passeios ao ar livre, não importando que
o tempo esteja bom ou mau, pois devemos acostumar
o corpo às mudanças de temperatura. Principalmente a
alimentação desempenha um papel muito importante, porque o
nosso corpo compõe-se do que comemos e inalamos.  É
recomendada a alimentação vegetariana na base de frutas  e
saladas cruas, sem carnes de qualquer espécie, pois estas
formam acidez nos tecidos.
Julga -se, em geral, que as crianças podem chegar muito
mais rapidamente ao êxito seguro, por meio da ginástica
ocular, do que os adultos. As minhas experiências no  de-curso dos anos têm demonstrado o contrário. A idade não
tem importância alguma. O mais importante é a capacidade  de
reacção de cada 'um, e esta depende do estado geral de
saúde. Também têm acção preponderante a profissão, a ali-mentação, o ambiente que r odeia a pessoa, as predisposições
de carácter pessoal e, sobretudo, o desejo de querer
melhorar.
Cada idade tem os seus encantos. Busquemos o belo
na idade madura!
O ASTIGMATISMO
O astigmatismo não é uma afecção ocular em si ou inde-pendente, mas sim um  sintoma concomitante de todos os
defeitos da refracção.
Todo o míope ou presbita é também astigmático. Desa-parecendo estas afecções fundamentais, desaparece também  o
astigmatismo. De modo que é perfeitamente curável  por
meio dos exercícios de ginástica ocular, os quais devem  ser
realizados com intermitências, de forma que haja frequentes
descansos, tapando os olhos com as palmas das mãos. As
minhas experiências demonstraram que um ligeiro
astigmatismo se corrige geralmente em muito pouco tempo.
66   67
O ESTRABISMO
Não há nada que mais desfigure o rosto do que o estra-bismo. A cara mais formosa fica alterada quando existe
estrabismo num ou em ambos os olhos.
São variadas as causas que conduzem ao estrabismo.
Podem ser devidas à  debilidade ou à anemia. Em qualquer
caso, deverão sempre suprimir -se as origens. O estrabismo
aparece às vezes depois da tosse convulsa ou doutras  doenças.
Desgraçadamente, não se tem em consideração que a causa
mais frequente do estrabismo são os «parasitas intestinais» de
qualquer espécie ou nome. As manifestações que se operam no
intestino exercem uma influência enorme,  não só sobre todo
o organismo, mas principalmente nos  olhos.
Os sintomas seguros de parasitas intestinais manifestam-se por comichão no nariz e entre as pernas. As cri anças vítimas
dos vermes intestinais têm tendência a coçar fortemente essas
partes do corpo; são fenómenos reflexos. Frequentemente, os
pequenos parasitas saem pelo ânus, dando  origem a pruridos;
as crianças sentem-se extremamente  nervosas e não estão
quietas um só momento. Têm preferência pelo pão e por
refeições na base de farinhas; mas,  para outras comidas,
falta-lhes de vez em quando o apetite.  Geralmente,
encontram-se pálidas e cansadas. Outro sintonia são as
olheiras, apesar de não se verificarem em todos
os casos. Pode haver parasitas sem a presença de olheiras.  Um
sintoma certo da existência de lombrigas, são uns pontinhos
muito pequenos e vermelhos sobre a língua, principal-mente sobre a ponta e nos bordos.
Pode acontecer, depois do tratamento  e do regime, que,
desaparecidas as lombrigas, o estrabismo se corrija por si
mesmo; de contrário, curar-se-á com alguns exercícios ocu-lares, sempre que não exista alguma grave doença heredi-tária. Segundo a minha opinião, haverá muitos casos de
miopia causados pela presença de parasitas intestinais, os
quais, em vez de estrabismo, originam a miopia.
As lombrigas provêm dos maus humores do corpo. A
aplicação dos remédios para libertar a criança dos parasitas
intestinais requer unicamente um pouco de energia e constância.
Para combater os parasitas prestar-se-á muita atenção  à
questão da alimentação, que deverá ser bastante adequada  ao
caso. Em primeiro lugar, deverá observar-se  rigorosa mente
uma ideia apropriada.
Não deve ingerir-se alimento algum que contenha  farinha,
pois  as lombrigas vivem à custa dela. Uma falta cometida na
dieta atrasa em dias a cura, uma vez que estes parasitas se
multiplicam com uma rapidez extraordinária.
É fácil cair em erros. Há crianças que têm aspecto
florescente; no entanto,têm maus humores no corpo e são
portadoras de lombrigas.
Diariamente, convém que ingiram, conforme a idade,
umas 20 sementes de abóbora. Estas podem ser ministradas
depois de esmagadas, misturando-as com salada crua ou em
compotas. Segundo as minhas experiências, todas as
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crianças com parasitas intestinais gostam de comer sementes de
abóbora.
Estas sementes são um bom vermífugo, pois matam os
parasitas. Para os expulsar, convém usar clisteres dia sim,
dia não, ou, melhor ainda, diários.
O clister dá-se  com água de cebola. Pica-se finamente
uma cebola, coloca-se num recipiente apropriado e junta-se-lhe água quente, deixando-se em infusão durante toda a  noite.
Depois coa-se por um pano, junta-se-lhe água fervida tépida
e faz-se o clister com este líquido. Conforme  a idade da
criança, aplicar-se-á então de meio litro a um  litro de água
de cebola.
Frequentemente, são expulsos ninhos inteiros de lombrigas.
Às vezes, as crianças passam vários dias sem expulsar
parasita algum. O doente fica contente, sendo f ácil cair em
engano. A praga subsiste e novamente o atormentará se não
se prossegue com o tratamento, pelo menos  rigorosamente,
durante seis semanas.
A criança também deverá ser alimentada em base vege-tariana, para a fortificar. Comer cenouras cruas é bastante
eficiente. Tomar de manhã, em jejum, um copo regular  de
sumo de cenouras, não só é um tónico de primeira ordem  de
fama universal, mas também um dos melhores depurativos que
se conhecem. As crianças gostam muito deste sumo.
Uma vez curadas, convém c ontinuar tomando ainda
durante bastante tempo. As pessoas convalescentes, e todas em
geral, podem receber imensos benefícios bebendo sumo  de
cenouras pela manhã, em jejum.
Concluída a cura contra os parasitas (lombrigas), con-vêm continuar com a alimentação vegetariana. Realizada
racionalmente a cura das lombrigas, ver-se-á o doente  não
só livre desses incómodos parasitas, mas conseguirá também
uma mudança bastante favorável, um bem-estar  geral,
aumentará as suas capacidades e produção mensais e, sobretudo,
o temperamento e o carácter tornar-se-ão de melhor humor.
É um erro grave crer que os parasitas intestinais apa-recem apenas nas crianças. Os adultos podem igualmente
albergá -los nos intestinos, podendo ser causa de prisão de
ventre. Estas pessoas sentem-se constantemente cansadas,
descaídas, sem vontade de trabalhar. É possível que sofram de
vez em quando de inapetência e também de insónia.
Uma jovem, minha amiga, de 34 anos de idade, mandou
analisar as fezes, que revelaram a existência de parasitas
intestinais. Ela não queria acreditar. Mandou fazer outra
análise e, pessoalmente, ela própria, o comprovou, por meio do
microscópio, não tendo outro remédio se não aceitar o facto. O
médico receitou-lhe um remédio, mas, como ela  fosse contrária
aos remédios alopáticos, não quis tomá-lo.  O médico disse-lhe então: «Minha senhora! Dou - lhe um  conselho: nunca
tome o remédio que se chama  cloridrato de  emetina! É um
grande veneno. Eu não o tomaria, ainda que  outro médico mo
receitasse, nem permitiria que alguém  de minha família o
fizesse. Eu nunca o receito.»
Contaram-me o caso de uma família com quatro filhos  e
todos sofrendo de estrabismo. Numa família tive ocasião
de ver a mãe, dois filhos e uma filha que entortam  os
olhos, apesar de usarem óculos.
É muito importante procurar a causa, a qual pode
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residir nas mas condições de higiene, no meio ambiente
em que decorre a vida, ou no contágio que pode haver
por intermédio da alimentação ou da bebida. As lombrigas
transmitem -nos facilmente, por meio de toalhas usadas por
varias pessoas, ou nos lavatórios, bidés, etc.
Se uma pessoa sofre desse mal, deve ter muito cuidado
em não contagiar os seus semelhantes. Deve utilizar toalhas
próprias e os outros utensílios, que ninguém mais deve  usar
para não se contagiar.
Estes utensílios, e principalmente a toalha, devem ser
lavados com água fervente e fervidos.
Às criancinhas é muito vantajoso pôr-lhes cueiros de
borracha para que não possam coçar o ânus e autoconta-giar -se, levando os dedos à boca.
Na maioria das vezes, o estrabismo associa -se à miopia  e
ao astigmatismo. Mas também sucede que, apesar do
estrabismo, a capacidade visual é maior do que se consi -derava como normal.
Um rapaz, bastante estrábico de ambos os olhos, dispu-nha, apesar disso, de mais do triplo da capaci dade visual
normal. Ambos os casos se curaram em poucos meses,
mediante a ginastica ocular.
Nos adolescentes débeis ou anémicos, fortifica-se todo o
organismo, mas às vezes conservam o estrabismo. Estes  são
os casos típicos para ginastica ocular.
Uma mãe  trouxe -me o filho, de oito anos, sofrendo de
estrabismo. Vivendo longe, com seus pais, apenas pude
ensinar à mãe alguns exercícios importantes, os quais eram
feitos diariamente pela criança. Após uma semana, estava
radicalmente curada.
Nos casos de estrabis mo unilateral, o olho afectado deve ser
obrigado a adoptar uma posição normal. Para se conseguir
este resultado, cobre -se com um parche o olho normal, tal
como foi descrito no capítulo sobre a miopia nas crianças.
Deve-se sempre prescindir do uso de óculo s, pois os olhos
devem mover -se.
Muitas vezes os olhos tomam uma posição correcta ao usar
as lentes, mas quando se tiram sofrem outra vez desvio.  Isto é
proveniente de não se ter suprimido a causa. Além disso, é
conveniente suprimir as lentes, porque o seuuso  torna os
olhos míopes. Também em muitas ocasiões se pode observar
que o estrabismo persiste, apesar do uso de óculos.
Em caso nenhum aconselho que se pratique uma operação
para eliminar o estrabismo. Uma operação representa sem pre um
risco. Várias vezes me informaram de que não se  obteve a
posição correcta dos olhos, apesar de reiteradas  operações.
Como seria isto possível, não se eliminando a causa?
Outro factor é o estado de saúde da pessoa, que não é o
mesmo durante toda a vida. Assim, sucederam casos em que  o
olho ocupou a posição correcta depois da operação, mas  ao
cabo de alguns anos, quando o estado de saúde da pessoa tinha
melhorado, o olho operado desviou-se para o ângulo  oposto.
Fui informada dum caso lamentável. Um senhor de 40
anos de idadefez -se operar de estrabismo, tendo a operação
dado o resultado desejado; mas, mais tarde, o olho operado
ficou completamente cego.
O estrabismo continua, pois, sendo um problema de
72 73
solução incompleta. Mediante a ginástica ocular, acertada-mente aplicada, podem-se obter resultados assombrosos;
mas existem casos tão graves e de tão difícil solução que,  se
não registam êxito, é muito reduzido o resultado, apesar  do
enorme empenho e persistência prestados aos exercícios. Estes
casos, geralmente, são de origem específica hereditária  de
doenças graves. Resumindo: pode chegar-se à conclusão  de
que a aplicação da ginástica ocular, para a cura do
estrabismo, fornece-nos, as mais das vezes, resultados alta-mente satisfatórios. É um método racional sobre funda-mentos biológicos.
O DESCANSO
O «descanso» deve ser uma concentração interna e é
bastante importante. O praticante senta-se comodamente,
relaxando voluntariamente todos os músculos do corpo.
A posição de descanso, conforme a figura 5, serve para
Fia. 5
dar repouso aos olhos, aos nervos  e à mente. Quem é que não
observou já o pai ou a mãe que, cansados pelo trabalho, tapavam
os olhos com ambas as mãos, para assim descansarem?
Nisto consiste o nosso «descanso», enquanto os olhos se
conservam fechados.
Realizamos o «descanso» cobrindo os olhos com ambas  as
mãos, cruzando os dedos sobrepostos sobre a fronte.  Só a
ponta do nariz será visível debaixo das mãos. Entre os  olhos e
a palma das mãos deve ficar um espaço côncavo,  de forma
que estas não toquem nos olhos, que devem permanecer
fechados.
Os olhos, músculos, nervos, toda a personalidade do doente
e ainda a sua mente, devem estar em relaxamento  completo
durante este «descanso». Consegue-se este fim  pensando
em algo de cor negra (o negro é a única cor que não c ausa
impressão no fundo do órgão visual). O melhor é procurar
não pensar em coisa alguma.
O «descanso» deve ser sempre praticado na posição sentada,
pois o corpo não se relaxa estando de pé. Antes  e depois de
cada exercício de ginástica ocular, praticar -se-á o
«descanso». É uma das praticas mais importantes  e, em
geral, a mais útil.
À maioria das pessoas parece desnecessária a pratica do
«descanso», quando começam este sistema de ginastica  ocular.
Mas bem depressa reconhecem a sua utilidade.  Trata-se de
relaxar simultaneamente todo o corpo. Pense-se  em cada
membro do corpo, tratando de o afrouxar, de o relaxar com
lassidão, isto é: sem tensão alguma física ou  mental. Em
seguida abram-se os olhos, fazendo-os vaguear  em volta. Para
isso não se requer tempo especial.
O «descanso» pode ser feito em qualquer parte. No
trabalho, aproveitando qualquer interrupção; num intervalo  de
cinema, em pastelarias, em estações de caminhos de ferro,
ou em qualquer veículo. Todos os momentos disponíveis
são aproveitáveis. O q ue se requer é persistência
74
e boa vontade. Não convém forçar a mente durante o descanso.
O melhor é não pensar em coisa alguma e sentir-se  como se
sonhasse acordado, sem preocupações.
Ao princípio, muitas vezes, não é possível chegar a esta
concentração espiritual. Talvez se veja uma cor cinzenta.
Então, olhe-se para o seu próprio interior, imaginando uma
obscuridade intensa e não tarda em obscurecer-se tudo e
voltar a sentir -se a sensação completa do negro. Se falhar  a
imaginação na cor negra, deve abrir -se os olhos de vez em
quando e fixar a vista sobre uma coisa preta que teremos
em frente, para a ter presente numa nova concentração
espiritual e manter a intensidade do negro. Com o tempo,
obtém - se bom resultado. Se não se conseguir ver a cor
nela coma imaginação, abandonar-se-á nesse dia o exer-cício, para o ensaiar mais tarde outra vez. Desde que esta
faculdade depende do estado individual de cultura, de inter-pretação, como também do estado físico de cada um,
obtém-se o resultado de diversas maneir as. Muitos conseguem-no pensando em algo agradável, como em música  ou
recordações gratas. Outros, imaginando um passeio com
todos os detalhes: ribeiro murmurante, nuvens, céu  azul,
árvores, frutas, flores que florescem pelo caminho beijadas
por sol radiante. Todo este cenário visual deve  afluir
espontaneamente à mente.
Esta posição sentada e tranquila, com os olhos tapados,  é
apenas a parte externa do descanso. Muito mais importante
é a relaxação mental e  a  tranquilidade interior. Esta  pode ser
obtida de  diferentes maneiras, pois varia para cada  pessoa.
Acima de tudo, não se deve pensar em nada que possa excitar-nos.
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QUATRO MOVIMENTOS OCULARES
COM OU SEM O PONTO
Figuras 10, A, B, C e D
Estes quatro exercícios são apropriados para os princi-piantes. Eles representam alguns dos mais importantes da
ginástica ocular em geral.
Cada um destes exercícios pode ser executado de 5 a 10
vezes repetidas e, em seguida, adoptar a posição de «des-canso».
Efectuar-se-ão estes exercícios movendo o ponto várias
vezes dia nte dos olhos. Depois, tratar-se-á de executar os
mesmos movimentos sem o ponto, de forma a fazê - los
pensando como se tivesse o cartão com o ponto em frente dos
olhos.
Muitas vezes, sucede haver pessoas que não podem mover
os olhos de qualquer maneira nemem direcção alguma.  Têm
os olhos fixos, como se estivessem anquilosados,  olhando
sempre em frente, de idêntica forma, exactamente  como
quando se têm os óculos postos. Nestes casos, o paciente tem
que pôr em prática cada exercício, ajudando-se  com a mente
e uma boa concentração.
Existem casos em que a visão dos dois olhos é diferente;
supõe-se que o olho com má visão deveria mover-se pior  do
que o outro, mas não sucede assim.
Pelo contrário, há ocasiões em que o olho de melhor
visão se move com menos exactidão.
Fig. 10 A
Movem-se os olhos em direcção horizontal, de um lado ao outro. tanto
quanto seja possível, sem chegar ao esforço. Deve fazer-se este exercício
A, alternando -o com o exercício B. Movem-se os olhos de cinco a dez
vezes na direcção horizontal e de 5 a 10 vezes na direcção vertical.
Ambos os exercícios repetir-se-ão de 3 a 6 vezes, sem fatigar os olhos.
Em seguida, pratica-se o «descanso».
É necessário exercitar cada olho em separado, com  muita
concentração mental. O praticante deve fixar-se muito bem nos
movimentos dos seus próprios olhos. Deve guiá-los
mentalmente, com boa concentração, para efectuar  os
movimentos precisos ao objectivo que se pretende.
Necessitam-se paciência e perseverança, e o resultado depressa
chegará.
Fig. 10 B
Levantam-se e abaixam-se os olhos, para cima e para baixo, tanto
quanto seja possível, sem esforço. Em seguida, pratica-se o «descanso».
Os dois movimentos A e B fazem boa combinação com o exercício com a
ponta do lápis (fig. 11), pois representam ostrês planos.
Nos casos em que os olhos não podem mover-se por si
sós, ajuda-se com a mente. Também se obtêm bons resultados
acompanhando o movimento dizendo em voz alta:  «Para
cima, à direita, para baixo, à esquerda, etc.», repetindo-o
várias vezes.  Também se pode ajudar acompanhan-78
Fig. 10 C
Movem-se os olhos em direcções diagonais. O movimento dos olhos
em direcções diagonais forma boa combinação com a espiral, alternando -os (figura 12). Em seguida, pratica-se o «descanso».
do o mesmo movimento com um dedo. É evidente o resultado.
Convém sempre, e é muito importante, repetir cada
movimento várias vezes com os olhos fechados, o que ajuda a
concentração.
Frequentemente, consultam-me se podem efectuar os
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Fig. 10 D
Rotaçãodos olhos
Fazem-se rodar os olhos em forma circular, em ambas as direcções,
«descansando» a seguir.
Este exercício faz boa combinação com o ziguezague (figura 8),
alternando um com o outro.
exercícios com luz artificial. Porque não? De todas as for -mas,os olhos podem e devem mover -se  de igual maneira,
tanto com luz artificial como com luz natural.
ALGUNS EXERCÍCIOS
O portador de óculos é obrigado a olhar sempre em
frente. Os óculos obrigam- no a isso pela curvatura dos
cristais e, por isso, os olhos pedem mover-se relativamente
pouco. Para olhar para os lados, tem que se mover a cabeça
em vez dos olhos. Pela falta destes movimentos, diminui  a
circulação sanguínea nos músculos oculares e suas proxi -midades. Em consequência, os músculos dos olhos e os
próprios olhos são deficientemente alimentados, por falta  de
sangue.
Sucede o mesmo que em qualquer outra parte do corpo.
Suponhamos, por exemplo, que um braço está atado por
meio de uma ligadura à parte dianteira do corpo. Que
sucede? Dentro de pouco tempo, os músculos afrouxar- se -ão e mais tarde atrofiar -se-ão.
Igualmente sucede com algumas fibras dos músculos
oculares: tornam- se moles. Outras fibras, pelo contrário  -   e
isto é muito importante - tornam- se tensas e endure cem
pela tensão a que as submetem os óculos.
O objectivo dos exercícios oculares é restabelecer a har-monia no jogo recíproco das funções dos olhos, alcançando
também os nervos oculares até o centro visual no cérebro  e a
todas as partes vizinhas.
Os exercícios oculares têm que desenvolver todas estas
partes, até que cheguem a exercitar as suas funções de
forma natural.
Estas explicações demonstram, com bastante clareza,  que os
exercícios oculares servem também para fortalecer os olhos
cansados. As pessoas  de vista  cansada são sempre  obrigadas  a
focar os olhos durante muitas horas do dia  sobre um
objecto à mesma distância. Não tem importância, quer se trate
de pessoas jovens ou de idade, nem se são  estudantes ou
operários, ou de qualquer outra profissão;  a causa  é sempre a
mesma.
Para estas pessoas, é necessário  que levantem  os olhos  de vez
em  quando do seu trabalho, para os focar a outras  distâncias
e, além disso,  deverão  pestanejar de forma normal.  O
pestanejar é um movimento absolutamente necessário e benéfico
para que os olhos se humedeçam  e fiquem sãos. Olhemos para
as  pessoas que   têm  boa vista e verifi camos que pestanejam
continuamente de forma suave e  natural. No entanto, os
portadores de óculos e as pessoas  com qualquer defeito
ocular, não pestanejam, porque os  óculos não o permitem.
O  que execute os exercícios, deve compreender que o
amolecimento dos músculos requer certa perícia, que tem de. se
aprender com a prática, pois deve ensaiar-se com  frequência
e persistência.  Deve- se ser tenaz neste propósito,  para triunfar.
Pede ser que por  um momento, por um  fugaz instante,
possa ver bem, repentinamente. Este instante dar - lhe - á um
certo alento, e ainda no caso em que isso se produz no
momento  em que se queira, deve - se  prosseguir, insistindo várias
vezes. Depois de tal visão relâmpago, deve-se pensar: «Como
se produziu isto?», procurando que se repita aquele instante,
sem esforço algum.
Se for necessariamente devido a qualquer coisa  que
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esteja longe, pode colocar-se um objecto estranho de permeio
por um momento e tirá-lo em seguida.
O  míope não se deve admirar que lhe doam os olhos
algumas vezes. Isto não é mais do que uma dor muscular.
Às vezes, produz-se uma sensação como se tivesse areia
nos olhos: isto tem a mesma causa e não origina danos.
Pelo contrário, são sintomas de que os músculos dos olhos
estão reagindo bem. Em tal caso, o exercício não deve  repetir -se
com tanta frequência, pois a sua exageração  seria
prejudicial. Em seu lugar, convém descansar os  olhos.
Pode suceder um aparente agravamento, o qual não  reside
nos olhos, mas s im no estado geral do corpo, ou  numa origem
psíquica. Não se deve desanimar por este  facto. Nos
fortemente míopes, os progressos podem ser  às vezes
bastante lentos e reduzidos, mas com persistência  e assiduidade
os progressos aumentam de dia para dia,  ainda que as
melhoras não se notem.
O míope crê que a maior precisão adquirida na sua
faculdade visual é um facto natural e por isso não lhe
presta atenção, nem observa os progressos. Pude comprová-lo
numa jovem que praticou a ginástica ocular durante  dois
meses, que no final me disse: «Não vejo melhor do  que
antes». Examinei-a imediatamente. No começo do tratamento
percebia, com esforço, o C maiúsculo de 9 centímetros de
altura, a 2 metros de distância. Agora, ela per cebia bem a
mesma letra, sem esforço, a 5 metros de distância. E para
convencê-la do seu erro, fi -la examinar por  um médico oculista.
Este observou-a detidamente, até com o oftalmoscópio, ficando
surpreendido com o progresso
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obtido, no qual não podia acreditar, mas cuja exactidão
teve de  confirmar.
Entre  as pessoas que se consideram míopes, descobri certo
número de mulheres jovens, desde os 18 até os 26  anos de
idade, com opacidade do cristalino. Estas pessoas  deveriam
executar muitos exercícios de movimentos variados alternados
com o descanso, devendo modificar também o regime
alimentar, acostumando-se a uma dieta rigorosa e de acordo
com a Natureza. Deste modo, podem  evitar ou deter o
agravamento do mal. Também são benéficas as compressas
húmidas, aplicadas diariamente sobre os olhos.
Muitas pessoas preferem as compressas frias; outras,  as
compressas tépidas, ou quentes. Isso depende do estado  ou da
diferença individual. São muito proveitosas as compressas
oculares alternadas. Primeiro aplica-se a compressa  quente  -esta dissolve e ex pulsa o sangue -  e depois a compressa fria, que
atrai novamente o sangue, de modo a fazê-lo  circular. Esta
aplicação é feita três ou quatro vezes por dia,  obtendo-se
excepcionais resultados quando se prossegue  com ela pelo
espaço de um mês consecutivo, descansando-se 2 semanas,
para começar de novo.
Vou referir -me ao caso de um jovem que obteve impor-tante êxito. O maior desejo desse jovem era poder ser
admitido como oficial do exército. Já havia três anos que
pertencia à Escola Militar, quando se descobriu que um
dos olhos conservava capacidade normal, enquanto que  o
outro acusava uma visão muito deficiente.
Deram-lhe baixa cem a promessa de reincorporá-lo  na
Escola Militar no caso de que esse olho anormal recu-perasse a sua capacidade visual. Isto devia dar - se antes
que o aspirante cumprisse 20 anos de idade, e faltavam
somente dois meses para que expirasse esse prazo.
Com toda a diligência, começámos o nosso trabalho,  para
devolver a esse olho as qualidades de uma visão  normal.
O jovem vinha  diariamente praticar a ginástica ocular.
Não havia ainda decorrido dois meses e a capacidade visual do
olho míope já se tinha restabelecido. O olho estava afectado de
preguiça nos movimentos, atrasando-se por isso a sua função
em relação cem outro olho. O  jovem rein gressou na
Escola Militar e desde há anos que presta serviços no exército.
Uma noite, consultou-me um jovem bastante modesto  e
extraordinariamente tímido. Um dos olhos possuía apro-ximadamente 2/3 da faculdade visual; o outro devia consi-derar-se praticamente cego. Não podia reconhecer nada.
Apenas percebia a diferença entre a claridade e a obscuri-dade, sendo-lhe impossível reconhecer uma única letra de
qualquer tamanho que fosse e a qualquer distância. Os
olhos encontravam-se profundamente afundados nas órbitas e
o olho cego apenas se podia entrever.
Por meio da ginástica ocular, mobilizámos, em
primeiro  lugar, os músculos dos olhos. Isto deu lugar a que
os olhos  surgissem da cavidade orbitária e recobrassem um
brilho natural.
Para melhorar e ste estado geral da saúde, consultou
um professor naturista. Este comprovou que a constituição
do jovem era boa e susceptível de reagir favoravelmente  em
pouco tempo.
O êxito veio confirmar o diagnóstico. Todas as manhãs,
bem cedo, o jovem tinha que fazer exercícios respiratório  e de
ginástica em geral, no terraço de sua casa. Estes exercícios
eram precedidos de um banho de assento frio, para  que
baixasse o calor da cabeça. Além disso, a sua alimentação
foi rigorosamente vegetariana. Todas as indicações  foram
cumpridas com o maior interesse e escrupulosidade. O êxito
coroou os seus esforços. Após 20 dias de ter praticado a
ginástica ocular, o olho cego começou por distinguir objectos.
Mais tarde pôde reconhecer uma letra  de 9 centímetros de
altura, a  30 centímetros de distância, quando colocada
completamente ao lado direito. Houve  necessidade de
corrigir este defeito, procurando que o  olho ocupasse uma
posição recta e melhorasse o olhar central.
Também se conseguiu isto mediante exercícios circulares
variados. Algum tempo depois, este olho reconheceu as
letras de 9 centímetros de altura, à distância de 3 metros,
quando a letra se encontrava em linha recta diante do
olho. Continuaram os progressos e também continuaram
os exercícios com afã, muita persistência e reflexão. E o
jovem pôde distinguir letras de 3 centímetros de altura a
3 metros de distância, num tempo relativamente curto.
Também o outro olho aumentou a sua faculdade visual,
graças à influência exercida pelas melhoras do outro olho.
Este jovem  contava apenas 18 anos. Ele e uma sua
irmã, dois anos mais velha, eram os únicos amparos de
uma avó, da mãe e de um tio, que não tinham trabalho.
O jovem ganhava 70 pesos por mês, trabalhando todo o
dia numa oficina. É de imaginar as tristes condições e o
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meio ambiente em que se encontrava. A sua aflição era
enorme.
Ao começar o tratamento, confessou-me: «Pagarei a  V.
Ex.a e ao médico, ainda que não seja muito o que possa dar.»
Decorreram vários anos e uma noite, pele telefone,
enunciou - me a sua visita. Faltava pouco para as festas do
Natal. Anunciou-me que ganhava mais agora: 130  pesos.
Entregou-me um sobrescrito contendo 30 pesos. Foi  inútil a
minha recusa; o  seu orgulho exigiu que eu aceitasse essa
quantia.
Com verdadeira satisfação, relato este episódio, simples  e
ao mesmo tempo exagerado, mas de grande significado
para uma alma delicada. Este jovem, bastante pobre, pode
servir de exemplo a muitos ricos.
Dediquei muito espaço no relato deste caso, por ser de
particular interesse para o meu trabalho, c om o propósito
de demonstrar uma parte do muito que se pode conseguir
com a ginástica ocular. Até certos cegos podem  recuperar a
vista!
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A MASSAGEM OCULAR
Fig. 6 A
A massagem dos olhos favorece a circulação do sangue e, por con-sequência, de certos humores do olho e suas partes adjacentes. Pode  ser
efectuada de diversas formas. Aplicar sempre a massagem ao globo ocular
coberto pela pálpebra.
A. A região externa da palma da mão aplica-se sobre o centro do
globo ocular, exercendo uma ligeira pressão. Move-se rapida mente a
palma da mão para ambos os lados, de cima para baixo, em círculo
e em ambas as direcções. Pode também proce der - se de igual
forma, efectuando a massagem com o dedo médio, colocado
sobre a parte central do globo ocular.
A massagem ocular é bem conhecida desde tempos remotos.
No século XIX eram apenas alguns oftalmologistas
que, mediante massagens oculares, coadjuvavam notavelmente
os seus métodos curativos. Segundo o médico alemão Dr.
Pagenstecher, os efeitos fisiológicossão devidos  a que, por
meio das massagens, as substâncias patológicas  são
separadas e directamente guiadas para as entradas
Fig. 6 D
B. Coloquem-se os dedos polegar e indicador sobre a pálpebra
superior e inferior, comprimindo e abrindo rapidamente am-bos os dedos, repetidas vezes. O mesmo movimento efectuar
-se-á também em sentido lateral.
A massagem dos olhos não deverá ultrapassar um minuto de duração,
devendo manter-se os olhos sempre fechados, como se se dormisse.
Pode ser repetida várias vezes por dia.
Não se deve ser demasiado tímido na execução da massagem.
Certamente que todos nós já teremos executado algumas massagem nos
nossos olhos, quando nos sentimos cansados. Involuntariamente, nestes
casos, friccionam-se, os olhos com força, aplicando-se-lhes assim uma
autêntica massagem, voltando imediatamente a funcionar melhor.
Depois de cada massagem, convém fazer um bom descanso.
Fig. 6 C
C. A melhor maneira de efectuar a massagem ocular foi inventada  por
um discípulo meu. Não posso deixarde a aplicar. Bate -se
suavemente no olho, com o dedo médio, em todas as suas partes
e nas regiões circunvizinhas. Igualmente também sobre as  fontes,
a testa e a nuca. Da mesma forma pode estender-se a toda a
cabeça Estas pancadinhas causam uma vibração  interna e
profunda.
das vias destinadas à absorção de matérias líquidas. Assim,  é
também respeitável a suposição de que, por métodos
inteiramente mecânicos, as substâncias patológicas locali-zadas são introduzidas nas vias circulatórias, sendo elimi-nadas do olho.
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Deve ter-se em conta que um olho dorido, ou que  pela
acção das fricções se mostra sensível,  jamais  deve ser
submetido a massagens. Também na miopia e na presbitia  as
massagens oculares produzem melhoria. Os que praticam  as
massagens oculares não devem ter medo algum, desde  que
sejam aplicadas correctamente.
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QUATRO MOVIMENTOS DO PESCOÇO
Estes quatro exercícios têm por finalidade o afrouxa -mento dos músculos do pescoço e uma melhor circulação.  É
importante que não só se afrouxem os músculos dos olhos, mas
também as partes adjacentes e particularmente os músculos do
pescoço. Toda a personalidade do paciente, e também quanto
possível o ser interno, devem experimentar  um completo
relaxamento.
Se houver pessoas a quem este exercício cause dor de
cabeça ou tonturas, deve repeti-lo poucas vezes, ou suspendê-lo
por completo.
Cada movimento pode ser repetido, à vontade, de 5 a 10
vezes.
Todos os músculos, tecidos, etc., têm relação entre si,  e por
esta razão é necessário efectuar iguais movimentos  entre
todos elas.
Fig. 7 A
Mova a cabeça em sentido horizontal, de um lado ao outro, até
onde seja possível fazê-lo sem esforço.
Fig. 7 B
Deixe cair a cabeça para diante, sobre o peito, o mais possível;
depois, levante-a e deixe-a cair para trás.
Fig. 7 C
Deixe cair a cabeça de  um ombro ao  outro, alternadamente.
Fig. 7 D
Faça rotação com a cabeça, movendo -a ao mesmo tempo, tanto quanto
lhe seja possível, para diante e para trás.
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O ZIGUEZAGUE
É um exercício especial para os principiantes que ainda
não tem domínio sobre os olhos, servindo à maneira de
guia. O circulo pode aumentar-se à vontade. Quanto maior
for o círculo, tanto maior número de raios deve conter.
É. conveniente dispor deste círculo em vários tamanhos,
como por exemplo um de 23 e outro de 50 centímetros de
diâmetro. A espessura das linhas será conforme for a capa-cidade visual de cada pessoa. Para as pessoas muito míopes,  os
raios devem ter alguns milímetros de largura. Para as
pessoas de vista relativamente boa, os raios estreitos  são
mais apropriados
Pegue-se na lâmina mais pequena e comece-se a seguir  a
linha com os olhos, dum lado para outro e vice - versa.
Repetir -se-á este exercício várias vezes, não esquecendo de
pestanejar com suavidade. Depois, faz - se girar a lâmina  de
modo que as linhas estejam colocadas de cima para baixo e segui-las com o olhar nessa direcção. A lâmina manter-se-á a
diferentes distâncias. O míope deve começar o  exercício de
uma curta distância e, paulatinamente, ir -se  distanciando
pouco a pouco. O presbita deverá proceder  ao contrário, isto
é: começará à distância em que possa  distinguir as linhas,
aproximando a lâmina lentamente.
Coloque-se um ziguezague tia parede e avance-se e re-troceda-se de pé, estando em frente dele. Este exercício pode
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7
EXERCÍCIO COM PONTO
EM TRÊS DIRECÇÕES
Fig. 8
O Ziguezague
ser repetido várias vezes por dia, seguindo as quatro direcções.
Igualmente como no ziguezague, segue-se com os olhos
O círculo que o rodeia nas duas direcções, em vários tama-nhos e variando as distâncias. Depois, senta-se, descansa-se
bem, e, com os olhos fechados, segue-se com a memória
O círculo, pensando em todos os tamanhos e distâncias até
O infinito.
Fig. 9
Ponto em três direcções
Forme um quadrado de cartolina com 10 centímetros  de
cada lado. Desenhe-se no centro um ponto com tinta da China.
Este ponto deverá ser pequeno para as pessoas  de visão
relativamente boa e, ao contrário, o ponto deverá  ser maior
para as pessoas de pouca vista.
Pegue - se no quadrado com a mão à altura dos olhos e
à distância de 10 centímetros, como indica a gravura, sem
afastar a vista do ponto. Movê-lo em círculo  -  num plano
vertical, em frente dos olhos  -  de 5 a 10 vezes num sentido
e depois em sentido contrário, sempre circularmente, também
de 5 a 10 vezes, isto é : tantas vezes como já se efectuou  no outro
sentido. Prossiga sempre com o movimento cir cular, enquanto
vão aumentando a distância e o círculo.  Descanso.
No segundo exercício, os círculos devem mover-se à altura
dos olhos, num plano horizontal, girando dadireita  para a
esquerda e vice - versa. Começa - se de perto, para terminar
com todo o braço estendido.
No terceiro exercício, o pontinho deverá ser movido  como
o ponteiro dum relógio e também em sentido oposto.
Explicação mais compreensível: Coloque-se em frente de  um
relógio de parede; o mostrador do relógio está no mesmo  plano
que a sua cara e o ponteiro desloca-se neste mesmo  plano;
tem que mover o ponto neste mesmo plano e no  sentido
contrário.
É sumamente simples: primeiro exercício, movimento de
frente  vertical; segundo exercício, movimento horizontal;
terceiro exercício, o movimento do ponteiro dum relógio,
sendo cada exercício executado em ambos os  sentidos.
Todos estes exercícios são movimentos circulares que
começam perto dos olhos com círculos pequenos, os quais  vão
aumentando de tamanho na mesma proporção em que  se vai
estendendo o braço até à sua máxima extensão. Ao  terminar,
deve efectuar-se sempre o «descanso».
É notável que, tendo eu ensinado e mostrado na prática
estas três direcções, quase nã o haja pessoa alguma que
possa recordá - las e seja capaz de as repetir em seguida,
apesar da sua simplicidade. Estas são, quase sem excepção,
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pessoas com muito má visão. Tal exemplo demonstra bem  claro
a grande influência da visão sobre a memória.
Uma vez compreendido, convém repetir os três exercícios.
Depois, à medida que se estende o braço, formar círculos
cada vez maiores, conforme a distância também for
aumentando. Deve-se compreender que, em cada movi -mento e a cada distância, obrigamos outras fibras muscula res
a moverem-se. Com isto se fortificam pouco a pouco  e
harmonicamente.
Pode-se comparar o olho com uma máquina complicada.
Somente quando todas as partes andam sincronizadas com  o
resto, ainda a mais insignificante, então é que a má quina
re nde o seu máximo. Cada peça tem a sua função
específica.
99 
EXERCÍCIO COM A PONTA DO LÁPIS
Este exercício serve para desenvolver a acomodação, isto é, o
enfoque do olho sobre objectos situados perto  ou longe.
Pegue-se num lápis de ponta aguda e noutro objecto  mais
distante também, o mais pontiagudo possível, e mantenha-se o
lápis com a mão, mais ou menos a 10 centímetros  de distância,
em frente dos olhos. Para este fim é conveniente fixar o
número do dia marcado no calendário ou  noutro pequeno
objecto, dentro dum quadro situado na parede.
Uma vez localizado o objecto ou desenho, olhar-se-á
alternadamente, ora a ponta do lápis, ora o objecto, sal -tando com o olhar, de 5 a 6 vezes, do lápis para o objecto  e
vice - versa, sem mudar a distância. Depois, afasta - se a
ponta do lápis mais ou menos 2 centímetros, e repetem-se os
enfoques alternadamente. Assim se prossegue até alcançar toda
a extensão do braço. Quando os olhos se cansam,  deve
sentar-se e descansá-los conforme o «descanso» da  figura
5; mas, quando nã o se fatigam nem haja esforço, pode - se
repetir o mesmo exercício ao invés, isto é, partindo  do braço
totalmente estendido, até chegar à distância de  10
centímetros em frente dos olhos.
Também é conveniente escolher objectos mais afastados,
olhando pela ja nela para o exterior, a várias centenas  de
metros de distância. Recomendo variar as distância
100
Fig. 11
todos os dias. Por exemplo: um dia, começa por uma  distância
de poucos metros; no dia seguinte, mais alguns  metros;
começa-se por 50 metros, depois100 metros e assim
sucessivamente. Deve-se ter em conta que, em cada distância e
em cada movimento, são diferentes as fibras muscula res que
entram em actividade e se exercitam.
As pessoas míopes começarão mantendo o lápis muito
próximo dos olhos, para  oir afastando paulatinamente.
Pelo contrário, as pessoas presbitas executarão o exercício  em
sentido inverso. Começarão com o braço estendido,  para o ir
aproximando dos olhos pouco a pouco.
Quando uma pessoa sofre de pior visão num olho do
que noutro, deverá executar o exercício, primeiro com ambos
os olhos, para depois  o  continuar apenas com o olho  de pior
capacidade visual.
Com o propósito de atingir este fim, é necessário tapar
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o olho de melhor visão com a cova da palma da mão,
de maneira a nã o tocar. Pode - se igualmente utilizar um
parche preto.
O mesmo exercício pode ser repetido com os olhos
fechados, isto é: de memória, movendo o olhar dum ponto
próximo para outro mais longe.
A ESPIRAL
A espiral é mais adequada para as pessoas que já te-nhamconseguido progressos nos exercícios, assim como  para
aquelas que ainda conservam melhor faculdade visual.
Mantenha- se a lâmina a certa altura, de modo que o
seu centro se encontre exactamente em frente da pupila.
Comece-se desde a periferia, seguindo coma vista a  linha
que, em forma circular, termina no centro; depois,  desse
centro, siga a linha até chegar novamente à periferia,  repetindo
várias vezes. Ao seguir a linha, é fácil enganar-se. Isso não tem
importância, pois recomeça-se em qualquer  outro lugar,
seguindo-se lentamente. O principal é a rotação.
Além disso, praticar-se-á este exercício como com a  lâmina
ziguezague. É conveniente usar espirais de várias  tamanhos.
Uma de 23 centímetros e outra de 50 centímetros de diâmetro.
Sentar-se, descansar bem e, com os olhos fechados, reter na
memória a espiral, pensando nos diversos tamanhos  e nas
diversas distâncias praticadas. É absolutamente necessário
fazer este exercício com boa concentração.
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Fig. 12
A Espiral
EXERCÍCIOS COM DUAS LAMINAS
COM A LE TRA «C»
O exercício com o «C» maiúsculo pode resultar muito
divertido quando é praticado numa pequena roda de pessoas de
boa vista e outras com a visão deficiente ou  defeituosa.
Amplie-se esta lâmina de tal forma que o «C» de cima  tenha
9 centímetros, precisamente, de altura.  O «R» e o  «B» da
segunda linha devem ter 4 centímetros e 3 milíme tros de altura.
As letras da última linha de baixo devem medir justamente 4
milímetros (Esta linha significa a visão  normal, vista à distância
de 3 metros).
Depois, é necessário aumentar todas as outras linhas
em proporção às demais.
Sente-se diante da lâmina grande, a uma distância que
permita distinguir razoavelmente qualquer linha. Descanse  em
seguida. Depois, mova a cabeça rapidamente, diante  desta
linha, em sentido h orizontal, da direita para a es querda e
vice-versa, várias vezes, para parecer que as letras  se movem
por si próprias na direcção oposta. Entretanto,  não se deve
ler as letras. Repita o exercício várias vezes  e interrompa-o
com o descanso.
Dentro de poucotempo, as letras parecem mais negras  e daí
a pouco ressaltam e vêem -se com mais clareza. O re sultado é
assombroso. Repita o exercício várias vezes e  interrompa- o
com o descanso.
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Fig. 13
Cada qual pode fabricar estas lâminas. Conforme a capacidade
visual, as letras devem ser maiores para serem distinguidas de mais
distância. Cortam-se de cartolina preta as letras, os números, um
quadrado, um triângulo e uma cruz, conforme se queira e colam-se
sobre uma cartolina branca ou de outra cor clara.
Para o efeito, servem também letras grandes de cores, de revistas,
etc. Deve-se deixar livre curso à fantasia e ao espírito.
Fig. 14
De quando em quando, aperte os olhos, conforme o desenho,
durante um curto espaço de tempo; abra-os rapidamente e, em se-guida,deite um breve olhar para um objecto bem conhecido. Repita-o várias vezes seguidas. Comprovará que verá melhor depois.
Depois, segure a lâmina pequena com a mão, olhe para   uma
letra desta e em seguida e com rapidez para a mesma  linha e
letra da lâmina grande. Repita-o com rapidez, várias  vezes.
Depois, empurre a cadeira uns 10 centímetros para trás e repita
o exercício.
O resultado é admirável.
Cada qual pode fazer tais lâminas. Conforme a capaci dade
visual, as letras devem ser maiores para s erem distin -
guidas de mais distância. Cortam - se de cartolina preta  as
letras, os números, um quadrado, um triângulo e uma cruz,
conforme' se queira e colam-se sobre uma cartolina  branca
ou de outra cor clara.
Para tal servem também letras grandes de cores, de  revistas,
etc. Deve-se deixar livre curso à fantasia e ao  espírito.
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EXERCÍCIO DE DESLOCAÇÃO
Convém ter, além desta lâmina pequena, uma amplia ção de
um tamanho de 50 por 60 centímetros. O tamanho  das letras
será conforme for a capacidade visual individual.
Pega -se na lâmina pequena, mantendo-a a distância e
procurando distinguir as letras maiores. Justamente em  frente, e
fixada à parede, estará colocada a lâmina grande,
procurando-se também, nesta, distinguir somente as letras
grandes. Depois,começa-se o exercício. Salte entre duas
letras  -  suponhamos entre o E e o K da lâmina pequena, -umas
10 vezes, ou mais. Em seguida, entre o K da lâmina  pequena
e o K da lâmina distanciada. Depois saltar-se-á  entre o E e
o K, somente da lâmina grande. Seguidamente,  salte outra vez
entre as duas lâminas do E duma para o E  da outra. Depois,
repete-se a mesma «dança» entre as  duas letras. Para o caso
em que um olho veja menos do  que o outro, aconselhar-se-á
repetir o mesmo exercício  com o de menos capacidade -visual.
A distância entre as duas lâminas depende da capacidade
visual. Convém variar as distâncias, pois para cada distância  e
para cada movimento, são outras as fibras dos músculos
oculares que se activam.
É um exercício excelente para a acomodação visual às
diferentes distâncias.
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Fig. 18
EXERCÍCIOS COM LETRAS MINÚSCULAS DE
IMPRENSA
Ficam admiradíssimos os nossos praticantes quando se
lhes diz que utilizamos até a mais diminuta letra minúscula
de imprensa para lhes melhorar a visão. Isto é devido  a que,
geralmente, reina a opinião de que a letra minúscula  de
imprensa prejudica a vista, dizendo que «faz mal aos
olhos».
O exercício com letra minúscula de imprensa é de igual
valor para o presbita e para o hipermétrope, como para  o
míope, assim como,também, para qualquer outro defeito de
refracção.
Praticando-o diariamente, conserva-se perfeito o olhar
central.
Para este exercício, é preferível que o praticante não
saiba o idioma, para que não possa adivinhar as letras.
Quando os olhos tenham alcançado boa mobilidade com os
exercícios anteriores, é então que deve começar-se o exercício
das letras minúsculas e não antes.
Toda a tentativa associada com um esforço causaria
dano.
Este exercício é muito apropriado para os míopes e o
seu êxito imediato caus a sempre uma grande surpresa e
prazer. Pega -se num impresso com letras tão pequenas de
forma a poder distingui-las sem esforço algum. Então,
começar-se-á a soletrar, observando cada letra com a paciên-
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:;ia,  lendo uma linha. Levantam-se os o lhos e, com o olhar,
segue-se o horizonte em todos os seus detalhes. Repetindo
várias vezes, alternando o impresso com o horizonte, um  i outro
ir -se-ão aclarando, distinguindo-se tudo com maior  nitidez. Da
mesma forma se pode seguir o exercício, alternando o impresso
com os detalhes dum quadro ou com  uma escala métrica de
optótipos.
Tenho observado que, quanto mais míope é uma pessoa,
Fig. 15
Letras minúsculas de   Letras minúsculas de
imprensa, em alemão  imprensa, em inglês
tanto menor pode ser o tamanho das letras que poderá  ler
com facilidade.
O presbita ou hipirmétropi deve efectuar este exercício  do
seguinte modo: A pessoa deve sentar-se comodamente,
descansando um bom bocado, a fim de obter a relaxação
interna; em seguida, coloca - se diante da vista q ualquer
impresso de letra muito pequena, do tamanho apenas sufi ciente
para a distinguir. O tamanho é diferente para cada pessoa.
Com a ponta de uma pina fina ou de um lápis, ou qual-quer outro instrumento pontiagudo, vai -si passando por  cima
das letras,  principalmente nos espaços entre as linhas
escritas, i também em volta de todo o escrito, pestanejando
com frequência. Após algum tempo, nota-si que as letras  se
tornam mais negras i mais brancos os espaços interlineais.
Letras minúsculas de imprensa, em castelhano
Pouco tempo depois, já se é capaz de reconhecer onde ter-mina uma palavra i onde são maiores as letras iniciais.
Aqui e além, alguma letra, maior talvez, sobressai com maior
clareza, de maneira a poder reconhecê-la, podendo mesmo
chegar-se ao reconhecimento de uma breve palavra. Tudo
parece ser mais plástico. Isto dá gosto. Então, facilmente si
cometi o erro de «querer ler». Esta tentativa conduz, eviden-
temente, a um esforço prejudicial. Não se deve l er, mas sim
passear a vista tranquilamente, por cima das letras de
imprensa, reconheçam-se ou não algumas entre outras
letras.
Uma vez começado este exercício, teria de ser executado
todos os dias, durante alguns minutos, principal mente
quando já se conseguiu chegar a ler.
Quando as pessoas, que já foram presbitas, leiam todos os
dias algo escrito com letra minúscula de imprensa, com-provarão que, com este exercício, conservam melhor a sua
'faculdade visual. Segundo a minha opinião, a causa está
em que,  quanto mais miúda for a impressão, tanto menos
esforço cerebral se necessita.
'Isto parece uma contradição, mas não o é. Procurarei
demonstrá-lo. A nossa concentração mental gasta menos
energia quando foca a visão num espaço reduzido. Pelo
contrário, as distâncias, as dispersões, para serem focadas
concentricamente, requerem um dispêndio de grande quantidade
de energias.
Em lugar da leitura de letra minúscula de imprensa, ou
de tipo «redondo», pode-se escrever com letra o mais pequena
possível.
O resultado  é sempre surpreendente! É um prazer único  o
descobrir mais detalhes e, sobretudo, se estes se encontram
distantes.
114
MUDANÇA DE LUZ
Olhe-se para o céu e tapem-se ambos os olhos com as
palmas das mãos, de modo semelhante ao de praticar o
«descanso». Permaneça nesta posição com os olhos fechados,
durante um minuto ou mais. Em seguida, destape os  olhos e
olhe para o céu, durante meio minuto, com os  olhos bem
abertos. Repita esta mudança 10 a 12 vezes.
Este exercício tem a finalidade de provocar a abertura  e
fecho rápido da pupila. É um dos exercícios mais enérgicos
para o interior dos olhos e explica-se da forma seguinte:
Quando os olhos permanecem tapados, a pupila dilata-se
devido à obscuridade. Ao destapar os olhos e abri -los em
seguida, olhando para  o céu, as pupilas contraem-se um
pouco, devido à acção da luz. Este movimento da pupila  é
explicável: Por detrás da íris, existem dois músculos arre-dondados de muita mobilidade, que se chamam zónula e
músculo ciliar. Estes músculos estão em comunicação muito
íntima com todos os demais músculos oculares. Portanto,  a sua
acção é muito útil para mobilizar efectivamente todos  os
músculos dos olhos. Por este motivo, é conveniente  repetir o
exercício várias vezes por dia e, em geral, toda  a vida, até à
velhice. Conserva boa vista pela sua actividade.
Em especial, são indicados os dias em que o céu está  muito
claro e com muito reflexo, como por exemplo quando existem
nuvens brancas. No entanto, este exercício também se
torna eficaz ao ser executado em qualquer outro momento, pois
de todas as maneiras a pupila reage também  ao fechar e
abrir os olhos.
115
BANHOS DE SOL
Um grande factor curativo é o sol, talvez o mais impor-tante que existe sobre a Terra.
O Dr. Bates e todas as escolas de correcção da vista
recomendam executar os banhos de sol pela manhã cedo,  de
forma que os raios do sol irradiem directamente sobre  os
olhos. Eu não adopto este método e não participo total mente
desta opinião. Considero que os raios do sol directos  são
impróprios para um órgão tão s ensível como são os  olhos.
Observemos a Natureza: nenhum animal olha directamente para
o sol; considera-se que a luz solar, directa à retina, pede  ser
funesta para algumas pessoas, uma vez que os olhos diferem
muito entre si, conforme os casos pessoais.
R ecomendo que se executem os banhos de sol aos
olhos  da seguinte maneira: Pegue-se numa folha de  alface
verde  e humedeça-se bem. Em seguida, coloca-se essa folha
sobre  ambos os olhos e partes vizinhas e depois expõem-se
ao sol  da manhã, antes das 9 horas. E ntretanto, é necessário
mover  o globo ocular para todos os lados, para que o sol
penetre  em todas as partes do fundo do olho. Deve começar-se por  dois minutos, aumentando diária e paulatinamente a
sua  duração, conforme a sensibilidade da pessoa. Deve ter-se
cuidado para que a folha de alface se conserve constante-mente húmida, devendo a cabeça permanecer coberta.  O
sol, de manhã cedo, é o único apropriado para estes
banhos. O sol, depois do meio - dia, apresenta raios que
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declinam e não constróem, como osque são ascendentes.
Recomendo a folha de alface verde, por conter potência
radioactiva que exerce grande influência, extremamente
favorável, nos olhos.
Para mim, os raios directos do sol dessecam demasiado.  A
Natureza é a nossa melhor conselheira. Coloque-se ao sol um
pano sujo seco e outro sujo, mas molhado. Qual será o efeito
do sol sobre estes dois panos? No primeiro,  o sol fixou a
sujidade, isto é: o sujo tornou-se ainda mais  fixo, enquanto
que o pano molhado se tornou limpo por  completo, isto é, se
branqueou. Segundo a minha opinião,  o mesmo sucede com os
olhos. O húmido extrai e o seco  fixa. Sobre esta tese baseia -se
todo o processo empregado  pelos naturistas de todo o
mundo.
Estes banhos de sol servem para as pessoas com defeitos de
refracção; também os olhos sãos obterão benefícios com a sua
aplicação.
117 
118
119
IMAGINAÇÃO E MEMÓRIA
Escreve o Dr. Bates: «O sentido da vista possui 90% de
natureza espiritual e 10% de natureza física.»
Isto poderá parecer exagerado; no entanto, quantas  mais
observações se  façam sobre este assunto, tanto mais  se
reconhecerá esta verdade.
A capacidade visual e a função mental formam uma
unidade. A capacidade de ver é intelectual, não mecânica.
Uma imagem do mundo exterior é projectada sobre a nossa
retina. O nervo óptico transmite-a ao centro visual,  no cérebro.
Ali, o estímulo transforma-se em sensação  visual, sendo então
percebida pela nossa faculdade consciente.
Esta imagem mnemotécnica consciente depende da rela ção
pessoal de cada indivíduo com o objecto contemplado.  Desta
forma, o que nós vemos não é a impressão, mas a  nossa
interpretação pessoal do objecto contemplado. As  nossas
impressões de tamanho, cor, forma e lugar, só pedem  ser o que
o nosso modo de ver faz com a imagem retinal.  Durante a
interpretação, a nossa fo rça de imaginação joga  um papel
especial, como igualmente o interesse que sentimos no que temos
diante. Este processo também se denomina  imaginação ou
formação de imagens no sentido original  da palavra: isto é:
vamos formando algo dentro de nós,   cem o que
produzimos uma imagem duma coisa ou de   um
acontecimento.
Isso mesmo quer dizer a palavra imaginação: imagem,
quadro. A faculdade de imaginar tem relação com a memória.
Cada qual pode imaginar um objecto unicamente quando
já o viu alguma vez ou viu algum o bjecto parecido.  Vê-se o
que se conhece.
As crianças, geralmente, podem imaginar as coisas com
maior facilidade do que os adultos; no entanto, não são
todas iguais a este respeito.
Constantemente, dizem, tendo os olhos fechados  :  «Ve jo-o
diante de mim, com toda a precisão», e admiram-se  de
haver pessoas que não o vejam igualmente.
Nisto pode haver circunstâncias de ordem psíquica  que
estabelecem uma mnemotécnica de ordem espiritual  ou subtil
que escapa ao plano da visão física ou material;  muitas
vezes opera com a ajuda da fantasia.
De qualquer forma que seja, ou sob qualquer forma
que se possa manifestar a imaginação, esta força pode
aperfeiçoar-se por meio de exercícios. Contemple-se algo  já
conhecido, por exemplo :  um número grande, um calendário, à
dis tância, que possa ser percebido com toda a exactidão.
Em seguida, fechem-se os olhos e trate-se de  reproduzir o
número na imaginação. Repita-se isto, afastando-se até que
o número já não se possa perceber. Também se pode
recortar uma folha de cartão e o   número  grande do
calendário. Pestaneje-se muito e rapidamente durante este
exercício. Também, nesta ocasião, deve evitar-se  todo o
esforço e não distrair -se com qualquer pensamento.
Se não der resultado hoje, o êxito possivelmente será
melhor amanhã.
Outro meio para exercitar a força da imaginação, con-
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siste em pensar frequentemente em imagens recordatórias  de
objectos ausentes, quer sejam do passado ou do presente.
Contribuem para isso a casa paterna, a escola, uma  rosa
vermelha, o portão do jardim por onde se passa diariamente.
Não devemos conformar-nos com uma imagem  geral, mas sim
aplicar a imaginação para todos os seus detalhes. Às vezes,
como exercício, também podemos agregar detalhes que não
existem no portão da casa, mas que  o nosso gosto  artístico
pode conceber por associação de  ideias, tal como seja o
portão estar pintado de branco, com  ferragens pretas ou de
cor. A argola, os suportes, o sol,   a terra ou a água,
contribuem para associar ideias que nos  permitam ampliar a
nossa imaginação p or meio dessas  imagens recordatórias que
já existem na nossa mente, porque já as conhecemos. Estes
exercícios mentais de imaginação pedem ser executadas em
qualquer lugar e em qualquer  ocasião. Quanto melhor for a
faculdade visual, tanto melhor  será a memória. Isto é
confirmado por um grande número  de pessoas. Muitíssimas
pessoas que usam óculos têm observado que a memória se lhes
tem enfraquecido consideravelmente desde o dia em que
começaram a ver mal e a  usar lentes.
Na mesma medida em que os olhos  experimentam as
vantagens dos exercícios, também o espírito é beneficiado  com
os mesmos, pois cada movimento tem de ser primeiramente
pensado para se poder em seguida pô-lo em prática.  Há olhos
que não se podem mover, a não ser com um considerável
esforçomental e concentração. Tente cada qual por si próprio.
Com um olho tapado pela parte oca da  palma da mão, é
mais fácil observar.
Tive uma aluna de 26 anos de idade, pianista de pro-fissão. Quando a sua faculdade visual era boa, era-lhe fácil
aprender de  memória uma peça de música de 30 páginas
num reduzido espaço de tempo. Quando começou a perder  a
sua capacidade visual, vendo-se obrigada a usar óculos,  foi-se-lhe também diminuindo a memória, enfraquecendo  ao
ponto de não poder aprender nada de memória.
Uma vez começados os exercícios de ginástica ocular,  e
quando melhorou a sua faculdade visual, voltou novamente
a melhorar da memória na mesma proporção em  que ia
aumentando a capacidade visual.
Outra minha aluna, uma menina de 12 anos, disse-me um
dia: «Ol he que raro! Antes de usar óculos, aprendia tudo
com facilidade; mas, desde que os comecei a usar, comecei
a aprender com dificuldade. Pelo contrário, agora,  vendo
normalmente, por meio de exercícios oculares, a  minha
memória é tão boa como dantes e estudocom a mesma
facilidade.»
Pela própria observação, esta menina chegou a uma
conclusão exacta.
O que surpreende principalmente as pessoas míopes,  é eu
perguntar-lhes sempre pelo estado da sua memória.
Como pude descobrir tal segredo  ?  Está fora de toda  a
dúvida, e tem-se comprovado em milhares de casos, que  a
memória marcha em estreita correlação com a faculdade
visual.
Apenas, durante o decurso de 10 anos, tive ocasião  de
comprovar um único caso em que a memória era superior  à
normal, não obstante ser péss ima a faculdade visual  ;
tratava-se de um caso de miopia muito intensa. Era uma
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123
menina bastante inteligente e que por isso ganhou vários
prémios escolares.
Sobre este assunto, o Dr. Bates refere que uma professora
introduziu o seu método numa escola de c rianças atrasadas,
exercendo uma fiscalização rigorosa sobre os seus alunos.
Depois de ter efectuado, diariamente  -  durante um ano
escolar  -,  alguns exercícios de ginástica ocular com as
crianças, estas melhoraram a força visual, como também  a
faculdade mental. Imediatamente, algumas das crianças
puderam até passar ao grau de normais, pois já não eram
atrasadas em comparação com estas. Junto com a faculdade
visual, tinham normalizado as faculdades mentais.
Certamente que é um dos conhecimentos mais valiosos  do
método curativo dos olhos: juntamente com a capacidade
visual, aumentam ou diminuem as nossas funções mentais.
Esta máxima deveria ser recordada por todo o portador  de
óculos, que deveria repeti-la a si próprio com as suas
consequências. Com muito mai s razão deveriam tê-la presente
país que velam pelo bem-estar de seus filhos e que  são
responsáveis pelo seu futuro. Muitas pessoas têm uma
posição elevada pelo facto de possuírem uma memória
excepcionalmente boa.
EXPLICAÇÕES GERAIS
É necessário repetir c ada exercício várias vezes, para que
seja ginástica e não apenas um movimento. Em seguida, pratica-se o «descanso». Repetem-se dois exercícios alternadamente. A
mudança alivia.
Além disso, é importante não repetir o mesmo movimento
mais do que é conveniente a cada pessoa, pois umas  resistem
mais do que outras. Não há duas pessoas iguais,  como
também o defeito de cada uma é diferente do das  outras. Por
este facto, cada qual tem de escolher o melhor possível quais os
exercícios mais convenientes para si próprio  – isto é: os
exercícios aos quais os seus olhos reagem melhor.
Não é possível antecipar o tempo que uma determinada
pessoa requer para corrigir completamente a sua visão.  O
resultado depende sempre da capacidade de reacção de  cada
um, como ainda de o utros factores.
Sucedem, às vezes, milagres. Outras vezes, são necessárias
muita paciência e persistência. Deve-se ter sempre em  conta
que o mal levou muito tempo para chegar à pre sente
condição.
Há organismos que reagem com rapidez, outros com
lentidão,havendo casos em que apenas se notam alguns
resultados. Deve ficar absolutamente esclarecido que o êxito
depende unicamente da pessoa tratada, e muito em especial  da
forma como esta é capaz de encarar o problema da sua
reeducação visual.
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Nunca se poderáresponsabilizar o método de correcção,  o
qual não tem culpa das anormalidades adquiridas ou
herdadas pelo doente. Cada pessoa é diferente  –cada olho
é distinto do outro  -,  cada pessoa é um problema à parte e
cada olho representa um problema em si.
O olhonão é um órgão isolado, mas em estreita corre-lação com todos os outros órgãos, dos quais depende.
Quem desejar esperar bom êxito por meio da ginástica
ocular, deve ter presente que é necessário sobretudo nos
casos graves  -tratar o doente, tanto quanto p ossível, no  seu
aspecto total.
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CONSELHOS IMPORTANTES
1.º  -Prescindir -se-á para sempre do uso de óculos.
2.°  -Pratique-se muito o «descanso», conforme a Fig. 5,
sobretudo quando se sinta cansado pelo trabalho ou
estudo, ou então feche os olhos durante um momento.
3.º -Façam-se habitualmente, conforme a Fig. 16, abluções aos
olhos, todas as manhãs, ao lavar o rosto, e à noite, antes
de deitar.
4.°  -Não esqueça fazer a ginástica ocular, todos os dias,
durante o tempo previamente estabelecido.
5.°  -  Pestaneje muito e nunca deva franzir os olhos com o
desejo de ver melhor.
6.° -Evite todo o excesso físico ou mental.
7.° -Utilize qualquer momento livre para deixar vaguear a vista
em volta.
8.°  -Tome em atenção o ambiente que o rodeia e não ande
como cego pelo mundo.
9.° -Exercite a imaginação com maior frequência.
10.°  -Alimente-se principalmente segundo o sistema
vegetariano.
11.°  -Faça todo o possível para melhorar constantemente o
seu estado de saúde.
12.°  -Pratique toda a espécie de desporto,  desde que seja útil
e, de preferência, ao ar livre.
13.°  -Trate da sua dentadura. Um dente cariado, com pus,
pode envenenar todo o corpo e tem influência
importante para a vista.
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Toda a pessoa que sofre de algum defeito  na vista
deveria praticar os exe rcícios em qualquer parte onde esti-vesse e executá-los naturalmente.
A actual luta pela vida impede a prática dos exercícios
conforme o nosso gosto, isto é: sentados comodamente,
durante meia hora ou mais. Isto não é necessário, Pode-se
fazê-lo em qualquer ocasião, por breve que seja, e em qual -quer sitio: enquanto se espera um carro ou ainda durante  o
caminho de ida e volta para o trabalho. Um breve instante  de
descanso, durante o nosso trabalho diário, também pode  ser
aproveitado. Depende da vontade da  pessoa que quer
triunfar. Quando os exercícios se executam com compreen-são, qualquer destes momentos livres é suficiente.
Servem igualmente, para esse efeito, os cartazes, sejam com
letras grandes ou pequenas, e que geralmente se encontram
em todos os veículos.
O pestanejar é um movimento muito necessário, porque
humedece os olhos, conservando-os sãos.
A maioria das pessoas que vêem bem, pestanejam suave  e
continuamente. Somente os que têm má vista, ou usam  lentes,
não podem pestanejar suficientemente, porimpedimento dos
óculos. É necessário acostumar-se a este movi mento. Deve-se fazê-lo voluntariamente, como as pessoas  que vêem bem;
e não apenas durante os exercícios,  mas constantemente,
em qualquer parte onde nos encontremos.  Deste modo, a
visão pode corrigir -se mais fácil e rapidamente.
Cada movimento deve ser executado com suavidade e
relaxação.
Fig. 16
Abluções aos olhos
Todas as manhãs, ao levantar, e todas as noites, ao deitar, convém  fazer abluções
aos olhos, pois servem para os fortificar. D ependerá  do sistema nervoso de cada
pessoa, o serem feitas com água tépida  ou quente, ou, melhor, fria. São úteis, tanto para
os sãos como para  os doentes.
Podendo ser,   é preferível fazer os exercícios pela manhã,
quando  o  corpo se encontra mais descansado. No entanto,
podem ser praticados também a qualquer hora do  dia,  não
importando se for à luz natural ou artificial.
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As pessoas sentem diferentes predilecções a respeito  de
qual o exercício que mais as atrai ou é mais útil.
Muitas pessoas têm dificuldadeem evitar o uso dos óculos.
Isto dá-se, principalmente, entre as pessoas com uma  miopia
avançada; porém,  é-lhes muito vantajoso irem-se
acostumando a isso pouco a pouco. Estes praticantes devem
começar por tirar os óculos, por exemplo, durante as horas
das refeições, porque se encontram com elementos bem
conhecidos, o que lhes diminui as preocupações e o temor  de
falhar sem lentes.
Dentro de pouco tempo, o máximo no segundo ou ter-ceiro dia, já podem notar que vêem muito mais e melhor  do
que julgavam. Vêe m ao longe, embora não possam
distinguir os detalhes.
Durante uma viagem de comboio ou de carro, tirem-se os
óculos e contemplem-se os objectos de fora, que parecem  passar
voando em frente dos olhos, os quais se fecharão  depois,
descansando-os.
Durante estas observações, pestanejar continuamente.
Viajando com frequência no mesmo trajecto, perceber-se-ão,
cada vez mais e melhor, novos detalhes e novos objectos.
Nos cartazes de propaganda, ir-se-ão reconhecendo letras
isoladas, pelas quais se adivinhará a pa lavra. E por  fim vê -la -á, podendo, dentro de pouco tempo, ler todo  ó cartaz.
Jamais se devem esforçar os olhos. O acto de «ver» é  um
processo natural, que não pode obter-se por meio de
esforços. Rapidamente, os olhos recuperam as qualidades  do
seu brilho  natural, sendo impossível reparar que usaram
lentes.
O principal é ler sem fazer esforço algum, devendo ter,
cada pessoa, o seu trabalho ou leitura à distância mais agra dável.
Geralmente, diz-se que a distância para ler deverá ser  de 30
centímetros. Este  critério é absolutamente errado.  Está bem
provado que a visão de cada pessoa é diferente da das outras,
seja de perto ou de longe. Por este motivo  a distância
exacta para cada pessoa depende da sua capacidade visual e
do tamanho das letras.
Uma pergunta que poderá ser feita muitas vezes: O ci-nema é prejudicial?
Felizmente, pode afirmar-se que «não».  O cinema não é
prejudicial para os olhos, quando estes não se fatigam exces-sivamente.  Para evitar o cansaço, é necessário fechar-se os olhos
de quando em quando, a fim de lhes dar descanso. Obedecendo
a esta prescrição, o próprio movimento cintilante da película
fomenta a nossa faculdade visual.
No entanto, as horas excessivas passadas no cinema podem
prejudicar a saúde em geral. Porém, a um dos meus  alunos d e
ginástica ocular, o médico recomendou-lhe assistir  uma tarde
inteira a uma sessão de cinema, para investigar  em que grau
poderia diminuir a faculdade visual. Nada mais  agradável para
o jovem. Assistiu toda a tarde a várias sessões de cinema e
depois confessou-me: «Estive sentado numa  poltrona, bem
atrás, e pude ver perfeitamente. Li todas as  legendas.»
Muitas mulheres notam, depois do parto, que não vêem
suficientemente bem. Isto não deve ser motivo de intran-quilidade, pois tem por causa a grande perda  de energias.
Recuperando as forças, restabelece-se a visão normal e desa-
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parece esse passageiro incómodo. Mas, mesmo nestes casos,
nunca se deverá recorrer aos cristais. Começar a usar óculos, nesse
estado, é converter-se em escravo deles. O melhor é  praticar,
todos os dias, algum exercício ocular, levando uma  vida sã e
alimentando-se de forma racional, de acordo com  a Natureza.
Nada que seja artificial. O mesmo sucede tendo tido uma
doença qualquer. Assim como a saúde se recuperará, também a
visão melhorará.
Para melhorar a saúde, em geral, é recomendável toda a
prática desportiva ao ar livre: remo, natação, ténis, jogo com  bola,
equitação, marchas, etc., onde o ar e o sol se convertem  em
poderosos agentes restauradores de energias e capacidades. Para
coadjuvar a Natureza, convém usar roupas leves, que, sem serem
exageradas, não sejam totalmente interferentes ao sol, que é um
dos melhores e mais efectivos remédios'  curativos que nos
deu a Natureza. O homem civilizado  deveria procurar
conduzir a  própria vida, tanto quanto fosse possível, de harmonia
com a sua natureza.
Faça tudo com boa concentração e pensando unicamente  no
que estiver fazendo.
A ALIMENTAÇÃO
Este livro ficaria incompleto se não elucidasse os leitores
com algumas considerações s obre alimentação.
Nos mais importantes sanatórios da Alemanha tem-se
comprovado que as afecções oculares mais graves e outras
enfermidades são curáveis quando o doente é submetido  a um
regime alimentar em harmonia com a Natureza, isto  é:
somente por meio d a alimentação vegetariana.
Deste modo se pode concluir que se um regime alimentar
contribui para a cura, também esse mesmo regime poderá
prevenir o mal e, portanto, as doenças são evitáveis. Se o
regime alimentar, como já disse, contribui para curar afec-ções graves, a lógica ensina que devemos admitir as  mesmas
características para as afecções oculares de menor gravidade.
Certamente que a tarefa mais ingrata é intervir nos pro-blemas culinários de muitas pessoas.
Chamamos alimentação natural a todo aquele  regime  de
alimentação que normalize o nosso sistema orgânico,  para
corresponder com naturalidade, isto é, com normalidade,
às funções para as quais foi criado e desen volvido.
É bastante sabido que os picantes são sempre irritantes.  O
homem vai perdendo,  paulatinamente, a sensibilidade do
paladar, atrofiando as suas possibilidades pela exageração
contínua do uso do sal, pimenta, alhos, vinagres, etc. Sem  mais
esclarecimentos, salta à vista, mesmo para a pessoa  menos
ilustrada, que tudo isto é prejudicial  à saúde. É
compreensível a necessidade de evitá-lo; no entanto, há
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pessoas que preferem sofrer transtornos orgânicos a ter de
renunciar aos seus pratos favoritos. Seria mais simples e
económico para o doente ter-se submetido a esta alimentação
naturista,antes de adoecer. Na realidade, toda a pessoa
deveria dizer a si própria: Cada corpo vai -se formando  -além do património hereditário  -com todos os elementos
que se ingerem, quer por via bucal, nasal ou cutânea, pois
quanto mais puros e conformes à Natureza forem estes três
factores (herança, alimentação e respiração), tanto mais
pura deverá ser a estrutura do nosso organismo.
Depende do carácter e da energia de cada qual o
decidir -se pela adopção de um dos dois sistemas alimentares:
o natural, que procuracorrigir erros e lhe permitirá melhorar
a sua saúde tanto quanto possível, ou seguir com o outro
regime, que tantos transtornos produz. A eleição corres-ponde ao livre arbítrio de cada pessoa.
No decurso do meu próprio trabalho, pude confirmar que as
pessoas de vida vegetariana fazem progressos inesperadamente
bons na sua faculdade visual.
Se as estatísticas servem para demonstrar e dar a conhecer
os valores científicos, este facto foi uma grande revela ção para
mim, obrigando-me a considerar que o sistema vegetariano na
alimentação proporciona maiores benefícios  para o
tratamento da vista do que qualquer outro sistema  dietético.
O meu dever é apregoá-lo.
Para exemplo, basta o seguinte caso: a uma menina de 13
anos de idade recomendei a alimentação naturista (sistema
vegetariano misto, cozido e cru). Via muito mal e sofria de
profunda anemia. A mãe disse-me: «Simpatizamos muito
com a alimentação vegetariana e conhecemo-la muito bem,
pois o médico receitou esta dieta a meu marido. Agora, nós
três seguiremos a mesma alimentação.»
A faculdade visual desta menina melhorou com rapidez
assombrosa; e não somente isso: desapareceu completa-mente o cansaço em todo o corpo. Desde então, esta menina
estuda com facilidade e gosto, o que antes lhe custava
muitíssimo esforço.
Também a mãe beneficiou grandemente coma alimentação
vegetariana, a qual a curou dos seus achaques. Toda a  sua
vida tinha sido uma pessoa cansada e inactiva, tendo de  passar
muito tempo recostada na cama. Tudo isso desapareceu.
Nada de artifícios.Não esqueçam que os olhos são órgãos
que, preponderantemente, dependem das forças subtis  da vida
que os vegetais lhes fornecem, As carnes roubam-nos energias,
porque possuem humores que são elementos  de perturbação.
Um animal, uma vez morto, entra em rigidez cadavérica
e em seguida começa a sua decomposição. Devido a  estas
alterações, produzem-se venenos, entre os quais se
encontram alguns dos mais poderosos. E são estes os venenos
que ingerimos com as carnes. Pior é ainda se a carne for
conservada em  frigoríficos durante vários dias, antes de ser
posta à venda.
Isto não sucede no campo, pois ali mata-se o animal,
limpa-se e, possivelmente, já é comido no mesmo dia. Neste
caso; não existe ainda o processo de fermentação.
Não se vive para comer,
Mas come- se para viver. 
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RECEITAS DE PRATOS DE LEGUMES CRUS
Estas  receitas de legumes crus foram comprovadas,  por
minhas próprias experiências, como uma necessidade  e posso
afirmar, sem exagero algum, que são maravilhosas.
Os alimentos no seu estado natural  -istoé: que ainda
não foram alterados pelo calor nem privados dos sais minerais
e vitaminas pela cozedura -  devem ser chamados, segundo a
nossa opinião, alimentos solares.
Estes alimentos formam uma fonte de forças para os orga -nismos debilitados e são para o doente  remédios  que, embora
aparentemente não pareçam, são muito poderosos e de efeitos
eficazes para a saúde. Eles asseguram o perfeito funcio-namento dos órgãos digestivos e as forças das resistências
naturais contra toda a infecção. Para este fim, servem igual -mente tanto para os sãos como para os doentes.
Os alimentos solares são, pois, alimentos crus.
Existe a crença de que deve administrar-se ao organismo
uma grande quantidade de albuminas. No entanto, tem-se
provado que o organismo humano não precisa mais do que
uma mínima quantidade. Um excesso diário de albumina
sobrecarrega os órgãos e produz uma hiperacidez crónica  nos
tecidos e humores do organismo.
A alimentação cárnea dá o menor rendimento e a menor
quantidade de forças. É indiferente que s eja carne de vaca,
de ave ou peixe. Na combinação interna, a alimentação cárnea
faz - se notar por uma perda de energia máxima. Ela
introduz a acidose no equilíbrio químico e envenena os
órgãos, tecidos e sangue com ácido úrico. Esta é a causa por
que, depois de uma refeição de carne, nos sentimos fatigados e
pesados e necessitamos de dormir uma sesta.
Em primeiro lugar, é imprescindível lavar bem as mãos
antes de preparar as refeições. As folhas de alface, agriões,
chicória e outras, devem ser bem lavadas com água corrente,' ou
pelo menos renovada várias vezes. As maçãs e as pêras,  depois
de bem maduras, devem ser lavadas e secas com um  pano
limpo, tirando-lhes depois o pecíolo e as sementes com uma faca.
As frutas e legumes, que se queiram usar para pratos
crus, devem ser bem frescos e de primeira qualidade.
1.º - Pega - se em tomates, abóbora e funcho, em partes
iguais. Corta-se tudo em bocadinhos e o funcho bem
picado. Junta-se-lhe um pouco de cebola e alho, tudo
picado. Mistura-se bem tudo e tempera-se com bom
azeite ou nata.
2.° - Cortar uma certa quantidade de choucroute, uma
maçã ralada, nozes picadas, um pouco de cebola e
um pouco de alho, bem picado. Tempera - se com
sumo de limão e azeite ou nata e azeite em partes
iguais, conforme o gosto de cada um.
3.° - Espinafres e tomates em partes iguais, um pouco de
cebola, alho e azeite.
4.°  - Funcho bem picado, um pouco mais de tomate e
misturar tudo com azeite umas horas antes. No
momento de se servir, juntam-se umas batatas cozidas e
cortadas em pedaços.
5.° - Corta - se couve - flor em pequenas tiras, tomates e
chicórias ou alface e tempera - se com maionese.
6.° - Um pouco de funcho, mais quantidade de tomates
e ainda maior quantidade de acelgas. Da acelga
utilizam - se apenas as folhas verdes, tenras e
interior es e ainda os talos brancos, que devem ser
cortados em tiras de meio centímetro de largura.
7.° - Espinafres, um pouco de alho porro doce, do qual
se usa a parte branca e as folhas verdes tenras.
Mistura - se tudo com maionese. Deve ser
preparado algu mas horas antes de ser usado.
8.° - Ralam - se beterrabas, juntam - se - lhe folhas tenras
de espinafres, maçãs, um pouco de alho e
tempera - se com azeite e limão. Pode - se usar
também as folhas tenras e cortadas da beterraba.
É necessário prepará- lo algumas horas ant es de
servir.
9.°  - Abóbora e maçã ralada, alface, azeite e limão.
10.º - Ralar cenouras, cortar aipo bem fino e temperar
com azeite e limão.
11.° - Ralar cenouras, juntar maçã e alface, cortadas e
tem perar com azeite e sumo de limão.
12.° - Folhas branca s e verdes tenras de aipo, alface,
maçã ralada; misturam- se com cebola, alho e
tempera - se com azeite e limão ou maionese.
13.º  - Cenoura e nabo em partes iguais e ralados,
tempe rados com azeite.
14.º - Escolhem- se tomates redondos e bem maduros e
cor ta - s e - lhes a parte de cima, horizontalmente.
Com uma
136
colherinha, tira - se a parte interior, pisa - se isto
bem e mistura - se com queijo branco, salsa ou alho
picado e junta - se - lhe nata. Com esta massa
recheiam - se os tomates, que se tapam com a parte
cortada.
1 5.°  - Pepinos com alface, azeite e sumo de limão.
16.° - Pepinos com alface e tomates com azeite ou nata
ou maionese.
Os pratos crus servem-se sempre no começo de cada
refeição.
Jamais se usa o sal, porque destrói os sais nutritivos
que se encontram nos l egumes verdes.
O sumo de limão emprega-se em vez do vinagre.
A maçã pode-se combinar com qualquer outra fruta ou
verdura, porque é neutra e dá, além disso, um gosto suave.
As combinações podem mudar-se conforme o gosto e a
estação. Se se desejar, junta-se  nata. Em vez de azeite e limão
pode-se usar a maionese.
Se se desejar que o sabor seja um pouco mais pronunciado,
junta-se-lhe  choucroute  crua e, se se deseja mais  suave,
mistura-se com maçã ralada.
Não devem usar-se, juntos no mesmo prato, tomates e sumo
de limão,  porque são dois ácidos distintos e não fazem boa
combinação.
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139
DORES DE CABEÇA
Os nossos exercícios constituem o remédio mais simples, prático
e talvez o único contra certa espécie de dores de ca beça,
principalmente aquelas que começam nosolhos e se  estendem
sobre as fontes e a testa, para terminarem na  parte posterior da
cabeça, onde se acha o centro visual.
Às vezes dizem -me: «Quando movo os olhos, sinto  como se
só movessem tendões. Começam nos olhos, seguem pelas fontes  e
terminam na nuca.»
Cheguei à conclusão de que estes exercícios são o remédio  mais eficaz
contra estas dores de cabeça. Comprovei uma  infinidade de casos em
alunas minhas, que sofreram terrivelmente e que, depois de duas
ou três lições de ginástica ocular, tinham desapa recido completamente
as dores cefalálgicas.
Os exercícios oculares, trazendo mais sangue ao centro  visual,
restabelecem a circulação sanguínea. Uma vez esta  restabelecida,
desaparecem as dores. Uma jovem que se  libertou destas dores, das
quais tinha sofrido durante muito  tempo, trouxe-me um seu tio para
me consultar, pessoa de  47 anos de idade e que durante toda a vida
sofreu das mes mas dores de cabeça.
Este senhor, de elevada posição, tinha feito todo o possível para
libertar-se desta afecção, esgotandotodos os  meios. Apenas com três
lições de ginástica ocular, as dores  de cabeça desapareceram
completamente para sempre. Assim
me informaram depois de dois anos em que não voltaram  a
visitar-me.
Uma senhora de 31 anos de idade disse-me:
«Durante 16 anos sofri dores de cabeça, que a senhora não
imagina. Com vómitos, dores fortes no ventre, tinha que abandonar
o trabalho e meter-me na cama. Essas dores duravam às vezes três
dias. Agora, após quatro lições sob  a sua direcção, não sinto nenhum
desses incómodos.Todos  os remédios que tomei antes não me
deram resultado  absolutamente algum. Vou mandar erigir um
monumento à senhora.»
Como estes, existem numerosos casos mais.
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O LENÇO
O lenço não é apenas um objecto de adorno para o bolso do
saco. Não tem uma missãosumamente importante à qual deva
a sua origem; deve servir como elemento de higiene. É pena
que, em casos muito necessários, não se faça uso  dele, como
tenho tido muitas vezes oportunidade & observar. Algumas
pessoas com uma forte constipação, aspiram  simplesmente as
secreções. Desapareceram realmente com  isso? Não. As
mucosidades deslocaram-se para a cavidade  do seio frontal,
onde se localizam. Aí decompõem-se e exercem pressão cobre
o cérebro e nervos, produzindo embotamento e dores de
cabeça. Finalmente, produzem graves complicações, como a
sinusite. Os olhos também `podem ser  afectados e, por
conseguinte, a capacidade visual sofre com isso.
BANHOS ALTERNADOS ÀS MÃOS
E AOS PÉS
Mãos ou pés frios ou transpirastes, como também as  frieiras,
são consequência de hábitos sedentários. Além disso, os
pavimentos de ladrilhos e mosaicos também podem ser causa
desses transtornos.
Quase não há senhora ou jovem que, ao consultarem-me,
não se queixem destes males. Ouço constantemente:
«Estou  sempre gelada até aos  joelhos», ou ainda «Estou
gelada até à cintura».
Para remediar este mal, façam-se banhos às mãos e aos
pés, alternadamente. É indiferente que sejam os pés ou as  mãos
que transpirem ou estejam frios; a causa é sempre a mesma:
má circulação. Por isso, o tratamento é igual para  ambas as
afecções.
Os banhos alternados às mãos e aos pés fazem-se da
seguinte maneira:
Usam-se dois baldes ou recipientes nos quais se deita,
num, água fria e noutro água quente (veja -se fig. 17). Convém
sempre ter água quente disponív el, de forma a poder  juntar,
de vez em quando. As mãos e pés não podem suportar muito
calor ao princípio e, por isso, há que acrescentar mais água.
Primeiro, submergem - se as mãos ou os pés na água
quente, durante três minutos;. depois colocam-se, durante
um minuto, na água fria. Esta operação é alternada três 
142
143
ou quatro vezes. Para que a reacção seja boa, a água deve
estar tão quente quanto o paciente possa suportar. A água
fria deve ser natural isto é, tal como sai da torneira.
Deve começar-se sempre como banho quente; o último  deve
ser frio.
dias em que não se sofra de frio. Devemos compenetrar-nos de que o frio é consequência de má circulação san-guínea e humoral, a qual devemos melhorar e curar.
Nos casos bastante rebeldes, para se obter resultados
perfeitos, é necessário praticar estes banhos e repeti-los  durante
muito tempo.
É sempre mais benéfico usá-los, ainda que seja espora-dicamente, do que não fazê-los.
Deve-se ter presente que estes banhos hão-de ser usados  com
intermitência durante meses seguidos, para que a sua  eficácia
não perca a extensão dos seus benefícios.
Das conversas com as minhas alunas, convenci-me de que
estes banhos são também um bom remédio contra as dores  de
cabeça e tonturas. Isto é compreensível, porque ajudam  a
circulação emtodo o corpo.
Fig. 17
Banhos alternados às mãos e aos pés
Terminada esta operação, devem secar-se as mãos ou  os pés,
friccionando-os bem. Este banho convém ser feito  antes de
jantar, ou, melhor, pelo menos duas horas depois  de ter
jantado.
Estes banhos devem ser feitos durante vários meses
seguidos; depois, suspendê-los por algum tempo e, por fim,
repeti-los novamente, se o mal for persistente.
Também se devem tomar estes banhos em épocas ou
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10  145
ENFAIXAMENTOS AO VENTRE
Geralmente, conforme o estado geralde saúde, assim se
encontra o estado da visão. No corpo são, encontram-se sempre
olhos sãos. Por este motivo, é necessário conservar a saúde nas
melhores condições.
Há um provérbio que diz: «Para estar são, é preciso ter  a
cabeça fresca, o ventre livre e os pés quentes». E isto é verdade,
porque o ventre é a fábrica da maioria das doenças.  E é nas
cidades que existe principalmente maior número de  pessoas
que sofrem de mau funcionamento dos intestinos. É necessário,
para se ser são, evacuar o ventre pelo m enos  duas vezes por
dia. Os laxantes nunca dão resultados permanentes, pois
debilitam os intestinos.
Os processos naturais dão sempre melhores resultados. Para
isso são de grande utilidade os enfaixamentos a todo o  ventre.
Aplicam-se da seguinte forma: Pega-se num bocado  de lençol
que tenha uma largura de 25 a 30 centímetros e que  esteja
dobrado; molha-se em água fria e escorre-se um pouco para não
ir a gotejar; aplica-se em volta de todo o tronco e,  sobretudo,
ao baixo ventre, colocando-se em cima uma  toalha turca
seca, que sobressai por cima e por baixo alguns  centímetros e,
finalmente, cobre-se tudo com uma flanela  ou qualquer tecido
de lã, que se envolve várias vezes em  volta de todo o tronco
e que também deverá sobressair em  cima e em baixo, para
evitar resfriamentos.
Este enfaixamento deverá ser feito à noite, antes de dei-tar, deixando-o toda a noite. Pela manhã, tem que estar
ainda húmido. No caso de se encontrar seco, na noite seguinte
tem de se humedecer algo mais. Estes enfaixamentos
têm que ser repetidos durante oito noites seguidas. Depois,
outras quinze noites, mas alternadamente. Sendo necessário,
convém continuar com uma aplicação por semana.
A humidade do enfaixamento amolece as matérias fecais,
favorecendo o seu deslocamento e combatendo ainda a
inflamação. Os panos internos têm que ser lavados e fervi dos
após cada vez que sejam usados. Isto é necessário para  matar
os micróbios. Convém secá-los ao sol.
Estes enfaixamentos são também úteis contra as dores de
cabeça, se estas forem consequência duma má função intestinal.
A prática tem demonstrado que estes enfaixamentos são  um
grande remédio para a mulher que sofre de dores devidas  à
menstruação ou a qualquer irregularidade desta função,
como seja uma duração anormal, isto é, mais de três dias,
demasiado abundante ou escassa.
Mais ainda. Quando se sofre do fígado, é conveniente
aplicar também estes enfaixamentos, mas, em vez de fazê-los
com água, fazê-los com leite frio e fresco  sem  ser fervido  e
continuar com esta aplicação até que as d ores tenham desa-parecido.
Finalmente, direi que os enfaixamentos combatem toda  a
espécie de inflamações e matam a maioria dos micróbios.  A
cura sai barata e o resultado é admirável.
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DO PODER CURATIVO DAS CORES
«Münchner Neueste Nachrichten,  6
de Abril de 1934.
«As forças da Natureza ao serviço da Saúde
Um dos campeões mais meritórios da terapêutica curativa
por meio das cores, foi o Dr. Jorge von Langsdorff,
infelizmente já falecido há alguns anos. Os seus êxitos, obtidos
com o tratamento por meio da s cores, atingiram o
milagroso. A ele devemos o descobrimento de que  a  Luz
Vermelha  provoca a dilatação dos vasos, produzindo assim
uma intensa irrigação sanguínea. A  Luz Azul, pelo contrário,  dá
lugar à contracção dos vasos, originando falta de sangue
(isquemia), o que permite tornar a pele insensível. Por este
motivo, ultimamente, os dentistas aproveitam a irradiação  com
os raios azuis para as breves intervenções cirúrgicas e  para
evitar as dores de dentes.
No século passado, na Sicília, vivia em completoiso-lamento do mundo o Dr. Sciascia, o qual investigou o
efeito dos raios corados. As suas curas, realizadas entre a
população pobre da sua pátria, foram consideradas como
milagrosas. Os pastores e camponeses dessa região con-taram com entusiasmo os êxitos permanentes deste «médico
milagroso». O Dr. Sciascia utilizava um aparelho de  luzes de
cores, chamado «Fotocanter». Primeiramente, ex perimentou-o
em si próprio.
Outro investigador italiano, de nome Morchini, também fez
importantes descobrimentos com osseus estudos sobre  as
cores. Observou que as agulhas de Aço, expostas semi-cobertas, durante 1 ou 2 horas, aos raios de cor verde, azul
ou violeta, se tornam  magnéticas. Estes são os raios de cor ou
frios, em contraposição aos raios quentes, vermelhos  e
amarelos. Outro descobrimento de Morchini é que  o raio de cor
vermelha possui a maior capacidade de penetração e efeito de
profundidade. É sabido que o vermelho tem uma longitude de
onda duplamente mais comprida  do que o violeta.
O Vermelho  evidencia -se  na Natureza como a cor do
Movimento.  Observamos, por exemplo, o sol ascendente e
descendente, de cor vermelha; também o sangue circulante  e
latejante tem a cor vermelha. Os raios de cor vermelha são
curativos em todas as espécies de congestão pelo movi -mento; são eficientes para o nosso coração, pulmões e
músculos, sendo igualmente recomendáveis nas estases san-guíneas (congestões do sangue) e como meio de aquecimento
em todos os sintomas da constipação, como também  no
reumatismo, ciática, ataques de gota,etc. Os transtornos
nervosos, pelo contrário, não devem ser tratados por meio  da
irradiação vermelha; nestes casos, aplicar-se-ão os raios
calmantes e refrescantes:  Azuis.
Anunciam-se muitos êxitos obtidos com a luz vermelha  nas
doenças da pele. A escarla tina, o sarampo, os danos
causados pela congelação e o eczema, foram curados pela
irradiação vermelha, bem como as doenças da laringe, a
asma, os fenómenos paralíticos de toda a espécie.
Os raios Violeta e Ultravioleta comprovaram ser de
148  149
grande potência  curativa num bom número de doenças. Ao
serem alternados com a aplicação da luz azul, podem ter
efeito favorável sobre afecções nervosas. Toda a espécie de
insónia, estados de irritação nervosa, de intranquilidade e de
angústia são curados perfeitamente coma luz azul.
A luz Amarela exerce um efeito favorável sobre os órgãos da
nutrição; o estômago, intestinos, fígado, rins,  baço, bexiga,
etc., podem ser beneficiados com a energia de  cor amarela
(positiva) e ser curados no caso de existir alguma doença.
A cor amarela tem a radiação mais quente,  a qual pode ser
aconselhada alternadamente com a luz vermelha, para ser
aplicada também nas paralisias.
Para se tornar mais económico, todas as pessoas podem
utilizar, em seu próprio benefício, os raios curativos de cor,
suspendendo na janela os vidros de cor e deixando passar
por eles os raios de sol, dirigindo-os sobre a parte do corpo  que
se deseje  irradiar. Os raios de diferentes cores originam  distintas
transformações químicas dentro do corpo humano.
Assim, também  a Agua,  exposta durante algum tempo  à
irradiação da cor, sofre estas transformações químicas.
Compreende-se por si mesmo que a intensidade do efeito
dependerá da energia do sol. As pessoas sensíveis até possuem a
faculdade do  gosto  (perceber o sabor) da a lteração  causada
pela energia da cor, quando esta atravessou a água.
Iguais observações nos foram comunicadas extensamente
pelo sábio Reichenbach, o descobridor dos raios  ódicos do
homem. As pessoas com as quais realizava as suas  experiências,
percebiam s empre pelo sabor com que cor se  tinha irradiado a
água. Reichenbach pôde até comprovar
que os raios ódicos, constantemente irradiados pelos seres
humanos, são vermelhos de um lado e azuis do outro e
que até são transmissíveis à água.
As pessoas que voluntariamente se prestaram às experiências
de Reichenbach, notavam que a água magnetizada  era fria e
fresca, ao ser exposta aos raios azuis, e tépida e  por vezes
de gosto repugnante, quando tinha recebido a  irradiação
com raios vermelhos.
A investigação da força curativa das cores ainda não
chegou ao seu termo; chegar-se-ão a conhecer, entretanto,
muitos fenómenos ainda não esclarecidos presentemente. Existe
já algo firmemente estabelecido e é que nas cores  possuímos
forças da Natureza que, ao serem aplicadas j udiciosamente,
podem libertar-nos das doenças mais diversas.  Os médicos dos
manicómios e das clínicas psiquiátricas  também têm
conseguido resultados importantes nos casos  onde a medicina
já tinha esgotado o seu arsenal e fracassado os
medicamentos. Doentes mentais, considerados incuráveis,
foram curados unicamente por meio da aplicação  das cores.
Nos grandes estabelecimentos e institutos, existem agora os
quartos chamados azuis, para os loucos furiosos, e os de
cor amarela e alaranjada, para os melan cólicos e
deprimidos.
Ainda não é do conhecimento geral a força curativa das
cores e seria para desejar que os governos procurassem  colocá-las ao alcance de todos os sectores da população.
L. Eberhard.
Doc. da Universidade Popular,
Munich.»
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151
As cores exercem a sua influência curativa também nos
olhos, sobretudo quando as cores vivas se encontram em
movimento suave e alternando em frente dos olhos. A ginástica
ocular tem vários exercícios neste sentido.
OPINIÕES DO ESTRANGEIRO
«Der Heidebote» Familienblate fur Monterhaltung und Wissen.
Luneburg, N.° 47, Nov. 1950.
«Não poder ver mais, poderá ser considerado como o golpe mais  rude
lançado pelo destino a uma pessoa. Uma diminuição da capacidade
visual, uma considerável miopia, hipermetropia e presbitias são  já
fenómenos por vezes muito deprimentes. Nem todas as pessoas podem
acostumar-se a usar óculos fortes. Além de que o nervo óptico se  debilita,
em muitos casos o emprego de lentes fortes para corrigir a  visão dá
lugar ao aparecimento de um complexo de inferioridade.  Em qualquer
caso, é a conservação de uma visão perfeita um dos capí tulos mais
importantes da ciência médica.
A primeira parte das investigações modernas sobre este problema  está
dedicada à supressão dos óculos para toda a gente. As causas para  este uso
intenso de óculos acham-se, sobretudo, no campo da especialidade. Em
primeiro lugar, ficou assente que os óculos não representam  uma solução
ideal e correcção da visão deficiente. Observou -se com  frequência que se
perde aproximadamente uma quinta parte do campo visual lateral normal,
pois apenas as lentes se encontram directamente  diante dos olhos. Além
disso; a distância entre a pupila e a curvatura das lentes difere sempre
em milímetros, porque o colocar e tirar os  óculos, e sob certas
circunst âncias, pode influir de forma negativa nos doentes dos olhos.
Há alguns anos, um alemão inventou os chamados «cristais de
contacto», ao principio considerados como um substituto perfeito dos
óculos. Como é sabido, estes cristais são introduzidos directamente da
córnea do globo ocular. Com isso, obteve-se fechar o circulo da visão'
suprimindo -se também a distância variável entre o olho e o cristal dos
óculos. Pelo contrário, o cristal de contacto possui outras desvanta gens.
Apesar da sua aprovação por partede todas as pessoas afectadas  de
miopia e hipermetropia  -a maioria das   vezes  por motivos de vai-
dade  -,  aproximadamente mais de metade dos seres humanos não  tolera
os cristais de contacto, pois o globo ocular é demasiado sensível  e
impossibilita a sua aplicação. Nem sequer admite a colocação das  lentes
chamadas de «gelatina», dando lugar a complicações. Assim, o  cristal de
contacto apenas é tolerado durante algumas horas por muitas  pessoas.
Nos Estados Unidos (ia América registaram-se numerosos  casos de
doença córnea incuráveis, pela aplicação dos «famosos» «cristais de
contacto», o que facilmente pode dar lugar a uma consequente cegueira.»
152
PALAVRAS FINAIS
De modo nenhum este livro pretende ser perfeito. Fica  ainda
muito por dizer. O seu único fim é servir de guia para  os que
queiram aprender, por si mesmos, como podem  prestar aos seus
próprios olhos o máximo cuidado possível.
A faculdade visual não se limita ao grau geralmente
designado pela ciência como normal, pois pode chegar  a
ultrapassar em muito este limite.
Uma jovem que sofria de estrabismo veio consultar-me.
Possuía uma faculdade visual que superava amplamente o
que a ciência chama faculdade visual normal. No cartão de
leitura via, da distância de 3,60 metros, o escrito q ue  deve
ver-se a 1,15 metros.
Este é o rendimento máximo que se tem observado até  hoje.
Todos conhecemos o refrão que diz, a propósito de um
objecto valioso  :  «vale mais do que os olhos da cara». Certa-mente que um objecto valioso devemos cuidá-lo com esmero e
tratamo-lo com todas as atenções, mas os nossos olhos, que são
o dom móis precioso com que nos dotou a Natureza  e a
maravilha mais importante que possuímos, às vezes tratamo-los como se pudessem ser substituídos por algo diferente; ou
com desconsideração, como se se tratasse de uma  coisa pouco
delicada ou sem sensibilidade. Utilizamo-los  continuamente,
durante todo o dia, e cremos que é natural  que prestem os
seus serviços normais sem lhes conceder  algum cuidado nem
ajuda de qualquer espécie.
153 
Todos os dias lavamos o nosso corpo, penteamos o cabelo,
limpamos os dentes, as unhas e tudo isto nos parece  natural;
mas, para os nossos olhos, não dispomos efectivamente de
tempo. Só quando perdemos a eficiência no  serviço que
nos proporcionam, quando a  anormalidade  se  toma
prejudicial, é que começamos a compreender o seu  alto e
apreciado valor.
Todas as pessoas deveriam praticar um pouco de higiene
ocular diária e também, como medida preventiva, executai  todos
os dias  alguns poucos exercícios oculares.
Conheço dois senhores, de 40 e 55 anos de idade, res-pectivamente, que, sem a direcção de nenhum especialista,
ambos transformaram a sua visão deficiente em visão normal,
guiando - se apenas por um livro. Todas as manhãs,  após a
usual higiene corporal, executavam exercícios de  ginástica
ocular, continuando assim ainda depois da cura,  durante
três minutos diários, e deste modo conservam hoje
perfeitamente bem a visão e tê - la - ão normal no futuro.
Trata-se de pessoas cujas ocupações quase não lhes permi-tem disp or de tempo. É que:
«QUERER É PODER!»
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BIBLIOGRAFIA
DR. MED. BATES:  Perfect Sight Without Glasses, New York.
Mathãus Schmidthauer. Augenheil Kunde nach den Geset  zen der
Naturheilmethode.
Verband der Vereine fur Naturkeilkunde in der Tschecho-Slowakei. Komotau. Warnsdorf IX, 1894.
M. PLEATEN: Die neue Heilmethode. Deutsches Verlagshaus
Bongu. Co. Berlin, Leipzig, Wien, Stuttgart.
LOUIS KUHNE: Die neue Heilvissenschaft. Verlag von  Louis
Kuhne. Leipzig, 1938.
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Composição e Impressão:
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