O cuidador de idosos



O treinamento de pessoas para o cuidado faz-se necessário, face à situação de desamparo em que se encontram os idosos, no sentido de facilitar o atendimento imediato às suas necessidades básicas quando doentes fragilizados.
Tendo em vista o aumento progressivo da população idosa, o resgate do papel dos "cuidadores" é uma questão a ser pensada. Entretanto, em razão da complexidade cada vez maior na organização das sociedades, enfatiza-se a necessidade de preparo e aprendizado específicos para exercer o papel de "cuidador".
Para cuidar de idosos, espera-se que haja alguém capaz de desenvolver ações de ajuda naquilo que estes não podem mais fazer por si só; essa pessoa assume a responsabilidade de dar apoio e ajuda para satisfazer às suas necessidades, visando a melhoria da condição de vida.
Não se pode esquecer que, em muitas situações, o "cuidador" nem sempre é um ente da família, e que introduzir pessoas externas ao contexto familiar implica em reconhecer valores de respeito e discrição, para não interferir na dinâmica familiar.
 
1.1. Princípios orientadores
O preparo de cuidadores exige a definição de uma base conceitual norte adora dos valores e princípios filosóficos, que podem ser reconhecidos pelos pressupostos de Gonçalves e col (1997):
1. O cuidado humano ou "cuidar de si" representa a essência do viver humano; assim, exercer o autocuidado é uma condição humana. E ainda "cuidar do outro" sempre representa uma condição temporária e circunstancial, na medida em que o "outro" está impossibilitado de se cuidar .
2. O "cuidador" é uma pessoa, envolvida no processo de "cuidar do outro" - o idoso, com quem vivência uma experiência contínua de aprendizagem e que resulta na descoberta de potencialidades mútuas: É nesta relação íntima e humana que se revelam potenciais, muitas vezes encobertos, do idoso e do cuidador. O idoso se sentirá capaz de se cuidar e reconhecerá suas reais capacidades;
3. O cuidador é um ser humano de qualidades especiais, expressas pelo forte traço de amor à humanidade, de solidariedade e de doação. Costuma doar-se ou voluntariar-se para as áreas de sua vocação ou inclinação. Seus préstimos têm sempre um cunho de ajuda e apoio humanos, com relações afetivas e compromissos positivos.
Funções - Ajudar nas atividades da vida diária; administrar medicamentos por via oral prescritos pelo especialista; auxiliar na deambulação e mobilidade; cuidados com a organização do ambiente protetor e seguro, acesso a dispositivos de ajuda ( equipamentos ) para a atenção ao idoso; propiciar conforto físico e psíquico; estimular o relacionamento e contato com a realidade e levar o idoso a participar de atividades recreativas e sociais. Conferir sinais vitais, reconhecer sinais de alterações (alerta) e prestar socorro em situações de urgência (os primeiros).


1.2. Cuidador Profissional
Conceito - O cuidador profissional é a pessoa que possui educação formal com diploma conferido por instituição de ensino reconhecida em organismos oficiais, e que presta assistência profissional ao idoso, família e comunidade.
Perfil - Ter cursado Ensino Médio ou Superior e tido treinamento específico em cuidado do idoso, em instituições oficialmente reconhecidas.
Destacam-se as habilidades e qualidades pessoais para o cuidado.
Funções - Os cuidadores profissionais seguem funções específicas em conformidade com as legislações das categorias profissionais.
Os cuidadores "informais" e "formais" devem desenvolver algumas habilidades e qualidades para prestar cuidado, especificadas a seguir:
Habilidades técnicas: É o conjunto de conhecimentos teóricos e práticos, adquiridos por meio da orientação de profissionais especializados. Esses conhecimentos irão preparar o cuidador para prestar atenção e cuidados ao idoso (descritas nas funções).
Qualidades éticas e morais: São atributos necessários para permitir relações de confiança, dignidade, respeito e ser capaz de assumir responsabilidades com iniciativa. Quando não for parente, deve procurar adaptar-se aos hábitos familiares, respeitar a intimidade, a organização e crenças da família, evitando interferência.
Qualidades emocionais: Deve possuir domínio e equilíbrio emocional, facilidade de relacionamento humano, capacidade de compreender os momentos difíceis vividos pelo idoso, adaptação às mudanças sofridas por ele e família, tolerância ante situações de frustração pessoal.
Qualidades físicas e intelectuais: Deve possuir saúde física, incluindo força e energia, condições essenciais nas situações em que há necessidade de carregar o idoso ou dar apoio para vestir-se e cuidar da higiene pessoal. Ser capaz de avaliar e administrar situações que envolvem ações e tomada de decisões.
Motivação: É condição fundamental a empatia por idosos. Valorizá-los como grupo social, considerando que o "cuidado" deve ser um compromisso prioritário, pessoal e também da sociedade.
O cuidador de idosos dependentes deve organizar suas tarefas de cuidado de modo a ter oportunidades de se autocuidar. Muitas vezes, o cuidador se sobrecarrega nas suas atividades e se esquece de que é uma pessoa que também necessita de cuidados. A família deve avaliar esse trabalho, em conjunto com profissionais e planejar atividades para idosos e cuidadores. Cursos são necessários, visando a orientação aos cuidadores do cuidado com o outro e consigo mesmo.
Fonte: BRASIL, Presidência Social. Idosos: Problemas e cuidados básicos. Brasília: MPAS/SAS, 1999.   

1.3. O cuidado, com freqüência, começa em forma gradual. Provavelmente você já esta ajudando a alguém a:

  • Levar ao Médico;
  • Fazer as compras no supermercado;
  • Pagar as contas;
  • Lavar a roupa ou limpar a casa ou
  • Cozinhar.

Com o tempo, você poderia oferecer maiores cuidados. Quem sabe compartilhe a responsabilidade com outros membros da família ou com amigos, ou quem sabe se encarregue de tudo você mesmo, inclusive ate dedicar às 24 horas do dia ao cuidado dessa pessoa. É provável que o cuidado de outra pessoa compreenda:

  • Alimentá-la ou dar-lhe banho;
  • Ajudá-la a usar o banheiro;
  • Supervisionar o horário de tomar as medicações;
  • Contratar a outras pessoas que a cuidem;
  • Programar todo o atendimento médico ou;
  • Administrar todos os seus assuntos econômicos e legais.


SE VOCÊ REALIZA ALGUMA DESTAS TAREFAS POR OUTRA PESSOA, ENTÃO VOCÊ É UM CUIDADOR! 
Respeito e Dignidade

Antes de começar a realização deste curso, vamos nos deter alguns minutos para considerar seu papel especial como ajudador.  A diferença de um cuidador profissional, você conhece na pessoa que cuida. Conhece a pessoa por completo, o que ela gosta e o que ela não gosta também, suas fortalezas e suas fraquezas individuais, além de seus desejos e necessidades.
É muito fácil cair numa atitude “protetora” quando se cuida de outra pessoa, especialmente se tratar de um membro da família.  Mas precisamos compreender que a não ser que a pessoa esteja passando por um transtorno cognitivo (Distúrbio cerebral devido a um derrame cerebral, demência ou outro problema de saúde), ELE, entretanto toma as decisões sobre sua vida.  Às vezes, a pessoa poderia tomar decisões que você não tomaria, mas é sua decisão.  Isto pode ser difícil para você, como cuidador, mas deve ter cuidado e estar alerta para não cair na superproteção.
Uma das necessidades humanas mais importantes é o respeito e a dignidade e essa necessidade não muda quando a pessoa adoece e fica incapacitada, de fato, esta poderia inclusive acentuar-se mais.
Existem muitas coisas que você pode fazer para se assegurar que a pessoa sob seus cuidados receba respeito e dignidade, direito básicos de todo ser humano.


2.2. Respeitar sua privacidade física e emocional.

  • Fechar a porta quando o ajuda a vestir-se ou usar o banheiro;
  • Bater a porta antes de entrar;
  • Não comentar informação privada com outras pessoas, mesmo que estas sejam membros da família, sem sua permissão.

2.3.           Respeitar seu direito de escolher.

  • Ao tomar decisões, sentimos certo controle sobre nossa vida. Por exemplo, se a pessoa pode fazê-lo, permita que decida o que e quando comer;
  • Se a pessoa tem problemas cognoscitivos, ofereça-lhe opções sobre o que comer, quando comer e o que usar.
  • Se a pessoa insiste em usar a mesma camisa todos os dias, use uma toalha como proteção quando coma e lave a roupa de noite.
  • Se pensar que é uma decisão boba ou de pouca importância, trate de ver porque isso é importante para a pessoa.
  • Se a pessoa se nega a tomar seus medicamentos ou toma decisões que possam ser perigosas, trate de negociar uma possível solução. Ofereça-lhe os comprimidos com seu suco favorito (se a receita permite), aceite dar-lhe banho com a freqüência absolutamente necessária, planeje tempo para que alguém a leve a caminhar com ele se não é seguro que o faça sozinho.

2.4.  Trate-o com dignidade.

  • Ouça suas preocupações;
  • Peça sua opinião e faça-o saber que esta e importante para você;
  • Faça-o participar de tantas decisões quanto possível;
  • Inclua-o na conversação. Não fale dele como se não tivesse presente.

Converse com ele como um adulto, mesmo que você não esteja certo do quanto ele entende.

2.5. Filosofia de vida independente

A filosofia de vida independente é um conceito que tem surgido do desejo natural que as pessoas incapacitadas têm de exercer o controle sobre sua vida. Em uma visão mais abrangente, esta filosofia afirma que todos, incapacitados ou não, tem direito e oportunidade de seguir um curso de ação em particular e isto implica na liberdade de aprender de nossas experiências, incluindo nossos erros.

Cuide de si mesmo 

Cuidar de outra pessoa e a responsabilidade mais difícil que terá na sua vida. Se bem que cuidar de uma pessoa traz muitas satisfações, mas existem sacrifícios e exigências que poderiam chegar a ser muito fortes.
Dado ao fato que cuidar de outra pessoa pode ser exaustivo, é importante que se controle. No geral, é difícil saber por quanto tempo deverá cuidar desta pessoa ou se sua tarefa se tornará mais exigente ao longo do tempo e deve-se levar em conta que esse trabalho não vem com uma descrição trabalhista!
Cuidar de suas próprias necessidades é tão importante como cuidar de outra pessoa.

Se você adoece ou tem estafa emocional ou física, não poderá cuidar dos outros.

Agora veja a apresentação a seguir sobre como fazer!


3.1. A Importância de fazer exercício

Ninguém pode estar tão fora de forma, tão cansado ou ocupado como para não se beneficiar com um programa regular de exercícios. O que ouvimos geralmente são os benefícios...
Se você tem desculpas do tipo: “Eu nunca fiz exercícios antes”, “Meus joelhos e meus pés doem muito” ou “Não tenho tempo”, faça a você mesmo um favor: com tão somente 10 minutos por dia e em pelo menos 3 dias por semana, o exercício correto te ajudará a sentir-se melhor, a reduzir o estresse e a gozar mais da vida.

3.2. Algumas observações importantes para quando você fizer exercício:

  • Programe uma hora específica cada dia para fazer exercício;
  • Seja constante. Para obter benefícios de qualquer programa de exercício, deves fazê-lo de forma regular;
  • Faça exercícios de alongamento e de relaxamento antes e depois de teu exercício;
  • Comeces com uns 10 minutos de exercício ao dia e aumente gradualmente ate 30 minutos para obter o máximo benefício;
  • Faça o teste do falar/cantar para saber se estás fazendo o exercício de forma demasiadamente forte ou não o suficiente, utilize este simples teste.  Se não pode falar ao fazer exercício ao mesmo tempo, está se extenuando. Se você pode cantar e fazer exercício, não está se esforçando o suficiente;
  • Sempre comece lentamente a atividade durante os primeiros 5 minutos e diminua o ritmo durante os 5 últimos minutos em vez de parar abruptamente.

3.3. Exercícios recomendados.

Nota de advertência: Sempre consulte seu médico antes de começar qualquer programa de exercícios.

3.4. Dê um passeio diário.

Procure um amigo com quem caminhar. Motivar-se-ão mutuamente quando estiverem tentados há ter o dia livre sem o exercício.

3.5. Veja um vídeo de exercícios.

Procure vídeos para principiantes. Evite começar com programas que incluam saltar ou dobrar-se. Melhor ainda, use vídeos para fazer alongamento, tonificação muscular e relaxamento.


3.6. Informe-se sobre aulas oferecidas através dos centros comunitários, ginásios e centros para idosos.

Consulte sobre Yoga, tai-chi ou outros programas de exercícios não tradicionais. Estes são uma forma excelente de melhorar a flexibilidade, tonificar os músculos e relaxar. Veja se tem disponível piscina comunitária e consulte sobre horário de natação para idosos ou aulas de hidroginástica. Muitas piscinas oferecem aulas só para idosos ou para pessoas que desejem um ritmo mais lento.

3.7.  Dance, para ter uma saúde melhor.

Os bailes de São João, de salão ou tradicionais são uma excelente forma de incrementar sua resistência e melhorar seu equilíbrio.
Se você necessita ajuda para encontrar um programa de exercícios adequado, consulte seu médico.

3.8. Consulte sobre programas sociais em sua comunidade.

Os centros de cuidado diurno podem proporcionar um descanso programado com regularidade.

Disponíveis em muitas comunidades, estes centros proporcionam programas sociais e comidas. Alguns proporcionam transporte para aqueles idosos que necessitam atividade sob supervisão.  Os participantes podem freqüentar 1 ou 2 vezes por semana ou todos os dias, dependendo do programa individual.

3.9. Também poderia conseguir programas noturnos.
  
Alguns lugares de repouso, lar de idosos e comunidades de aluguel com ajuda oferecem estadias de até duas semanas.

3.10. Consulte sobre atenção domiciliar.

Se a pessoa não puder freqüentar um centro de atendimento diurno, poderia haver a possibilidade que assistentes capacitados possam proporcionar cuidado em turnos na sua casa.

3.11. Convivendo com o estresse

Estabeleça limites e faça-os saber.

3.12. Assegure-se de ter metas e expectativas realistas.

Não espere ter a casa perfeita ou ter uma vida social como a que tinha antes de assumir o papel de cuidador.  Provavelmente tenha que simplificar as folgas nos feriados ou repartir as responsabilidades com outros membros da família.


3.13. O Bom Humor é geralmente o melhor remédio.

Loque um filme ou olhe programas de televisão que o façam sorrir. Leia um livro de piadas. O humor pode fazer milagres para reduzir o estresse.

3.14. Busque apoio.

Através de amigos compreensivos, grupos de apoio ou um conselheiro profissional. Participe também das comunidades na internet sobre esse tema.

3.15. Evite pessoas difíceis.

Como por exemplo, amigos que o criticam o tempo todo.

3.16. Descubra o que lhe ajuda a aliviar o estresse.

Algumas idéias poderiam ser exercícios de respiração, yoga, meditação, escrever um diário de vida ou sair para caminhar.  Feche os olhos e se imagine em um lugar bonito, rodeado por suas coisas favoritas.

3.17. Faça uma lista das coisas que aliviam o seu estresse.

E depois o mantenha a mão e utilize!

3.18. Como saber se você precisa de ajuda profissional? (cuidador).

Alguns sinais de advertências poderiam ser:

  • Uso abusivo de bebidas alcoólicas ou de medicamentos como pílulas para dormir;
  • Perda ou aumento considerável de apetite;
  • Depressão, perda das esperanças, sentimento de alienação;
  • Pensamentos suicidas;
  • Perda do controle físico e emocional;
  • Tratar mal outras pessoas ou ignorá-las.

Se apresentar quaisquer destes sintomas, você está levando uma carga demasiadamente grande. Consulte um conselheiro ou converse com seu médico sobre seus sentimentos.  Seu médico poderá recomendar-lhe um conselheiro ou você poderia se por em contato com um hospital local ou secretaria de saúde.
BANHO

Tomar banho pode ser uma atividade agradável durante o dia. Depois do banho nos sentimos bem, limpos e relaxados.  Se você cuida de alguém que precisa de ajuda para tomar banho, faça com que a ocasião seja a mais agradável possível. Depois, ambos se sentirão melhor.

Quando tomar banho for um problema...
Tentar identificar a(s) causa (as) da recusa é um bom começo.
O idoso pode estar com dificuldade para caminhar, ter medo da água, medo de cair, pode estar deprimido; com infecções que geram mal-estar, dor, tontura ou mesmo sentir-se envergonhado por expor seu corpo diante de um cuidador estranho, especialmente se for do sexo oposto.

4.1.1. ADAPTANDO O AMBIENTE

  • Todas as adaptações deverão ser feitas mediante o grau de dependência apresentado;
  • Mantenha o piso seco e no interior do Box utilize tapetes antiderrapantes (emborrachados) para evitar quedas;
  • A colocação de barras de segurança na parede (semelhante àquelas utilizadas em academias de balé) é de grande ajuda, pois permitem que o paciente se apóie nelas durante o banho, fazendo-o sentir-se mais seguro;
  • Se for difícil para ele manter-se em pé por muito tempo, pense que talvez uma cadeira de banho vá auxiliá-lo e permitir maior conforto.

4.1.2. RESPEITE SEUS HÁBITOS

  • Os que apresentam dependência leve devem ter seus hábitos de higiene respeitados como: horário do banho, marca do sabonete, xampu, etc.
  • Não há razão para se “obrigar” o paciente a banhar-se pela manha se é seu hábito fazê-lo à tarde;
  • É interessante se criar uma rotina para aqueles que apresentam dependências severas, isto facilita o trabalho do cuidador e cria um hábito para o paciente;
  • Mesmo os acamados devem ser levados ao banheiro para que seja realizado o banho de chuveiro, esta é uma ótima oportunidade de mobilização;
  • Banhos no leito devem ser evitados, sendo indicados apenas para aqueles pacientes com prescrição de repouso rigoroso no leito.

4.1.3. INDO PARA O BANHEIRO

  • Prepare o banheiro previamente e leve para lá todos os objetos necessários à higiene;
  • Elimine correntes de ar fechando portas e janelas;
  • Separe as roupas pessoais antecipadamente;
  • Regule a temperatura da água que deve ser morna;
  • Se possível, o paciente deve ser despido no quarto e conduzido ao banheiro protegido por um roupão, neste momento, evite fixar os olhos em seu corpo (isto pode constrangê-lo), observe-o sutilmente.

4.1.4. O BANHO PROPRIAMENTE DITO

  • Oriente-o para iniciar o banho e auxilie-o, se necessário;
  • Não faça por ele. Estimule, oriente, supervisione, auxilie. Apenas nos estágios mais avançados da doença o cuidador deve assumir a responsabilidade de dar o banho;
  • Aproveite a oportunidade para massagear suavemente a sua pele, isto favorece a circulação sanguínea e produz grande conforto;
  • Não utilize buchas de banho, lembre-se que a pele é muito sensível e você pode provocar lesões;
  • Lave a cabeça no mínimo 3 X por semana, utilize xampu neutro, observe se há lesões no couro cabeludo. Mantenha se possível, os cabelos curtos;
  • Observe se há necessidade de cortar as unhas das mãos e dos pés, em caso positivo, posteriormente, corte-as retas com todo cuidado especialmente nos pacientes diabéticos;
  • Após o banho, seque bem o corpo, principalmente as regiões de genitais, articulares (dobra de joelho, cotovelos, axilas) e interdigitais (entre os dedos). 
  • CUIDANDO DA PELE
     
    A pele merece atenção especial e o momento do banho é o mais apropriado para se observar a presença de hematomas (manchas roxas), hiperemia (vermelhidão), pruridos (coceiras), assaduras ou qualquer outro tipo de lesão, as quais se tratadas adequadamente e a tempo evitam complicações e previnem a ocorrência de úlceras por pressão (escaras).

  • Manter a higiene da pele é de suma importância, pois se trata de uma barreira natural de que dispõe o organismo contra infecções, portanto, trabalhe para manter sua integridade;
  • Idosos apresentam fragilidade de vasos capilares, que se rompe com facilidade, causando manchas avermelhadas na pele. Aumente a oferta de alimentos ricos em vitamina C , ela melhora a resistência dos vasos capilares;
  • Ao segurar o paciente pelos braços ou mãos, não exerça demasiada pressão, lembre-se, a sua pele é frágil, e muitas vezes, rompe-se com uma simples pressão;
  • Manter a pele hidratada é de fundamental importância, existem no mercado bons cremes hidratantes, de perfume suave, que umidificam adequadamente, evitando seu ressecamento;
  • Mantenha o paciente hidratado, ofereça líquidos à vontade;
  • Evite a exposição à luz solar após as 9 horas da manhã (10 no horário de verão);
  • Pruridos (coceiras) podem ser causados por vestuário confeccionado com tecidos sintéticos, dê preferência às roupas de algodão ou tecidos antialérgicos;
  • Assaduras podem surgir devido a má higienização ou a longa permanência com fraldas molhadas;
  • Após eliminações urinárias ou intestinais, deve-se providenciar uma higiene íntima;
  • Pacientes incontinentes devem ter suas fraldas trocadas de 3/3 horas ou antes se necessário;
  • Evite cosméticos com perfume forte, eles costumam produzir alergias respiratórias;
  • Não use talcos, se aspirados inadvertidamente podem produzir alergias respiratórias;
  • Evite banhos muito quentes, eles provocam o ressecamento, além de causar queimaduras em peles muito sensíveis.
 HIGIENE ORAL

A Higiene Oral é um hábito saudável e agradável que deve ser mantido ao longo de toda a vida.
Alterações da mucosa oral, perda de dentes, próteses mal ajustadas, gengivites (inflamação das gengivas), diminuição do fluxo salivar, são fatores que podem ocasionar infecções na cavidade oral.

  • A Higiene Oral deve ser realizada após cada refeição ou num mínimo de 3 X ao dia;
  • A boca deve ser inspecionada imediatamente após cada refeição, para que dessa forma, possa ser removido todo e qualquer resíduo alimentar;
  • Utilizar escovas de dentes de cerdas macias, massageando as gengivas verticalmente com suavidade;
  • Pode-se utilizar após cada escovação antissépticos orais, mantendo assim um hálito agradável;
  • Algumas vezes é muito difícil fazer com que o paciente abra a boca para se fazer a higiene oral. Tente introduzir delicadamente uma espátula entre os dentes e faça um movimento rotatório, caso não seja possível, utilize o próprio dedo indicador envolto em gaze para que seja possível a higienização.

6.1.        A LÍNGUA

A Língua deve ser massageada com escova macia, para remoção de sujidades.
Em caso de haver presença de uma crosta branca sobre a língua – saburra – removê-la utilizando uma solução de bicarbonato de sódio, na proporção de 1 colher de café de bicarbonato em 1 copo d água. Para executar a limpeza da língua, molhar na solução a escova de dentes, ou uma espátula envolvida em gaze, ou mesmo o próprio dedo indicador envolto em gaze e proceder a limpeza. Esta deve ser feita com movimentos suaves, sem esfregar.

O QUE OBSERVAR

Deve-se observar cuidadosamente a presença de lesões na cavidade oral – manchas brancas, vermelhas, pequenos ferimentos que sangram e não cicatrizam – e nesse caso, alertar o médico responsável.

CUIDE BEM DAS PRÓTESES

  • Deve-se ter maior atenção para a higiene oral naqueles pacientes que usam próteses dentárias.  Estas devem ser retiradas após cada refeição, higienizadas fora da boca, e após limpeza da cavidade oral, recolocadas;
  • Pacientes muito confusos devem ter suas próteses retiradas à noite, colocadas em solução antisséptica, e após higienização, recolocadas pela manhã;
  • Observar a estabilidade da prótese na boca do paciente, lembrar que com o envelhecimento ocorre perda de massa óssea, fazendo com que as próteses fiquem frouxas e se desestabilizem.  É conveniente, neste caso, aconselhar-se com um dentista;
  • Observar a presença de cáries ou dentes quebrados que causam dor.  Existem equipes de profissionais (dentistas), que atendem no domicílio aqueles pacientes que se encontram impossibilitados de comparecer ao consultório;
  • Muitas vezes, a recusa do paciente em alimentar-se ou sua agitação no horário de refeições deve-se ao fato de próteses mal ajustadas ou significar simplesmente uma dor de dentes. 
  • ALIMENTAÇÃO
    Nem sempre alimentar o portador da doença de Alzheimer é tarefa fácil. Horários regulares, ambiente tranquilo, especialmente muita calma e paciência, da parte do cuidador, são fatores imprescindíveis para que a alimentação seja bem aceita pelo paciente.

  • O paciente deverá estar sentado confortavelmente para receber a alimentação;
  • O ambiente deverá ser calmo, livre de ruídos;
  • Jamais ofereça alimentos ao paciente quando este estiver deitado;
  • Os pacientes que ainda conservam a independência para alimentarem-se sozinhos devem continuar a receber estímulos para esta ação, não importando o tempo que levem para fazê-lo;
  • O Cuidador nunca deverá criticar ou apressar o paciente durante as refeições.
  • As instruções passadas ao paciente deverão ser claras e o comando suave;
  • Para aqueles pacientes que demoram a alimentar-se, o uso de baixelas térmicas, que mantém o alimento aquecido por mais tempo, é bastante útil.
  • Independentemente da apresentação da dieta – sólida, pastosa ou líquida – deve-se, sempre que possível, respeitar as preferências do paciente.  Uma pessoa que sempre gostou de comer carne, mas que já não consegue deglutir pequenos pedaços deve ter a carne liquidificada e servida em consistência de purê.  O mesmo artifício deve ser utilizado para os outros alimentos.
  • O convívio com a família é de extrema importância. Sempre que possível, deve-se permitir que o paciente alimente-se em companhia de seus familiares.
  • A vida social deve ser mantida enquanto possível.  Se for hábito do paciente almoçar fora, os restaurantes devem ser selecionados e a opção por um local tranquilo é a ideal.
  • Os utensílios utilizados durante a refeição devem ser preferencialmente lisos e claros. As estampas – de pratos, por exemplo – podem distraí-lo e reduzir sua concentração naquilo que lhe é explicado no momento (mastigação e deglutição).
  • Aqueles que apresentam dependência severa devem ser alimentados com colheres, em lugar de garfos.
  • Os alimentos crus e secos devem ser evitados, pois o perigo de engasgamento é maior.
  • Doces e salgados serão permitidos, desde que não haja restrição médica. Os temperos devem ser suaves e os molhos picantes evitados.
  • Caso haja engasgamento, mantenha a calma, coloque-se imediatamente atrás do paciente e abraçando-o com as duas mãos juntas, comprima o abdome, fazendo pressão sobre o diafragma.
  • Após cada refeição, a higiene oral é indispensável e deve ser realizada uma inspeção cuidadosa da boca, a fim de que possa ser removido todo e qualquer resíduo alimentar. 
  • NUTRIÇÃO
    Nutrição não deve ser confundida com alimentação, na maioria dos casos as pessoas bem alimentadas estão mal nutridas.
    Os idosos podem necessitar de uma maior oferta de proteínas (carnes brancas, como peixes e aves; carnes vermelhas, desde que sem gordura; leite desnatado; queijo fresco etc.); além de carboidratos (açúcares, massas) e reguladores, fontes de vitaminas e minerais (vegetais, frutas e legumes).
    No entanto, a nutrição adequada a cada paciente deve ser orientada por profissional competente, uma nutricionista.

  • Lembrar que o suprimento das necessidades nutricionais é um fator que deve ser analisado clinicamente, considerando-se hábitos e gasto energético individuais, sendo que esses fatores variam de indivíduo a indivíduo.
  • As refeições devem conter pelo menos um alimento de cada grupo, a saber: construtores (proteínas), energéticos (carboidratos) e reguladores (frutas, legumes e vegetais).
  • É importante analisar hábitos antigos do paciente e mantê-los, desde que não haja prejuizo nutricional para ele.
  • Alguns pacientes mudam seus hábitos alimentares com a evolução da doença, dando preferência a pequenos lanchinhos ou guloseimas que alimentam, porém não nutrem.  Tente incrementar estes lanches garantindo que ele receba quantidades adequadas de proteínas, carboidratos e reguladores.
  • É importante chamar a atenção do cuidador para que as informações de como nutrir o paciente deve advir de profissionais capacitados (nutricionista), que após avaliação terão condições de prescrever uma dieta adequada a cada paciente individualmente.
  • Rotineiramente o paciente deve (sob orientação médica), realizar exames laboratoriais para que seja analisado seu estado nutricional. A freqüência destes exames irá variar de acordo com o quadro clínico apresentado.
  • A presença de edemas (inchaços) pode, em alguns casos, significar desnutrição. É conveniente consultar um médico.
  • Atenção para perda de apetite pode estar relacionada a várias causas que devem ser investigadas e tratadas. Lesão da boca, infecções, doenças crônicas ou refeições que não estejam do agrado do paciente são alguns exemplos.
  • Deve-se aumentar a oferta de nutrientes como proteínas, vitaminas e minerais, quando em presença de infecções, permitindo assim, uma reabilitação precoce.
  • O controle do peso corporal deve ser feito mensalmente, alterações súbitas (ganho ou perda ponderal), merecem investigação clínica.
 HIDRATAÇÃO

Queixas de hipotensão (pressão baixa), acúmulo de secreções bronco-pulmonares (catarro), obstipação intestinal (prisão de ventre), são algumas das complicações que na maioria das vezes estão relacionadas a quadros de desidratação, que nos pacientes idosos pode dar origem a complicações clínicas sérias e de difícil manejo.

  • Oferecer líquidos é de extrema importância, não se deve esquecer que eles colaboram para o equilíbrio de todos os sistemas orgânicos.
  • Deve-se oferecer uma quantidade de líquidos equivalente a 2 litros por dia, na forma de água, chás, sucos, vitaminas etc.
  • O volume indicado deve ser fracionado em pequenoas doses que ao fim do dia devem somar 2000 ml.
  • Deve-se garantir que a quantidade de líquidos ingerida seja mais ou menos igual às perdas (urina, suor, lágrimas, saliva).
  • Oferecer copos cheios de água causa uma sensação de plenitude gástrica desconfortável para o paciente, ofereça pequenas quantidades, várias vezes ao dia.
  • Lembrar que a maioria dos idosos ingere pouca quantidade de água pura.  Colocar sabor na água como os sucos, refrescos etc. é uma estratégia eficaz.
  • A ingestão adequada de líquidos também é de extrema importância para a manutenção do adequado turgor cutâneo (elasticidade da pele), melhorando conseqüentemente a resistência da pele.
  • Pacientes diabéticos devem receber líquidos adoçados artificialmente.
  • Aqueles que possuem restrição de líquidos prescrita por médico devem respeitá-la com rigor.
  • Idosos acumulam facilmente secreções bronco-pulmonares, a oferta adequada de líquidos possibilita uma expectoração mais rápida, prevenindo infecções.
  • Nas fases mais avançadas, devem ser servidos sucos espessos – como vitaminas, ou engrossados com gelatina, por exemplo – eles reduzem os riscos de engasgamentos.
  • Jamais ofereça líquidos com o paciente deitado, este deve estar em posição sentada ou recostada em travesseiros.  Esta medida reduz o risco de aspirações e otites (dor de ouvido).
  • Atenção! Quedas de pressão arterial, diurese concentrada (urina escura) e baixo débito urinário (pouco volume de urina) podem estar associados à baixa ingestão de líquidos.
  • A obstipação intestinal (intestino preso) é outra queixa comum que também pode estar associada a baixa ingesta de líquidos, imobilidade e dieta inadequada.
  • Lembre-se de que o coração (assim como uma bomba d’água) necessita de volume para trabalhar adequadamente.  A falta de líquidos pode trazer conseqüências graves para o paciente.
  • Pacientes que apresentam dificuldade para digerir alimentos (disfagia) devem receber alimentação específica, orientadas por profissionais especializados (fonoaudiólogos e nutricionistas).
Em determinados momentos da evolução da doença pode haver necessidade da colocação de sondas para alimentação e especialmente para hidratação.

Cuidando da Roupa

CUIDANDO DA ROUPA

Manter um vestuário simples e confortável, criando sempre que possível a oportunidade de escolha pelo próprio paciente é de fundamental importância; essa rotina permite a preservação da personalidade elevando a autoestima e a independência.

  • Estimular a independência é fundamental;
  • As roupas devem ser simples, confeccionadas com tecidos próprios ao clima;
  • O paciente pode ter perdido a capacidade de expressar sensações de frio ou calor, dessa forma, nunca esquecer de tirar ou colocar agasalhos, conforme a variação da temperatura;
  • O cuidador deve, ao falar com o paciente, colocar-se no seu campo visual, ou seja, diante dele, orientando-o calmamente e gesticulando, se necessário;
  • Deve-se estimular o ato de vestir-se sozinho, dando instruções com palavras fáceis de serem entendidas;
  • Dê a ele a oportunidade de optar pelo tipo de vestuário e as cores que mais lhe agradem.  Apenas supervisione, pois pode ser que haja necessidade de auxiliá-lo na combinação de cores;
  • Tenha calma e paciência, não o apresse enquanto ele executa sua rotina de vestir-se;
  • Para que ele mesmo possa procurar suas roupas, nos armários, cole fotos de peças e ou objetos pessoais na parte externa da gaveta ou guarda-roupas. Isso o ajudará a encontrar rapidamente o que procura;
  • Roupas como blusas, camisas ou suéteres, deverão ser preferencialmente abertas na parte da frente, para facilitar a colocação ou retirada;
  • Evite roupas com botões, zíperes e presilhas, elas dificultam o trabalho do paciente para abri-los ou fechá-los. De preferência às roupas com elástico ou velcro;
  • Nas fases mais avançadas da doença, deve-se dar preferência aos conjuntos do tipo moletom, em função de sua praticidade;
  • Pacientes limitados à cadeira de rodas ou poltronas, o critério para a escolha do vestuário é ainda mais rigoroso.  Deve-se optar por roupas confortáveis, largas, especialmente nos quadris;
  • O uso de objetos pessoais (acessórios), pode ser mantido, porém, com a evolução da doença, as jóias deverão ser substituídas por bijuterias;
  • Na medida do possível, deve-se providenciar um roupão, para que o paciente possa se despir no quarto e, protegido, ser conduzido ao banho;
  • Deve-se evitar o uso de chinelos, pois eles facilitam as quedas;
  • Todos os tipos de sapatos devem ser providos por solados antiderrapantes, os mais indicados são aqueles que possuem elástico na parte superior, pois além de serem fáceis de tirar e colocar, evitam que o paciente tropece e caia, caso o cadarço se desamarre.

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