Nutrição para idosos


Introdução

                                                        
A população idosa no Brasil cresceu mais de 200% nos últimos 20 anos. Este crescimento é decorrente da melhoria das condições de saneamento, alimentação, educação e assistência à saúde, que refletem o desenvolvimento sócio-econômico das últimas quatro décadas.
Por outro lado, esta população demanda atenção e serviços específicos. No caso da saúde, busca-se qualidade de vida por meio da promoção da saúde e da prevenção de doenças de maior ocorrência nesta faixa etária.
Envelhecer é um processo que atinge o corpo todo. Cada órgão, independentemente, reduz aos poucos sua função e o corpo se torna senil. Envelhecer é um processo que começa com o nascimento e termina com a morte. Durante o período de crescimento, processos de construção dos tecidos sobrepõem-se às alterações degenerativas. Quando o corpo atinge a maturidade fisiológica, a mudança degenerativa se torna maior do que a taxa de regeneração celular, resultando em uma perda de células, que leva à diminuição da função orgânica.










Alterações fisiológicas importantes na nutrição do idoso  
No envelhecimento ocorre perda sensorial com diminuição da sensibilidade do paladar, do olfato, do tato, da audição, da visão e da função motora. Conseqüentemente, há redução das secreções salivares, gástricas e pancreáticas, ricas em enzimas. Paralelamente também há redução do metabolismo, o que implica em menor ingestão de alimentos, de modo que a quantidade produzida de enzimas, ainda que diminuída, é suficiente para atender às necessidades orgânicas do idoso. Todavia, estas alterações podem levar à menor ingestão de alimentos como resultado da redução do apetite, do reconhecimento do alimento e da habilidade em se alimentar, podendo comprometer a nutrição do organismo.  
Por outro lado, com a redução da sensibilidade dos órgãos do sentido, também há risco de ingestão aumentada de determinadas substâncias nocivas à saúde, como excesso de sal, açúcares, gordura e, até mesmo, substâncias químicas normalmente detectadas pelos sentidos.
O idoso também está mais sujeito às deficiências nutricionais devido à agudização de determinadas doenças e/ou à debilidade em se alimentar, ocasionando risco de deficiência de certos nutrientes, como: vitamina B12, ácido fólico, ferro, vitamina A e vitamina C. Por outro lado, a manutenção da mesma quantidade de alimentos, usualmente ingerida na vida adulta, pode levar ao sobrepeso ou obesidade.
Pode haver também diminuição da tolerância à glicose, associada ao processo de envelhecimento, levando à deficiência da produção de insulina, o que implica na preferência de uma dieta com carboidratos complexos. Há diminuição do teor da enzima lactase, o que limita a ingestão de laticínios.
No envelhecimento, há alteração do metabolismo de cálcio e vitamina D, acelerando a perda óssea e contribuindo para o desenvolvimento da osteoporose.
Ocorre redução da função renal, levando à necessidade de redução de proteínas. Pode haver constipação pela redução de ingestão de líquidos e fibras, além do sedentarismo.
Cuidados na alimentação do idoso
O idoso, de um modo geral, necessita menos calorias do que o adulto, isto significa que para manter o peso na faixa de normalidade é necessário reduzir a quantidade total de alimentos ingeridos.
Na prática, a dieta do idoso difere muito pouco da do adulto. Todavia, é necessário atentar para a consistência, pois muitas vezes o idoso tem problemas de mastigação e deglutição, apresentando dificuldade para digerir alimentos mais duros e secos.
Recomenda-se 5 a 6 refeições diárias, pequenos volumes e variação de alimentos.
O alimento, além da função de nutrição, fornece prazer e conforto, devendo ter boa apresentação e tempero adequado.
 
Plano alimentar básico  
alimentos
porções
exemplos
tamanho da porção
2 a 4
pão
1 francês
arroz cozido, macarrão cozido
1 xícara**
purê de batata
1/2 xícara
batata cozida
1 média
biscoito água e sal
6 unidades
aveia
1/4 xícara
2 a 3
verduras cruas
1 xícara
legumes crus
1/2 xícara
verduras cozidas
1 xícara 
legumes cozidos
1 xícara
2 a 3
frutas frescas
1 xícara ou 1 média
suco natural de frutas
1/2 xícara
1 a 2
leite, coalhada, iogurte
1 xícara
queijo
2 fatias
1 a 2**
feijão, lentilha, ervilha-seca, grão-de-bico, soja cozidos
1/2 xícara
1 a 2**
amendoim, castanha, nozes
1/4 xícara
1 a 2 
carne (boi, frango, peixe, porco e derivados)
1 bife médio ou 4 pedaços pequenos
1 a 2 
ovos (galinha)
2 unidades

* 2 a 3 para homens
** xícara = 250 mL (1 copo de requeijão)
Dia Alimentar 
quantidade
mínima
máxima
Desjejum
1/2 pão com manteiga
1 xícara de leite com café
1 pão com manteiga
2 fatias de queijo
1 xícara de chá
1 xícara de mamão
Colação
1 laranja
1 banana
Almoço
1 xícara de salada de agrião
1/2 xícara de arroz
1/4 de xícara de feijão
1 filé de pescada grelhado
1 xícara de salada de tomate
1 xícara de arroz
1/2 xícara de feijão
2 ovos cozidos
Lanche
1 maçã
1 xícara de leite
1 pedaço de bolo
Jantar (sopa)
1/2 xícara de macarrão
1 xícara de abóbora
1/4 xícara de lentilha
1 batata média
1/2 xícara de cenoura
1 xícara de ervilha seca
1/2 xícara de vagem
Ceia
3 biscoitos de água e sal
1 xícara de chá
1 mexirica
 
 
Glossário

DOENÇAS ESPECÍFICAS
Anemia: a anemia nutricional ocorre principalmente por falta de ferro, ácido fólico e vitamina B12.
Câncer: doença degenerativa que debilita o organismo como um todo, podendo levar à morte.
Desnutrição: doença relacionada com a baixa ingestão de alimentos ou de certos nutrientes
Diabete mellitus: pode ocorrer pela deficiência de produção de insulina (tipo I) ou pela dificuldade da insulina em atravessar a barreira celular devido à obesidade (tipo II)
dislipidemias: caracteriza-se pelo teor elevado de triglicerídes ou colesterol no sangue, contribuindo para o aumento do risco de doenças cardiovasculares.
Hipertensão arterial: caracteriza-se pelo aumento da pressão arterial, com níveis diastólitco acima de 90 mmHg e/ou sistólico acima de 140 mmHg.
Obesidade: doença relacionada com o excesso de alimentos; excesso de peso; excesso de tecido adiposo.
Os teoporose: é uma doença caracterizada pela perda da densidade óssea até o ponto de risco de fratura, pois o esqueleto, mais frágil e quebradiço, encontra-se incapaz de suportar cargas comuns.


 VITAMINA B12
A vitamina B12 (cobalamina, cianocobalamina) participa na síntese de células novas, auxilia na manutenção das células nervosas. Fonte: vísceras, carnes, pescado, leite, queijos, ovos. A deficiência leva à anemia (chamada perniciosa), língua lisa (glossite), fadiga, hipersensibilidade da pele, degeneração do sistema nervoso periférico, paralisia.

ÁCIDO FÓLICO
O ácido fólico (folacina, folato, ácido pteroglutâmico) participa na síntese de ácidos nucleicos (DNA). Fonte: ervilha seca, feijão, espinafre, beterraba, brócoli, alface, couve-flor. Tanto a deficiência como o excesso pode causar anemia, diarréia, obstipação, comprometimento do sistema imunológico (infecções freqüentes), língua lisa e vermelha, depressão, confusão mental, fadiga.


FERRO
O ferro classifica-se em heme (origem animal) e não-heme (origem vegetal). O organismo absorve-se cerca de 23% do ferro-heme e 5% do não heme. Fontes de ferro: fígado (1mg), carnes vermelhas (0,6mg) e peixe (0,6mg). Os alimentos vegetais (ferro não-heme) não podem ser considerados fonte de ferro, embora sua absorção possa ser otimizada em até 50% na presença de ácido ascórbico e proteínas de origem animal. Uma concha de feijão fornece 0,2mg de ferro. Obs.: os números entre parenteses se referem à quantidade de ferro biodisponível por porção de alimento consumido. A deficiência causa anemia, com fadiga, fraqueza, descoramento, respiração difícil. O excesso causa náusea, vômito, diarréia, taquiquardia, tontura, confusão.

VITAMINA A
A vitamina A (retinol, retinal, ácido retinóico, beta-caroteno como precursor) é importante para o crescimento e desenvolvimento, saúde da pele, do osso, da visão e do sistema imunológico. Fonte: fígado, abóbora, batata doce, cenoura, espinafre, manga, mamão, brocoli, melancia, alface. A deficiência causa alteração no formato dos ossos, cessação do crescimento ósseo, dores nas juntas, cegueira noturna, tecida dos olhos seco e escamoso, degeneração da córnea, pele seca e escamosa, anemia, comprometimento do sistema imunológico. O excesso: descalcificação, dores nas juntas, dor de cabeça, perda de hemoglobina e potássio, suspensão da menstruação, pele seca, rachadura nos lábios, perda de cabelo, náusea, vômito, dores abdominais.

VITAMINA C
A vitamina C (ácido ascórbico) tem função antioxidante, participa na síntese de colágeno (importante para a cicatrização), no metabolismo dos aminoácidos, funcionamento dos osteoblastos (células dos ossos), na absorção do ferro. Fonte: camu-camu, acerola, mamão, laranja, cajú, limão, morango, manga, melancia, salsinha, tomate, aspargos, brocoli, couveflor. A deficiência leva à depressão do sistema imunológico, inflamação das gengivas, perda de dentes, degeneração muscular, depressão, fragilidade dos ossos, dor nas juntas, comprometimento da pele, anemia. O excesso causa náusea, aumento do movimento intestinal, diarréia, dor de cabeça, fadiga, insônia.






CARBOIDRATOS COMPLEXOS
Os carboidratos são compostos orgânicos à base de carbono, hidrogênio e oxigênio. São conhecidos como nutrientes energéticos, dividem-se em simples (açúcares) e complexos (amidos). Exemplos de alimentos fonte de carboidratos complexos: cereais (arroz, trigo, milho, aveia, etc.) e derivados, feculentos (batata, cará, inhame, etc.) e derivados. Os açúcares, mel, melado, refrigerantes fornecem carboidratos simples.

LATICÍNIOS
São ricos em proteínas e cálcio. Exemplos: leite, queijos, iogurtes, coalhada.

CÁLCIO
É importante na construção dos ossos e dentes; manutenção dos ossos; contração muscular; manutenção das membranas das células; coagulação do sangue; absorção da vitamina B2; ativação de enzimas. Fonte: leite e derivados (iogurtes e queijos), peixes enlatados com os ossos (sardinha, salmão), mandioca, mostarda em folha, salsinha, brócolis, feijão. A deficiência causa raquitismo nas crianças, osteoporose e maior risco de fraturas nos adultos. O excesso: tontura, letargia, redução da absorção de ferro, zinco e manganês; acúmulo de cálcio nos tecidos do organismo.

VITAMINA D
A vitamina D (calciferol, colecalciferol) é importante para a saúde dos ossos. Fonte: leite integral, gema de ovo, fígado. Necessita da luz solar para ativar os precursores ao nível da pele. A deficiência causa problemas na calcificação dos ossos, desmineralização, dores. O excesso leva à perda de apetite, dor de cabeça, fraqueza, fadiga, irritabilidade, apatia, dano renal irreversível, pedra nos rins (aumento das concentrações de cálcio e fósforo), calcificação de tecidos moles (vasos sangüíneos, rins, coração, pulmão), morte.

PROTEÍNAS
São compostos orgânicos, que fornecem aminoácidos para o organismo. Podem ser de origem animal (latícinios, carnes e ovos) e vegetal (leguminosas e oleaginosas)


FIBRAS
São carboidratos não digeríveis pelo organismo humano, importante para o funcionamento intestinal, controle dos níveis séricos de colesterol e glicose. A principal fonte na dieta brasileira é o feijão.

FAIXA DE NORMALIDADE
IMC entre 22 e 27 kg/m2

ENERGÉTICOS
São alimentos ricos em calorias. Na dieta brasileira, os mais importantes são os cereais (arroz, trigo, milho, aveia), os feculentos (batata, cará, inhame, mandioca, mandioquinha) e seus derivados. O feijão, embora do grupo dos alimentos construtores, pelo seu alto teor de proteínas, também é um alimento energético importante na nossa dieta.





HORTALIÇAS
Dividem-se em verduras e legumes. São ricas em vitaminas, minerais e fibras.

VERDURAS
São as hortaliças na forma de folhas. Exemplos: alface, agrião, almeirão, acelga, escarola, mostarda, rúcula.

LEGUMES
Fazem parte das hortaliças. Exemplos: tomate, beterraba, cenoura, rabanete, chuchu, abobrinha, abóbora.  

FRUTAS
São ricas em vitaminas, minerais e fibras.

LEGUMINOSAS
São alimentos ricos em proteínas e energia. São as vagens secas. Exemplos: feijões, ervilha seca, lentilha, grão-de-bico, soja.

OLEAGINOSAS
São alimentos ricos em proteínas e calorias pelo alto teor de lipídios. Exemplos: amendoim, castanhas, nozes, coco.  

CARNES
São alimentos ricos em proteínas e ferro.
São provenientes de animais mamíferos (boi, porco, carneiro, cabrito, etc.), aves (frango, peru, etc.), pescados (peixes, frutos do mar) e seus derivados.






OVOS
São ricos em proteínas, vitamina B12, B2, ácida fólica e vitamina A. Embora tenham alto teor de colesterol não oferecem risco de hipercolesterolemia, pois apresentam quase o dobro de ácidos graxos insaturados em relação aos saturados. Os mais utilizados são os de galinha e codorna.

CAFEÍNA
A cafeína é uma substância alcalóide, conhecido como xantina, que provoca algumas reações específicas no organismo humano. O café é a principal fonte de cafeína (90 mg por xícara de café), mas outras bebidas também oferecem grande quantidade desta substância, como é o caso dos chás (34 mg por xícara de chá) e das bebidas aromatizadas com cola - Coca-Cola, Pepsi-Cola e outras colas (27 mg por copo de 250 ml).






Conclusão




O envelhecimento é marcado pela progressiva perda de massa magra corporal e aumento do tecido adiposo, assim como mudanças na maior parte dos sistemas fisiológicos, tendo como conseqüência a redução do metabolismo. Estas mudanças têm sido objeto de estudo, e até de especulação, na busca de maior longevidade e de um envelhecimento saudável. Todavia, a boa nutrição e a atividade física têm sido os carros chefes desta busca.









Bibliografia
Fontes desta pesquisa:

Bases Biológicas do Envelhecimento - por Maria Edwiges Hoffmann
Entre a Memória e uma Vaga Lembrança - por Fábio Reynol de Carvalho
Andropausa e Reposição Hormonal Masculina - por Rodrigo Mattos dos Santos
A Senilidade dos Cinco Sentidos - por Eduardo Melani Rocha
Envelheça com Saúde - por Erly Catarina de Moura
Cuidar do Idoso Doente: Aprendizado de Vida - por Liliane Castelões Gama
O Cuidado de Enfermagem com o Idoso - por Semiramis Melani Rocha
Atendimento Domiciliar ao Idoso - por Erly Catarina de Moura
Exercício Físico e Sistema Cardiovascular - por Marta Helena Krieger
O Cuidado de Enfermagem com o Idoso - por Semiramis Melani Rocha
Enfermagem para Idosos - por Semiramis Melani Rocha









Nutrição para idosos


Disciplina: Nutrição




Alunos:
Rosenilson
Márcia
Vivian
Wládia




























São Luís – Ma
2005