Ação dos Óleos Essenciais

Ação dos Óleos Essenciais

Embora o termo aroma seja exclusivo para a fragrância, os óleos essenciais também apresentam propriedades farmacológicas tais que lhes permitem penetrar através da pele e atuar na corrente sangüínea. A menor molécula aromática já faz dela um agente terapêutico capaz de agir sobre o organismo humano.
Uma das ações mais marcantes dos óleos essenciais sobre o organismo humano, através da Aromaterapia, se dá sobre o sistema linfático, com a prática da massagem aromática, que é de eficácia imediata. O sistema linfático é um segundo sistema circulatório, responsável pela drenagem do excesso de fluido das células e dos tecidos, pela absorção dos nutrientes lipossolúveis (solúveis em gorduras) e pelo controle de infecções no organismo. E o efeito da massagem aromática se faz sentir sobre estas três áreas.
Por outro lado, de modo geral, a Aromaterapia tem sido utilizada com sucesso em infecções bacterianas e deficiências imunológicas, da mesma forma como atua eficazmente através do sistema nervoso central.
No entanto, a ação mais sutil e mais profunda da aplicação dos óleos essenciais no organismo é a que se faz sentir mesmo através da mente humana, pelo sentido do olfato. As moléculas de óleo essencial contidas no ar aspirado, passando pelas vias respiratórias, estimulam os nervos olfativos. Estes nervos olfativos estão ligados diretamente ao sistema límbico do cérebro, responsável por regular a atividade sensorial e motora e pelos impulsos de sexo, de fome e de sede.
Pesquisas recentes têm comprovado que os diversos cheiros que percebemos tem um impacto direto sobre aquilo que sentimos. Acredita-se que os vários aromas dos óleos essenciais ativam os transceptores neuroquímicos do cérebro como a serotonina e as endorfinas, que fazem a comunicação do cérebro com o sistema nervoso e outros sistemas do corpo.
Por exemplo, o aroma de um óleo essencial calmante provocaria a liberação de serotonina, enquanto um óleo estimulante induziria à liberação de noradrenalina. Estudos recentes têm demonstrado os efeitos dos óleos essenciais sobre as ondas cerebrais. Um ritmo exibindo calma foi produzido quando um óleo conhecido por sua ação sedativa foi inalado, e um aroma estimulante provocou uma resposta de alerta.
Assim, o óleo essencial de lavanda é utilizado, pelo seu aroma, para relaxamento; sabe-se hoje que esse aroma incrementa as ondas alfa na região de trás da cabeça, região associada ao relaxamento.
Resumindo, pode-se afirmar que os óleos essenciais têm sua ação viabilizada em quatro frentes:

· pela inalação (vias respiratórias / sistema límbico)
· pela absorção (pele / correntes sangüínea e linfática)
· pela aplicação tópica (pele / superfície local)
· pela ingestão oral (uso interno)

O Sentido do Olfato
É interessante observar bem o aspecto de fragrância da Aromaterapia e, sobretudo, como os aromas agem sobre o cérebro humano, comandando emoções, a partir do olfato.
Dá-se o nome de anosmia à perda da capacidade olfativa, quando então não se percebe os diferentes cheiros ou aromas.
O olfato está diretamente relacionado com as áreas do subconsciente e, tornar esse mundo acessível, significa abrir-se a uma infinidade de conhecimento e sabedoria.
Talvez o aspecto mais importante na osmologia – o estudo da olfação – seja exatamente esta estreita ligação entre o cérebro e o nariz humanos. Fisicamente, trata-se apenas da distância de alguns centímetros separando um do outro. Fisiologicamente, a conexão é direta e as respostas imediatas: deve ser notado que as mensagens olfativas não passam pela medula espinhal, como a maioria das mensagens do corpo que vão para o cérebro, mas aquelas vão diretamente a uma específica região cerebral.

ANATOMIA DO OLFATO
As principais estruturas que envolvem a olfação, na ordem em que os processos ocorrem podem ser assim resumidas:
· cavidades nasais: constituem os espaços por onde circula o ar desde o exterior até o contato mais íntimo com a mucosa;
· mucosa do epitélio olfativo: é o tecido que recobre a parte interna das cavidades nasais e onde as partículas aromáticas se dissolvem;
· cílios olfativos: micro-estruturas que aumentam a área de contato das moléculas aromáticas com os nervos olfativos;
· nervos olfativos: conjunto de células nervosas que transmitem a informação olfativa para o cérebro;
· bulbos olfativos: estruturas através das quais os nervos olfativos se conectam ao cérebro;
· sistema límbico cerebral: setor do cérebro responsável pelas emoções e pelo instinto; é uma das partes mais primitivas do cérebro.

Quando o óleo essencial se evapora, suas moléculas ficam dispersas, suspensas no ar. Ao ser aspirado pelo nariz, esse ar é aquecido e algumas daquelas moléculas são então dissolvidas na mucosa que cobre o epitélio olfativo, nas porções mais internas da cavidade nasal. Uma parte das moléculas dispersas no ar inspirado segue para os pulmões, enquanto outra retorna ao exterior pelo ar expirado.
Milhões de terminais olfativos, na forma de minúsculos cílios, transmitem a informação a um dos dois principais nervos olfativos. Esta informação segue através do nervo para o bulbo olfativo que a retransmite para a região límbica do cérebro.
Conforme observou Marcel Lavabre, o sentido do olfato é a tal ponto apurado que é capaz de detectar uma parte em dez trilhões de partes de material olfativo, isto é, de partículas fragrantes.
É de se ressaltar, no entanto, que o homem não desenvolveu um vocabulário apropriado para diferenciar as várias centenas de odores diferentes que se pode perceber.
Além disso, como os nervos olfativos terminam em uma região onde a linguagem é a utilização de imagens e associações, não é possível o exercício do mesmo tipo de lógica empregada pelos centros do intelecto.