Pentium 4 - 64 bits


A Intel lançou semana passada sua nova série de microprocessadores, os Pentium 4 6xx, com um cache L2 com capacidade de 2 mb e incorporando as tecnologias HT, EIST e EDB e EM64T. Que tal destrinchar essa sopa de letras?
Primeiro, o nome da série, “6xx”. Desde o ano passado, a Intel deixou de incluir a freqüência de operação no nome de suas CPU e adotou os “números de processadores”. Para criar esses números, a Intel leva em conta a arquitetura interna da CPU, o tamanho do cache e as freqüências de operação da CPU e de seu barramento frontal (FSB, que comunica a CPU com memória principal), além de outras tecnologias (veja uma explicação detalhada em http://www.intel.com/products/processor_number/.
Fazem parte da série 6xx os Pentium 4 630 (operando em 3.0 ghz), 640 (3.2 ghz), 650 (3.4 ghz) e 660 (3.6 ghz) – todos eles com um barramento frontal (FSB) operando em 800 mhz.
Cache L2 (de level 2 ou nível 2) é uma certa quantidade de memória interna na qual são copiados trechos da memória principal escolhidos estrategicamente entre os mais prováveis de serem acessados. Caso a CPU solicite um acesso a um desses trechos, a leitura é feita muito mais rapidamente no cache, que está dentro da própria CPU. Até agora, os Pentium 4 dispunham de 1mb de cache L2. A nova série 6xx dobrou essa capacidade.
HT é a sigla de HyperThreading. A arquitetura dos Pentium 4 é do tipo superescalar, ou seja, cada chip tem, internamente, mais de uma linha de processamento (pipeline). Elas funcionam quase com se fossem dois processadores independentes, cada uma executando uma seqüência de instruções.
Pois bem: a tecnologia HT faz com que, em determinadas circunstâncias, cada linha seja percebida pelo sistema operacional como se fosse realmente um processador independente, fazendo com que o sistema funcione como multiprocessado (mais de uma CPU)
EIST é o acrônimo de Enhanced Intel SpeedStep Technology, uma tecnologia até agora usada apenas na linha Centrino para dispositivos móveis que detecta o nível de desempenho solicitado pelo sistema e, quando esse nível diminui, reduz proporcionalmente a freqüência de operação da CPU, proporcionando uma economia de energia.
Nos dispositivos móveis, isso é essencial para a duração da carga da bateria. Na linha 6xx, concebida para micros de mesa, ela terá mais importância devido à redução de ruído, já que a rotação da ventoinha se reduz proporcionalmente ao consumo de energia.
EDB significa Execute Disable Bit, uma tecnologia desenvolvida pela Intel para a linha Itanium, seus processadores de 64 bits, e adaptada para uso nos Pentium. Ela permite distinguir as áreas de memória que armazenam dados das que armazenam código, impedindo que rotinas de programação sejam executadas nas primeiras, o que evita que indivíduos mal-intencionados usem um recurso denominado buffer overflow, muito explorado pelos desenvolvedores de vírus, para executar código indevidamente.
Finalmente, EM64T significa Extended Memory 64 bits Technology, a mais importante das inovações. Ela é a resposta da Intel aos Athlon 64, os chips de 64 bits da AMD. Na verdade, ela é muito mais semelhante à AMD64 (arquitetura de 64 bits da AMD) que à IA-64 (da própria Intel, adotada nos Itanium). Tanto assim que os programas desenvolvidos para o Itanium não rodarão nos 6xx.
Mas é um notável passo adiante, principalmente no que toca à utilização de memória (que agora pode ser endereçada até teóricos 256 tb (terabytes) e melhoria de desempenho. Mas a EM64T só mostrará a que veio em sistemas operacionais de 64 bits (como o Windows XP Professional 64, a ser brevemente lançado pela Microsoft) e em placas com chipsets com ela compatíveis, como os 925/915 da própria Intel.
Pronto, agora você já sabe tudo (ou quase tudo) sobre os novos Pentium 4.